
A Festa na Praça chega hoje, dia 12 de setembro, à Praça do Comércio, em Lisboa, com vários concertos marcados.
Além de Mariza, Kiko is Hot e os Viva o Samba, a banda NAPA também vai subir ao palco. Em conversa com o Notícias ao Minuto, o vocalista e guitarrista Guilherme Gomes reconheceu que este tipo de concertos são diferentes de um espetáculo, por exemplo, numa sala como o Coliseu. Até porque, explica, “num espaço de entrada livre e com tanta capacidade, muitas das pessoas que vão estar lá provavelmente conhecem poucas músicas”. Por isso, acrescenta, “têm de convencer essas pessoas a irem procurar o resto do repertório”.
E sem dúvida que o tema “Deslocado”, que os levou à Eurovisão e virou sucesso no ano passado, é o “cartão de visita” da banda. Por isso, a música que venceu o Festival da Canção em 2025 não vai faltar. Ainda assim, Guilherme Gomes não deixou de destacar a música “Sortudo”, o mais recente single do grupo e que, diz, “representa bem a sonoridade que a banda já foi e que quer ser para o futuro”.
Os NAPA preparam-se para lançar um novo álbum no final deste 2026 e, partilha, este terceiro álbum “traz uma sonoridade nova para a banda, um novo caminho”.
Mas antes têm o palco da Festa na Praça e esperam que as pessoas saiam do concerto “com uma boa impressão da banda”.
Acredito que atuar no palco como a Festa na Praça Continente muda a forma como pensam neste espetáculo se compararmos com um concerto no Coliseu?! Como é que se estão a preparar para esta festa? Um tema como “Deslocado” não pode faltar, mas há alguma coisa que sintam que têm de fazer de forma diferente quando estão perante um público como aquele que estão à espera de receber neste concerto?
Sim, a forma como preparamos um concerto no Coliseu e um concerto na Festa na Praça do Continente difere bastante, porque no Coliseu nós sabemos que o público pagou bilhete para estar lá e à partir conhece uma grande parte do nosso repertório e está lá com outra com outra visão.
Aqui, num espaço de entrada livre e com tanta capacidade, sabemos que muitas das pessoas que vão estar lá provavelmente só conhecem uma ou poucas músicas, e, portanto, temos de convencer essas pessoas com o espetáculo a irem procurar o resto do repertório.
Mas isso é um trabalho que temos vindo a fazer nestes concertos que temos dado um pouco por todo Portugal em que a entrada é livre e muitas vezes atrai este mesmo público.
Temos mais pressão para dar o nosso melhor e temos trabalhado todos os dias para melhorar o espetáculo
O que gostariam que o público da Festa na Praça Continente levasse do vosso concerto?
O que nos deixaria mais satisfeitos e radiantes seria que as pessoas saíssem deste concerto com uma boa impressão da banda e que despertasse curiosidade no nosso restante repertório, e para nos voltarem a ver no futuro.
“Deslocado” ficou, sem dúvida, no ouvido dos portugueses depois da Eurovisão. Hoje, sentem que para um público mais abrangente como o que vai estar nesta festa do Continente, essa música acaba por ser uma espécie de porta de entrada para o universo dos NAPA? Têm sentido que as pessoas estão cada vez mais curiosas para descobrir o resto do vosso repertório?
Sim, sem dúvida que para a maioria das pessoas “Deslocado” tornou-se o cartão de visita e a porta de entrada para o nosso universo, mas sentimos que nos concertos muitas vezes conseguimos convencer essas pessoas que só conhecem esse cartão de visita a ficar e a descobrir mais. Acho que isso é uma das grandes vantagens do nosso espetáculo ao vivo, é que consegue agarrar o público que só conhece uma música e fica com curiosidade para conhecer mais.
Imaginemos alguém que apenas conheça o tema “Deslocado”. Que outra música vossa escolheriam para dar a conhecer melhor a banda (e porquê)?
Acho que uma boa música para nos dar a conhecer seria “Sortudo”, que é o mais recente single, porque representa bem a sonoridade que a banda já foi e que quer ser para o futuro. Um bocadinho do passado no Indie Rock, mas também tem um arranjo que mostra aquilo que os NAPA querem ser no futuro.
Este terceiro álbum traz uma sonoridade nova para a banda, um novo caminho. Quisemos explorar esse facto de termos nascido e crescido na Madeira, e o que é que isso pode ter influenciado
A atuação dos NAPA mudou, de alguma forma, depois da passagem pela Eurovisão?
Sim. Passámos a ter muitos mais concertos, ou seja, temos muito mais experiência em palco e mais à vontade. Temos mais pressão para dar o nosso melhor e temos trabalhado todos os dias para melhorar o espetáculo. E mesmo o terceiro álbum que vem aí, essa experiência de ter construído um terceiro álbum deu-nos uma perspectiva nova sobre o que é que nós queremos mostrar.
Como são os vossos minutos antes de entrarem em palco? Há algum ritual? O que é que acontece nos bastidores?
Nesses momentos de preparação, normalmente estamos a vestir-nos, a jogar um bocadinho de futebol e mesmo antes de entrarmos em palco fazemos um cântico que inventámos para a banda para nos pôr em sintonia e nos conectarmos.
O lançamento do novo álbum dos NAPA mantém-se para o final deste 2026?
Sim, o lançamento do álbum mantém-se para o final de 2026, ainda não podemos dizer a data ao certo, mas muito em breve diremos.
Temos mais tempo para fazer disto vida, mais maturidade, mais experiência e mais certeza dos passos que temos de dar
No início do ano, numa entrevista ao Notícias ao Minuto, o Guilherme Gomes revelou que queriam trazer neste novo e terceiro álbum “uma sonoridade única e diferente, também trazendo um bocadinho o sítio onde nasceram, a Madeira”. Mas de que forma é que as vossas origens estão presentes neste novo disco? É mais na sonoridade, nas letras, nas referências?
Este terceiro álbum traz uma sonoridade nova para a banda, um novo caminho. Quisemos explorar esse facto de termos nascido e crescido na Madeira, e o que é que isso pode ter influenciado ao longo da nossa vida para fazermos a música que fizemos até agora e que podemos fazer. O facto de termos nascido lá moldou-nos a um nível muito profundo e queremos, no fundo, honrar isso. E tentar olhar para a ilha de uma de uma forma fresca e diferente, e perceber como é que através das letras e das sonoridades o conseguimos representar.
Juntamente com os nossos produtores Lucas Nunes e André Santos, acho que conseguimos trazer um bocadinho da tropicalidade, sol e mar da ilha que tanto nos inspiram.
Sendo o terceiro álbum dos NAPA, o que é que acham que a banda de 2026 tem que os NAPA de “Senso Comum” e “Logo Se Vê” ainda não tinham?
Os NAPA de 2026… Sinto que já evoluíram muito desde esses dois primeiros álbuns. Temos mais tempo para fazer disto vida, mais maturidade, mais experiência e mais certeza dos passos que temos de dar.
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Fonte: Notícias ao Minuto
