
André Villas assinou mais um editorial da revista Dragões, desta vez referente ao mês de julho, e voltou a deixar um aviso em relação à arbitragem. O presidente do FC Porto fez referência às alegadas interferências nas nomeações de arbitragem e apelou à “transparência”.
“Uma nova época não pode começar sem olharmos também para aquilo que ameaça a sua serenidade e a credibilidade das competições. O setor da arbitragem inicia a temporada envolvido numa crise institucional que não augura nada de bom. O FC Porto alertou repetidamente, ao longo da última época, para fragilidades no funcionamento do Conselho de Arbitragem, para a instabilidade criada sobre os árbitros e para a necessidade de maior independência, uniformidade de critérios, profissionalização e transparência, bem como a renovação tardia da tecnologia VAR”, pode ler-se.
De seguida, Villas-Boas apontou à decisão do Conselho de Justiça em arquivar o processo disciplinar a Luciano Gonçalves, afirmando que o mesmo deve ser “respeitado”. Contudo, garante que a desconfiança não deixou de existir, até pelos novos dados em torno da polémica.
“Esse arquivamento deve ser respeitado, mas não atenua a desconfiança instalada na liderança do setor. As notícias recentemente conhecidas dão conta de que a Polícia Judiciária recebeu uma participação e está a desenvolver diligências sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências relacionadas com essas nomeações. Não antecipamos conclusões, não fazemos condenações públicas e não nos substituímos às autoridades”, prosseguiu.
Para além disso, o presidente dos dragões considerou “prudente” pedir que o “Presidente do Conselho de Arbitragem suspenda temporariamente as suas funções enquanto defende o seu bom nome”. Villas-Boas dirigiu-se à Federação Portuguesa de Futebol e apelou a uma “posição mais firme”.
“Consideramos por isso prudente que o Presidente do Conselho de Arbitragem suspenda temporariamente as suas funções enquanto defende o seu bom nome e os factos sejam esclarecidos. Não como antecipação de culpa, mas como proteção da própria pessoa, da função que exerce e da instituição que representa. Esperamos também uma posição mais firme e clara da Federação Portuguesa de Futebol. A sua Direção assumiu diretamente o pelouro da arbitragem e não pode tratar esta crise como uma mera divergência interna. O que está em causa é a confiança nos processos, nas nomeações e na integridade das competições após uma época desastrosa”, comentou.
Mensagem aos reforços
No editorial da revista Dragões, o dirigente fez questão de deixar uma mensagem de boas-vindas aos novos reforços, começando por destacar Hwang e João Afonso como “jogadores que chegam com qualidade, ambição e vontade de se afirmarem” no clube.
Sobre André Silva, Villas-Boas lembra que “regressar ao FC Porto é voltar a um lugar conhecido e assumir uma nova responsabilidade”. De seguida, a menção foi feita a Mame Niang, Eirik Granaas e Cardoso Varela com uma garantia deixada para o futuro.
“Não lhes colocamos o peso de promessas antecipadas. Damos-lhes estrutura, acompanhamento, exigência e a oportunidade de crescerem. O talento abre portas, mas só o trabalho, o carácter e a capacidade de compreender aquilo que significa ser Porto permitem atravessá-las”, salientou.
Por fim, o presidente dos dragões lembrou que todos “Terão de conquistar o seu espaço e respeitar os valores do clube”.
“A todos os que chegam, uma mensagem simples: entram num clube campeão, mas não herdam nenhuma vitória”, pode ler-se.
Supertaça à porta e respeito ao Torreense
Em jeito de antevisão à época que está prestes a começar, André Villas-Boas lembra que a 2026/27 terá “expectativas renovadas” e aponta ao “rigor nos processos e intensidade no trabalho”.
Por isso, o dirigente não esqueceu a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, já no próximo dia 1 de agosto, e deixou elogios ao Torreense.
“A Supertaça Cândido de Oliveira marca o primeiro momento oficial da temporada. E começa logo com uma final. Do outro lado estará o Torreense, uma equipa que surpreendeu o país, mas certamente não se surpreendeu a si própria. Conquistou a Taça de Portugal com coragem, organização e uma crença que lhe permitiu alcançar um feito inédito no futebol português”, referiu.
“Não há espaço para distrações, facilidades ou confiança construída sobre aquilo que fizemos no passado. Entraremos em campo conscientes da nossa responsabilidade, da qualidade do adversário e da exigência de uma final. Queremos conquistar a Supertaça, mas sabemos que só o poderemos fazer com concentração máxima, espírito coletivo e uma entrega à altura do símbolo que representamos”, finalizou sobre o tema.
Leia Também: Revogada multa ao FC Porto por alegar que Sporting foi “levado ao colo”
Fonte: Notícias ao Minuto
