Jovem moçambicano prepara drone para entregar medicamentos até 200 km

“Em vez de usar a terra, por que não usamos o ar, o céu, como quem diz? Por que não usamos as vias aéreas? Com a minha capacidade de criar ‘drones’, acabei por desenvolver esse ‘delivery’ para facilitar os pilotos no transporte de medicamentos”, explica Cleiton, à Lusa. O estudante, a frequentar o primeiro ano […]

Jovem moçambicano prepara drone para entregar medicamentos até 200 km
Jovem moçambicano prepara drone para entregar medicamentos até 200 km


“Em vez de usar a terra, por que não usamos o ar, o céu, como quem diz? Por que não usamos as vias aéreas? Com a minha capacidade de criar ‘drones’, acabei por desenvolver esse ‘delivery’ para facilitar os pilotos no transporte de medicamentos”, explica Cleiton, à Lusa.

O estudante, a frequentar o primeiro ano de Engenharia Eletrónica na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior do país, pretende também responder às dificuldades de transporte de medicamentos e pequenas encomendas para comunidades onde cheias, rios ou estradas degradadas condicionam a circulação terrestre.

Para isso decidiu adaptar uma tecnologia habitualmente utilizada em filmagens e competições para uma solução de apoio à logística de produtos essenciais, após observar os constrangimentos de motociclistas responsáveis pela distribuição de medicamentos para localidades mais afastadas na província de Maputo.

A tecnológica portuguesa Tekever assinou um contrato com a Força Aérea Portuguesa, que passa a dispor de capacidade autónoma do sistema AR5 (drones) para missões de vigilância marítima, segurança e defesa, e monitorização da Zona Económica Exclusiva (ZEE).

Lusa | 13:55 – 11/08/2026

O protótipo está ainda em fase final de testes, realizando atualmente voos experimentais de cerca de dois quilómetros, muitas vezes a partir da sua casa, no bairro Tsalala, na província de Maputo.

Equipado com GPS e sistema de navegação autónoma, o aparelho segue uma rota previamente programada, entrega a carga no destino e regressa automaticamente ao ponto de partida.

O modelo utiliza baterias importadas da África do Sul, que atualmente permitem voos entre 30 e 45 minutos, enquanto outros protótipos mais pequenos têm autonomia entre oito e 12 minutos. Agora, o estudante já vai testar novas configurações para alcançar uma autonomia máxima de 200 quilómetros: “Isso por conta do sistema de GPS que ele tem (…). Outro fator é que ele consegue alcançar zonas longínquas. Estamos a falar de outras províncias”.

O equipamento suporta tecnicamente até três quilogramas de carga, embora os ensaios estejam limitados a dois quilogramas por razões de segurança, permitindo transportar medicamentos, alimentos, água, roupa e outras pequenas encomendas.

Rússia interceta drone

A Tekever é a empresa portuguesa responsável pelo AR3, o veículo aéreo não tripulado [UAV, na sigla em inglês] destruído pela Rússia na região fronteiriça de Briansk. A empresa foi recentemente selecionada pelo ministério da defesa do Reino Unido para o sistema de vigilância Corvus.

Miguel Patinha Dias com Lusa | 07:40 – 04/08/2026

“As capacidades é que ele consegue carregar cerca de três quilos, mas por fator de segurança, traçou-se que deve ser dois quilos. Então, com dois quilos conseguimos carregar várias coisas, como encomendas”, explica, afirmando que o mesmo “consegue aguentar ventos fortes”.

Para chegar a este resultado, Cleiton Michaque começou a construir ‘drones’ em 2019, ainda adolescente, recorrendo inicialmente ao computador do pai para aprender programação e eletrónica de forma autodidata. O primeiro protótipo exigiu meses de investigação, testes e sucessivas tentativas até conseguir levantar voo, experiência que considera determinante para os projetos que desenvolve atualmente.

Cleiton explica que fabricar um ‘drone’ – e já construiu do zero mais de uma dezena – exige conhecimentos de eletrónica, programação, mecânica e impressão tridimensional, além de um investimento elevado, uma vez que praticamente todos os componentes, motores, controladores, hélices, baterias e outros equipamentos, são importados, sobretudo da África do Sul.

Com todos os materiais disponíveis, estima conseguir produzir até cinco ‘drones’ por dia. E sonha produzir uma centena em duas semanas.

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Miguel Patinha Dias | 09:22 – 21/08/2026

“Existem pessoas que podem dizer que: ‘ah, às vezes é só comprar uns componentes e juntar e acabou’, mas não é isso. Eu diria a mesma coisa, então compra o motor de um carro, compra pneus e monta o carro, quer ver será que o carro vai funcionar ou não”, diz, acrescentando que fazer um ‘drone’ exige programação, testes, impressão 3D e muito investimento, estimado em 200 mil meticais (2,7 mil euros).

As dificuldades, acrescenta, não foram apenas financeiras. Recorda que passou noites sem dormir a resolver problemas de programação e chegou a chorar quando o primeiro ‘drone’ não respondia aos comandos, até conseguir fazê-lo voar com recurso ao computador do pai, que mais tarde passou a apoiar a compra dos primeiros materiais.

“Ele é uma pessoa que realmente viu um potencial depois de várias dúvidas, porque ele via como algo inocente, mas depois que viu que eu realmente estava a dedicar-me”, afirmou.

Desde então, construiu 14 ‘drones’ destinados a filmagens, mapeamento, corridas e transporte de pequenas cargas. Guarda todos os modelos num expositor instalado no quarto, onde conserva o primeiro protótipo e os restantes aparelhos, cada um identificado com um nome e as respetivas características técnicas, como velocidade e autonomia.

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Lusa | 12:16 – 17/08/2026

Desenvolveu ainda sentinelas eletrónicas ligadas à Internet e teclados personalizados, como parte dos projetos de engenharia que tem vindo a realizar.

Nos últimos anos participou em iniciativas internacionais de tecnologia, incluindo uma deslocação ao Japão, e foi convidado para palestras e demonstrações em instituições de ensino, entre as quais a Escola Portuguesa de Maputo.

Paralelamente, criou o Centro de Criação e Controlo, através do qual já formou 17 jovens em pilotagem, programação e montagem de ‘drones’, procurando criar alternativas de formação e ocupação para jovens em situação de vulnerabilidade.

O estudante adianta que já recebeu manifestações de interesse de empresas públicas e privadas para utilização dos ‘drones’ em atividades de filmagem, cartografia, monitorização e outras operações técnicas, encontrando-se a analisar propostas de colaboração enquanto consolida uma ‘startup’ dedicada ao fabrico, manutenção, comercialização e formação nesta área.

O objetivo, acrescenta, passa por criar uma empresa moçambicana especializada em tecnologia de ‘drones’ e prosseguir estudos em engenharia, admitindo candidatar-se a bolsas de estudo no Japão, Portugal ou Califórnia, nos Estados Unidos – privilegiando Portugal pela proximidade linguística – para aprofundar conhecimentos e desenvolver soluções aplicáveis em Moçambique.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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