Respirar de novo: O impacto do tabaco e o caminho da recuperação

“O tabagismo permanece uma das principais causas de doença respiratória no mundo. A exposição prolongada ao fumo do tabaco provoca inflamação crónica das vias aéreas, destruição progressiva dos alvéolos e comprometimento das trocas gasosas. Muitas destas alterações desenvolvem-se silenciosamente durante anos, até surgirem sintomas como falta de ar, tosse persistente, fadiga e intolerância ao esforço. […]

Respirar de novo: O impacto do tabaco e o caminho da recuperação
Respirar de novo: O impacto do tabaco e o caminho da recuperação


“O tabagismo permanece uma das principais causas de doença respiratória no mundo. A exposição prolongada ao fumo do tabaco provoca inflamação crónica das vias aéreas, destruição progressiva dos alvéolos e comprometimento das trocas gasosas. Muitas destas alterações desenvolvem-se silenciosamente durante anos, até surgirem sintomas como falta de ar, tosse persistente, fadiga e intolerância ao esforço.

O carácter silencioso desta progressão contribui frequentemente para a falsa perceção de que fumar pouco ou durante poucos anos não terá consequências relevantes. No entanto, as alterações pulmonares podem iniciar-se precocemente, dependendo da predisposição genética individual, e a ausência de queixas não significa, de todo, a inexistência de dano. Mais recentemente, os dispositivos de tabaco aquecido e vaping têm sido frequentemente percecionados como alternativas mais seguras, sobretudo em populações jovens. Aqui importa realçar que “menos prejudicial” não equivale a “inofensivo”, e a evidência atual associa o seu uso ao aumento da inflamação das vias aéreas e a alterações da função respiratória.


© Ana Queiroz Alves  

Deixar de fumar é o passo mais importante para travar a progressão do dano pulmonar, e já existem consultas especializadas e equipas multidisciplinares preparadas para apoiar este processo. A cessação tabágica acarreta benefícios precoces, com melhoria da função respiratória e da resposta imunitária em semanas. A longo prazo, apresenta efeitos sustentados, ao desacelerar de forma significativa o declínio da função pulmonar e reduzir o risco de doença respiratória e cardiovascular. No entanto, alguns danos estruturais podem ser irreversíveis, particularmente na doença pulmonar crónica já estabelecida.

É neste contexto que muitas pessoas recorrem a cuidados especializados já com limitações significativas no dia a dia. A sensação de falta de ar em esforços simples leva à crença de que pouco pode ser feito. Contudo, a evidência científica mostra-nos o contrário.

A reabilitação respiratória é uma intervenção personalizada e multidisciplinar, eficaz na melhoria da capacidade funcional, redução da dispneia e aumento da qualidade de vida em pessoas com doença respiratória crónica, independentemente da idade e da gravidade dos sintomas apresentados. Combina exercício físico, educação sobre a doença e estratégias de autogestão, decorrendo em contexto de grupo. Ao contactar com outras pessoas com dificuldades semelhantes, muitas sentem-se mais compreendidas e motivadas, melhorando de forma evidente a adesão ao programa, a autonomia e a confiança na sua própria capacidade funcional.

Os cuidados respiratórios domiciliários assumem igualmente um papel central em fases mais complexas da doença, através de oxigenoterapia e de ventiloterapia em casa. Estas intervenções promovem uma relação mais próxima e regular com os profissionais de saúde que fazem o acompanhamento, permitindo uma melhor gestão de sintomas, redução de exacerbações e hospitalizações, e maior segurança clínica, mantendo a pessoa no seu ambiente familiar e contexto social.

Todas estas intervenções demonstram que a doença respiratória não deve ser encarada como um percurso inevitável de limitação progressiva.

No Dia Mundial Sem Tabaco, importa reforçar uma mensagem essencial: deixar de fumar é o primeiro passo, mas não o único. Mesmo em fases mais avançadas, existem estratégias capazes de melhorar sintomas, recuperar autonomia e devolver confiança às pessoas.

Nunca é tarde para voltar a respirar melhor.”



Fonte: Notícias ao Minuto

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