Seria um crime não assumir que Portugal tem condições para ser campeão

“Eu vivi três fases finais de Campeonatos do Mundo e, muitas vezes, é preciso fazer gestão. Os jogos têm três, quatro ou cinco dias de diferença, os adversários são diferentes e é necessário utilizar praticamente todo o plantel. Os atletas têm de dar esse passo em frente para demonstrar que são opções para o selecionador”, […]

Seria um crime não assumir que Portugal tem condições para ser campeão
Seria um crime não assumir que Portugal tem condições para ser campeão



“Eu vivi três fases finais de Campeonatos do Mundo e, muitas vezes, é preciso fazer gestão. Os jogos têm três, quatro ou cinco dias de diferença, os adversários são diferentes e é necessário utilizar praticamente todo o plantel. Os atletas têm de dar esse passo em frente para demonstrar que são opções para o selecionador”, observou à agência Lusa o ex-guarda-redes, de 43 anos e com 16 internacionalizações, de 2009 a 2018.

Portugal e Estados Unidos defrontam-se na terça-feira, às 19:07 locais (00:07 do dia seguinte em Lisboa), no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, onde os lusos vão realizar a 700.ª partida da sua história, três dias depois do empate no México (0-0), assinalado pela reabertura do Estádio Azteca.

“A avaliação é sempre feita de forma coletiva, mas estes testes são muito individuais e acredito que [o técnico] Roberto Martínez tenha analisado num contexto quase de Campeonato do Mundo a capacidade dos jogadores que não têm tantos minutos na seleção. Alguns deles provavelmente não vão estar na fase final, porque não há espaço para toda a gente e Portugal tem um leque de 40/45 futebolistas capazes e com qualidade”, notou Beto, convocado para as edições de 2010, 2014, na qual atuou duas vezes, e 2018.

O ex-internacional aceita que os lusos, detentores do troféu da Liga das Nações, se tenham ressentido no último embate da ausência de algumas figuras – incluindo o avançado e capitão Cristiano Ronaldo -, do pouco entrosamento entre atletas regressados à seleção, dos efeitos de alinhar a 2.240 metros de altitude na Cidade do México e do contexto do adversário.

“As condições não eram fáceis e existiram várias nuances a influenciar a exibição, que não foi a melhor. Depois, ainda há muito por se decidir nos campeonatos nacionais e nas provas europeias [de clubes], viagens e cansaço. Independentemente de os jogadores estarem a 100%, acredito que haja uma pequena parte psicológica que determina que, se calhar, eles não vão com tudo a abordar alguns lances. É inconsciente”, enquadrou.

À espera que Portugal “faça sempre algo de diferente e se superiorize aos adversários”, em função da cotação internacional e das opções ao dispor, Beto prevê “grande rotatividade” para o duelo nos Estados Unidos, que se vai disputar num estádio com teto fechado, a exemplo do que acontecerá nas duas primeiras partidas dos lusos em Houston na fase final do torneio.

“A altitude influencia mais [o desempenho dos atletas]. Importa adaptarem-se ao ambiente no estádio e ao público, que puxará pela seleção da casa. Em teoria, os Estados Unidos não estão ao nível de Portugal, mas podem colocar-se em termos físicos e de motivação. Muitas vezes, esses detalhes fazem a diferença num Mundial perante margens de erro pequenas”, advertiu.

Vencedor da Liga das Nações em 2019, o antigo guarda-redes foi titular em dois empates dos lusos frente aos norte-americanos, na segunda jornada do Grupo G do Mundial2014 (2-2), no Brasil, e num encontro particular de preparação para a edição de 2018 (1-1), em novembro de 2017, em Leiria.

“Temos de nos agarrar muito ao que aconteceu no Euro2016. Com todas as circunstâncias e imponderáveis naquela final, Portugal mostrou frente à França um desejo enorme de ser campeão da Europa. Obviamente, existe técnica, tática, talento, qualidade e mentalidade, mas uma equipa desejar [a vitória] com todas as forças e em coletivo pode fazer com que Portugal dê um passo em frente e atinja a melhor classificação de sempre”, reiterou.

Os particulares com México e Estados Unidos marcam o derradeiro estágio antes da divulgação dos convocados para a 23.ª edição do Campeonato do Mundo, que se realiza de 11 de junho a 19 de julho e contará pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

Qualificado pela nona vez, e sétima seguida, para a fase final da principal prova internacional de seleções, Portugal está integrado no Grupo K e vai defrontar a Colômbia, o Uzbequistão e o vencedor do primeiro caminho do play-off intercontinental, cuja final se realiza na terça-feira entre Jamaica e República Democrática do Congo, tendo como melhor resultado o terceiro lugar em 1966.

“Portugal tem dos melhores jogadores e seria uma contradição e um crime não assumir que tem condições para ser campeão do mundo. Agora, há diversas circunstâncias e seleções a querer o mesmo e a igualar-nos no talento. Se Portugal se destacar no desejo, na vontade e na crença, acredito que pode chegar mesmo muito longe e fazer história”, afiançou.



Fonte: Notícias ao Minuto

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