
A dificuldade de engravidar não foi um impedimento para Maria Botelho Moniz realizar o sonho de ser mãe. No entanto, esse processo, que apesar de ser curto, foi descrito como um “Inferno na terra”, durante a conferência da Wells “Falar de Saúde da Mulher, Fica Bem”.
Embora a apresentadora não tenha recebido “exatamente um diagnóstico”, esclarece que lhe foi recomendado avançar um tipo de tratamento de fertilidade: Fertilização in Vitro (FIV).
No seguimento do depoimento de Maria Botelho Moniz, o médico Miguel Raimundo, especialista em Ginecologia e Obstetrícia e reconhecido como investigador na área da Procriação Medicamente Assistida, dá conta das probabilidades de sucesso, bem como dos custos envolvidos na transferência de embriões congelados – que é a etapa que considera mais frequente nos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida.
Em que consiste este tipo de tratamento de fertilidade?
Segundo o médico especialista, este procedimento consiste na “colocação no útero de um embrião que foi criado num ciclo anterior de Fertilização in Vitro, posteriormente congelado através de vitrificação e descongelado no momento considerado mais adequado para a transferência”.
Adianta ainda que nos centros com experiência nesta área, mais de 95% dos embriões sobrevivem atualmente ao processo de descongelação.
O congelamento reduz as probabilidades de sucesso?
“O facto de um embrião ter sido congelado não é, por si só, um fator determinante para o sucesso do tratamento. As probabilidades de gravidez dependem sobretudo de três elementos”, descreve.
- A idade da mulher no momento em que os óvulos foram recolhidos.
- A qualidade do embrião.
- As condições do útero e do endométrio no momento da transferência.
“Por esse motivo, a idade mais relevante para avaliar o prognóstico é a idade da mulher no momento da recolha dos óvulos, e não necessariamente a idade que tem quando o embrião é descongelado e transferido”, acrescenta.
Como funciona o processo?
1. Preparação do útero
“A preparação do útero pode ser feita através de três abordagens diferentes, devendo a escolha ser adaptada às características clínicas, ao ciclo menstrual e às necessidades específicas de cada mulher”.
- Ciclo natural, no qual se acompanha a ovulação espontânea da mulher;
- Ciclo substituído ou hormonal, com administração de estrogénios e progesterona;
- Ciclo estimulado, com utilização de medicação em baixas doses para promover um desenvolvimento endometrial adequado.
2. Como é realizada a transferência?
“A transferência embrionária é um procedimento simples, realizado em consulta e sem necessidade de anestesia, tendo normalmente uma duração de apenas alguns minutos. O embrião é colocado no interior do útero através de um cateter fino e, na maioria dos casos, o procedimento não provoca dor significativa.”
Quais são os custos envolvidos neste processo?
Miguel Raimundo adianta que uma transferência de embrião congelado, fora do SNS, pode rondar os 1000 euros, enquanto um ciclo completo de Fertilização in Vitro pode situar-se em torno dos 5000 euros, embora os valores possam variar consoante o centro, o protocolo utilizado e as necessidades clínicas de cada caso.
“Esta diferença de custos explica-se pelo facto de, na transferência de um embrião congelado, já não ser necessário repetir algumas das etapas mais complexas e dispendiosas do tratamento”:
A estimulação ovárica.
A punção folicular e a recolha dos óvulos.
A fertilização em laboratório.
“A transferência de embriões congelados corresponde, assim, a uma etapa específica de um processo mais amplo, sendo geralmente mais simples e menos dispendiosa do que a realização de um novo ciclo completo de Fertilização in Vitro. Esta distinção pode ser particularmente relevante para esclarecer o público sobre os diferentes procedimentos e custos associados aos tratamentos de fertilidade”, remata.
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Inês Morais Monteiro | 12:45 – 21/07/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
