Volta: Serenidade na Mata da Albergaria antecede entusiasmo em Germil

Além da beleza natural e do potencial impacto na classificação geral, um dos motivos de interesse da tirada de 153 quilómetros entre Vieira do Minho e a vila do Gerês era a passagem pela Mata da Albergaria, condicionada por inúmeras restrições definidas pela organização e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). […]

Volta: Serenidade na Mata da Albergaria antecede entusiasmo em Germil
Volta: Serenidade na Mata da Albergaria antecede entusiasmo em Germil


Além da beleza natural e do potencial impacto na classificação geral, um dos motivos de interesse da tirada de 153 quilómetros entre Vieira do Minho e a vila do Gerês era a passagem pela Mata da Albergaria, condicionada por inúmeras restrições definidas pela organização e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Após 50 quilómetros que incluíram passagens pelas barragens do Ermal e pela albufeira da Caniçada, onde o tom azul escuro da água se conjugava com as montanhas revestidas a verde, os corredores iniciaram o trajeto ascendente na primeira passagem pela vila do Gerês, rumo à Portela do Homem, na fronteira luso-espanhola, com uma contagem de primeira categoria pelo meio.

Saudada por centenas de pessoas ao entrar no Parque Nacional da Peneda-Gerês, a caravana da Volta também se deparou com cerca de 15 manifestantes contra a travessia da Mata da Albergaria, com mensagens como “Volta para trás” ou “Volta sim, na Mata não”, antes de entrar na área sujeita a restrições.

Assim que surgiu o ‘placard’ a sinalizar a Mata da Albergaria, com o seu bosque de carvalhais galaico-portugueses e as espécies de fauna única no país, classificada como Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés pela UNESCO desde 2009, a corrida serenou e a caravana reduziu os decibéis.

“É importante que estejamos alinhados com tudo isto que estamos a viver”, afirmou Ezequiel Mosquera, responsável pela empresa Emesports, coorganizadora da Volta, à Agência Lusa, que acompanhou a etapa de hoje a partir do veículo do diretor da prova.

Do que foi possível vislumbrar a partir da viatura, a única anomalia face às condições definidas para a tirada foi a presença de uma mão cheia de pessoas, em bicicletas, ao lado dos vigilantes e dos agentes do ICNF e dos membros da organização que erguiam as placas a indicar os quilómetros para a contagem de montanha, já que os habituais pórticos estavam interditos.

Assim que se concluiu a descida através do denso e fresco bosque, albergue de martas, gatos-bravos e salamandras-lusitânicas, até à entrada em território espanhol, o responsável crê que o respeito pelo local vigorou, consoante a mensagem que a corrida queria fazer passar.

“Estou arrepiado pelo silêncio que ali havia. Só estávamos praticamente nós. Estávamos nós, a floresta e a fauna. Foi uma experiência e uma passagem histórica”, partilhou o galego, oriundo de uma localidade próxima de Santiago de Compostela, ao entrar na sua região, por Lobios.

A partir daí, o frenesim da caravana voltou a sentir-se, com o acelerar dos veículos, as sucessivas comunicações com a GNR e as recorrentes transmissões da Rádio Volta, pela voz de José Soares, até a corrida desbravar território desconhecido assim que se iniciou a subida a Germil.

Palco de incidências eventualmente decisivas para a Volta a Portugal, essa subida de 12,2 quilómetros reuniu a travessia de uma aldeia com 49 habitantes em plena Serra Amarela, antes de os corredores se depararem com uma multidão entusiasta nas margens de uma estrada estreita e sinuosa, num planalto despido de vegetação.

“Germil tem todos os condimentos para ser uma subida icónica em Portugal, pela singularidade. É ouro para o ciclismo. O ciclismo precisa de coisas assim e de subidas como Germil. E estas zonas precisam do ciclismo”, afirmou, reconhecendo que a etapa de hoje é aquela que mais queria ver garantida no percurso da Volta.

Aquele alto antecedeu uma série de descidas através da barragem de Vilarinho das Furnas e do santuário de São Bento da Porta Aberta até à Caniçada, onde emergiram de novo as críticas dos manifestantes, antes da subida final, a valer a Adrià Pericas (UAE Emirates) a primeira vitória de etapa como profissional.

No final, Ezequiel Mosquera mostrava-se agradado com o que a etapa foi capaz de proporcionar além da vertente competitiva: “Não se pode olhar para uma corrida só a pensar na dimensão desportiva. A parte desportiva tem de ser suficientemente emocionante para mostrar tudo o que vimos hoje. O Norte de Portugal tem uma beleza brutal”, vincou.

Os opositores à passagem da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta hoje pela Mata da Albergaria, no Gerês, consideram que a situação abre um precedente, numa altura em que se devia discutir o aumento da proteção da área.

Lusa | 23:36 – 13/08/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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