Suzanne Huurman é caso único no Mundial: “Olhei à volta e vi 47 homens”

Com cerca de 150.000 habitantes, Curaçau é o país mais pequeno a alguma vez disputar o Campeonato do Mundo, e contém em si um outro caso inédito. Num total de 48 seleções participantes, é a única que tem uma responsável médica de sexo feminino, de seu nome Suzanne Huurman, que está a dar que falar. […]

Suzanne Huurman é caso único no Mundial: “Olhei à volta e vi 47 homens”
Suzanne Huurman é caso único no Mundial: “Olhei à volta e vi 47 homens”



Com cerca de 150.000 habitantes, Curaçau é o país mais pequeno a alguma vez disputar o Campeonato do Mundo, e contém em si um outro caso inédito. Num total de 48 seleções participantes, é a única que tem uma responsável médica de sexo feminino, de seu nome Suzanne Huurman, que está a dar que falar.

Numa extensa entrevista concedida à edição desta quinta-feira do jornal espanhol Marca, a especialista revelou que a primeira vez em que se apercebeu da escassez de mulheres naquela que é a maior competição de seleções do futebol planetário foi no passado mês de março, aquando de uma reunião promovida pela FIFA, em Atlanta, com todos os profissionais desta área.

“Disseram-me ‘Ouve, parabéns, tu és a única mulher’. Olhei à volta, para a sala, e disse ‘Sim, é verdade, não me tinha apercebido’, mas é tão normal para mim… Todos os outros eram 47 homens”, afirmou, antes de sublinhar que, curiosamente, nunca teve “o sonho de ser médica nem de praticar medicina desportiva”.

“Quando eu tinha 16 ou 17 anos de idade, não sabia o que queria fazer. Gostava de muitas coisas. Como eu tinha boas notas, e, nos Países Baixos, podia entrar diretamente em medicina, pensei ‘Por que não tentar medicina?'”, acrescentou. A primeira experiência foi num hospital, onde um médico a propôs como hipótese para o Go Ahead Eagles.

“Nunca tinha pensado em trabalhar no futebol, mas quis tentar. E foi tudo muito rápido. Depois do primeiro ano, colocaram-me como chefe de serviços médicos”, relatou. Seguiu-se o PSV, e, daí, o Real Madrid: “Chamou-me para que os ajudasse a preparar a parte médica da equipa feminina, porque, naquele momento, não a tinham”.

“Em 2019, tinham comprado o Tacón, e eu ia do PSV para o Real Madrid como consultora. Em 2020, quando o futebol feminino já estava completamente integrado no Real Madrid, ligaram-me outra vez para trabalhar lá (…). Para mim, é o melhor clube do mundo. Aprendi muito. Tínhamos todos os recursos que queríamos usar”, complementou.

“Não queremos uma mulher a trabalhar na equipa principal masculina”

No Real Madrid, Suzanne Huurman viveu uma experiência “do outro mundo”, que, ainda assim, a levou a ponderar o motivo de tão poucas oportunidades para as mulheres, no futebol masculino: “Ouvi mil vezes, durante a minha carreira, ‘Não, tu como mulher não podes estar na equipa principal masculina porque não queremos uma mulher a trabalhar lá”.

“Eu tentei sempre, a cada dia, fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Se eu via que, num sítio, não iria chegar ao posto que queria, pensava ‘Não é lugar para mim’. Há mil outros sítios. Procuro uma oportunidade e é já”, apontou. Foi, de resto, dessa maneira que surgiu a oportunidade de rumar a Curaçau, fruto da “doença grave” do então responsável clínico da Federação local.

“Oxalá as médicas jovens que estão a estudar vejam que é possível chegar ao trabalho dos seus sonhos. É importante contar estas histórias, porque as barreiras vão-se quebrando pouco a pouco (…). Estamos a ver isso com as árbitras que estão neste Mundial. Ainda não tivemos uma treinadora numa seleção masculina num Mundial. Estas histórias são importantes, porque ajudam a abrir portas”, concluiu.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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