
Diogo, Eva e Ariana, estes são os três nomes de que todos falam. São os protagonistas de um triângulo amoroso na presente edição do “Secret Story”, na TVI, que virou tema nacional. A relação tem estado em torno de grande polémica. Diogo e Eva eram até há uns dias perfeitos desconhecidos para os colegas na casa, embora, na verdade, tivessem uma relação há cinco anos. Contudo, para esconder o segredo, Diogo aproximou-se de Ariana com o suposto consentimento de Eva e tudo em nome do jogo. As atitudes mais passivas de Eva e um desequilíbrio de poder por parte de Diogo podem denotar aqui um tipo de abuso que pode ser identificado como gaslighting.
“Se observarmos a dinâmica com atenção, identificamos, sim, alguns sinais que podem ser compatíveis com o gaslighting. Quando uma das partes desvaloriza sistematicamente as emoções da outra, nega acontecimentos evidentes ou sugere que a pessoa está a exagerar ou a imaginar coisas, estamos perante indicadores que devem ser olhados com cautela”, faz sobressair a psicóloga Cátia Silva ao Lifestyle ao Minuto.
Estamos perante uma situação de gaslighting? O que significa?
Este tipo de abuso pode instalar-se de forma silenciosa e não dar sinais evidentes a quem está envolvido e dentro da relação. “A passividade observada não deve ser interpretada de forma simplista como indiferença ou aceitação. Em contextos relacionais marcados por tensão ou desequilíbrio de poder, o silêncio pode surgir como uma resposta adaptativa, uma forma de autoproteção perante um ambiente emocionalmente exigente. O risco surge quando este padrão se prolonga”, continua a psicóloga.
No caso, Diogo e Eva tinham uma relação que já durava há cinco anos. A especialista considera que uma situação deste tipo só tende a agravar-se ao longo do tempo e que poderá afetar não apenas naquele momento, mas também futuros relacionamentos.
“A longo prazo, este tipo de dinâmica fragiliza a confiança, elemento primordial em qualquer relação saudável, e pode comprometer não apenas a relação atual, mas também a forma como a pessoa se posiciona em relações futuras.”
Durante vários dias, a passividade de Eva ao ver os comportamentos que o namorado tinha para com Ariana acabaram por ser bastante comentados. Segundo o casal, existia uma lista com o que seria permitido ao Diogo fazer, tudo para proteger o segredo e desviar atenções dos colegas. Eva nunca revelou que os limites tinham sido quebrados. Contudo, esta definição de limites pode ter muito que se lhe diga.
“A definição de limites e acordos pode ser saudável numa relação, desde que exista equilíbrio de poder e liberdade real de escolha entre ambas as partes. O problema surge quando uma das pessoas aceita determinadas condições por medo, pressão ou receio de perda da relação.” Assim, poderá acabar por existir um controlo por parte de um dos elementos o que leva a uma relação pouco saudável.
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“O que aparenta ser consentimento pode, na realidade, traduzir uma adaptação a um contexto percebido como ameaçador. O consentimento genuíno implica a possibilidade de dizer ‘não’ sem consequências negativas para a relação. Quando essa liberdade não está presente, os acordos deixam de ser instrumentos de equilíbrio e passam a funcionar como formas de controlo.”
Os perigos do reality, como foi visto para os colegas e a preceção para o exterior
Apesar de parecer algo óbvio, e muito também pelo o que se tem comentado, a psicóloga deixa o alerta que se trata de um programa televisivo. “Num contexto de reality show, é essencial recordar que estamos a observar apenas excertos editados da realidade, o que permite levantar hipóteses sobre padrões relacionais, mas não tirar conclusões definitivas”, continua.
Entretanto, nestes últimos dias, o segredo de Eva acabou por ser descoberto e muitos dos colegas acabaram por questionar o facto de não ter feito ou dito nada quando via o namorado numa constante aproximação a Ariana. Dentro da casa, sem o recurso a imagens que mais tarde foram mostradas, muitos não viram Eva como uma vítima desta situação.
“Culpabilizar quem está numa dinâmica difícil por ‘ter permitido’, é um erro frequente e injusto. Dinâmicas desta natureza são complexas e envolvem fatores emocionais, cognitivos e relacionais profundos. A negação e a minimização são mecanismos de defesa comuns. Permitem à pessoa manter alguma estabilidade emocional, quando confrontada com uma realidade que pode ser difícil de integrar.”
Acaba por ser importante perceber que existem vários fatores a ter em conta e que não se tratou de um simples ignorar de toda a situação que estava a ser vivida. “Quando existe um investimento significativo na relação, reconhecer que esta pode ser prejudicial implica uma rutura interna exigente. Não se trata de falta de consciência ou de força, mas sim de um processo psicológico gradual”, explica Cátia Silva.
No exterior, Diogo acabou muitas vezes por ser visto como uma espécie do ‘mau da fita’, situação que acabou por não se verificar no interior da casa e aos olhos dos restantes colegas do “Secret Story”.
“Em dinâmicas de manipulação, é comum que a pessoa que exerce controlo apresente uma imagem social ajustada ou até positiva. Comportamentos mais problemáticos podem ocorrer de forma mais discreta, no contexto privado da relação. Quem está de fora, tem acesso limitado à totalidade da dinâmica, o que dificulta a identificação de padrões consistentes.”
Como também o acesso a imagens e a toda a informação era reduzido por parte dos colegas e ao ver Eva a agir passivamente ao que se ia passar, acabou por ser expectável este tipo de leitura a quem estava dentro da casa.
“Quando a própria pessoa envolvida tende a minimizar ou a justificar determinadas situações, isso pode contribuir, ainda que involuntariamente, para a manutenção dessa imagem pública. Sem acesso ao padrão completo, a leitura externa tende a ser parcial.”
A reação geral na casa acabou por não ser a mais correta e a adequada neste tipo de casos. “Abordagens mais confrontativas ou críticas, como ‘como deixaste isto acontecer’ ou ‘Tens de sair já dessa relação’, tendem a ser contraproducentes, isto porque podem levar a pessoa a fechar-se, a defender o parceiro ou a afastar-se de quem tenta ajudar. A mudança exige tempo e deve partir da própria pessoa. O papel de quem está de fora passa por manter disponibilidade e consistência no apoio.”
Desta forma, poderia ter havido um outro tipo de reação, sem tanto julgamento e mais sentimento de presença. O apoio deve basear-se, antes de mais, na presença e na ausência de julgamento. Frases como ‘estou aqui para ti’ ou ‘preocupo-me contigo’ permitem manter a ligação e criar um espaço seguro. Validar a experiência emocional, como dizer por exemplo, ‘faz sentido estares confusa’, é essencial para que a pessoa se sinta compreendida.
A relação acabou por terminar, com Diogo a colocar um ponto final. É uma situação que acontece neste tipo de dinâmicas e relações. “Em relações com padrões de manipulação, é comum a existência de ciclos de tensão, rutura e reconciliação, o isolamento emocional ou social, pode reduzir a capacidade de ganhar perspetiva e de tomar decisões autónomas, sobretudo em contextos fechados como o de um reality show.”
E como fica Ariana no meio de tudo isto?
A psicóloga Cátia Silva deixou ainda um alerta para o terceiro elemento deste triângulo, tudo para que não venha a ter comportamentos semelhantes e consiga distanciar-se de forma saudável.
“A terceira pessoa, numa dinâmica deste tipo, ocupa frequentemente uma posição emocionalmente exigente. Dependendo do grau de consciência que tinha da situação, pode experienciar sentimentos de culpa, confusão ou perceção de instrumentalização. É também frequente que, parte da frustração e da responsabilização, seja direcionada para esta figura.”
Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, a Melanie Eichhorn, sexóloga da Satisfyer, ajudou a esclarecer a questão. Conta que se trata de um mito e que os brinquedos podem acabar por ser uma ótima ajuda na relação.
Adriano Guerreiro | 17:02 – 22/02/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
