Se eu não avançasse, os próximos 4 anos seriam uma ditadura no Sporting

É já no próximo sábado, dia 14 de março, que os sócios do Sporting serão chamados a votar no homem que querem que lidere os destinos do clube ao longo dos quatro próximos anos. A votos, irão apresentar-se apenas dois candidatos. São eles o atual presidente, Frederico Varandas, e a agora voz da oposição, Bruno […]

Se eu não avançasse, os próximos 4 anos seriam uma ditadura no Sporting
Se eu não avançasse, os próximos 4 anos seriam uma ditadura no Sporting


É já no próximo sábado, dia 14 de março, que os sócios do Sporting serão chamados a votar no homem que querem que lidere os destinos do clube ao longo dos quatro próximos anos. A votos, irão apresentar-se apenas dois candidatos. São eles o atual presidente, Frederico Varandas, e a agora voz da oposição, Bruno Sá.

Numa extensa entrevista concedida ao Desporto ao Minuto, o empresário enumera os motivos que o levaram a candidatar-se ao cargo de presidente do clube de Alvalade, numa altura em que este passa por um dos melhores períodos da história, nomeadamente, na sequência dos dois títulos de campeão nacional conquistados nas duas últimas temporadas, algo que há muito não se via.

O proprietário do famoso restaurante ‘O Cantinho do Sá’ indica vários pontos nos quais, acredita, o atual líder máximo tem vindo a pecar, desde o plano financeiro ao desportivo (modalidades incluídas), sem esquecer a relação com os Grupos Organizados de Adeptos, que tanto tem vindo a dar que falar.

O ciclo que trouxe grande estabilidade e sucesso nos últimos anos, promovido pelo projeto implementado pelo Ruben Amorim, está a chegar ao fim

Quais as principais razões que o levam a candidatar-se à presidência do Sporting?

Candidato-me à presidência do Sporting porque tenho uma visão diferente relativamente ao modelo de clube que a atual direção está a seguir e porque considero importantíssimo que o Sporting seja um clube democrático. Obviamente temos tido vitórias e títulos, mas o Sporting não pode caminhar para um modelo de clube de clientes. O Sporting é, antes de tudo, e sempre, um clube de sócios. Com transparência, paixão, proximidade e frontalidade.

Ao mesmo tempo, sinto que estamos a aproximar-nos de um momento importante do ponto de vista desportivo. O ciclo que trouxe grande estabilidade e sucesso nos últimos anos, promovido pelo projeto implementado pelo Ruben Amorim, está a chegar ao fim, e os indicadores sobre o que aí vem, na minha opinião, não são bons. É precisamente nesses momentos que os clubes precisam de liderança, visão e capacidade de antecipação. Não me parece que seja o que está a acontecer no Sporting.

Falo diariamente com muitos sportinguistas que acompanham o clube de forma muito próxima e que sentem que algumas questões estruturais estão a passar despercebidas porque o resultado desportivo, naturalmente, acaba por dominar a atenção. A minha candidatura nasce precisamente daí: da vontade de representar esses sócios que não se reveem neste modelo e alertar os que, de momento, não vêm além do resultado do jogo.

Esta é, de resto, uma candidatura muito importante pois é o garante da democracia no Sporting. Não só agora, no período eleitoral, mas nos quatro anos que se seguem. Se não vencer estas eleições, acredito numa votação forte que me permita ser a voz dos sócios nos próximos quatro anos. Sei que a atual direção não viu com bons olhos a minha candidatura, e o motivo é precisamente esse: não queriam escrutínio nos próximos quatro anos e sabem que se tiver uma votação forte, que está cada vez mais próxima, comigo, é isso que irá acontecer. Vão ter de ter muito mais transparência. Vão ter de prestar contas e dar explicações. De uma coisa os sócios podem ter a certeza: o voto na minha candidatura é o garante de democracia nos próximos quatro anos.

Considera que a atual direção do Sporting não tem feito o melhor pelo clube?

Eu não colocaria a questão dessa forma. Estou convencido de que a direção liderada por Frederico Varandas faz aquilo que entende ser o melhor para o Sporting. A diferença é que a minha visão sobre o que é melhor para o clube é diferente. O Sporting sempre foi um clube de sócios, construído por gerações de sportinguistas que sempre foram o motor do clube. E aquilo que sinto hoje, ao falar com muitos sócios, é que essa ligação está a enfraquecer. Podemos ganhar – e todos ficamos felizes quando o Sporting ganha – mas o Sporting não pode vencer sem os seus sócios fazerem parte disso. Quando há dificuldades para os sócios acederem a bilhetes, quando o site não funciona, quando há decisões pouco claras, quando o sócios não são ouvidos, quando temos um estádio sem qualquer emoção, isso deve preocupar-nos a todos.

Ao mesmo tempo, acredito que o Sporting precisa de ter um projeto desportivo definido pelo clube, estável e consistente, que não dependa apenas das circunstâncias ou de um treinador específico. Os treinadores são fundamentais, mas devem integrar um projeto do clube e não ser eles próprios o projeto. É por isso que avanço com esta candidatura: para reforçar a ligação do Sporting aos seus sócios e para garantir que o clube tem uma visão sólida e consistente para o futuro.

O que precisa de ser mudado no Sporting?

Essencialmente dar resposta a estas questões que levanto. Em primeiro lugar, voltar a colocar os sócios no centro do clube. O Sporting foi construído por gerações de sócios e hoje muitos sentem que estão mais afastados. Tenho encontrado sócios que pagaram quotas durante décadas e que hoje, de forma sistemática, não conseguem sequer comprar bilhete para ir ao estádio. Isso não pode acontecer num clube como o Sporting.

Quero um estádio cheio de sportinguistas, vibrante, onde os sócios sintam que fazem parte do clube. Vamos rever os critérios de acesso a bilhetes, melhorar as plataformas do clube e garantir que os Núcleos voltam a ter a importância que sempre tiveram na vida do Sporting. Além disso, vou fazer alterações profundas na relação de transparência e participação com os sócios. As Assembleias Gerais têm de voltar a ser momentos vivos do clube, onde os sócios são escutados e respeitados. Defendo também mais mecanismos de participação, incluindo um Provedor do Sócio e maior clareza nas decisões estratégicas do clube.

E, como já disse, definir um projeto desportivo claro e estável, definido pelo clube e pensado a longo prazo. Os treinadores são fundamentais, mas devem encaixar num projeto que garanta identidade, continuidade e sucesso sustentado. Estou convicto de que é possível continuar a ganhar, e até ganhar mais, mas com um Sporting onde os sócios se sintam novamente parte essencial do clube.

Vamos reforçar o departamento de scouting, com um foco claro na identificação de jovens talentos com potencial desportivo e financeiro, valorizando também o jogador português para preservar a identidade histórica do Sporting. A formação continuará a ser um pilar essencial, mas com um reforço claro da cultura de vitória, de exigência e de ambição que sempre caracterizou o clube. Queremos jogadores formados no Sporting que estejam preparados para ganhar. Ao mesmo tempo, é fundamental que o Sporting tenha um modelo bem definido, desde a formação até à equipa principal, com identidade, princípios de jogo e uma estratégia clara de desenvolvimento de jogadores.

Será também feita uma revisão profunda da Unidade de Performance do clube, uma área que é determinante para prevenir lesões e maximizar o rendimento dos atletas. Foi uma bandeira eleitoral de Frederico Varandas mas, claramente, não está a funcionar. O Sporting tem de investir seriamente nesta estrutura, reforçando meios e competências, para garantir que os nossos jogadores têm as melhores condições físicas ao longo da época.

O que pensa ter sido bem feito por Frederico Varandas durante os mandatos?

Contratar Ruben Amorim e entregar-lhe ‘as chaves do clube’. A questão é que essa decisão não nasceu de uma estratégia desportiva clara, mas sim de um momento de grande desespero. Basta recordar o contexto que o Sporting Clube de Portugal vivia na altura: sucessivas experiências ao nível de treinadores, contratações falhadas e uma enorme instabilidade desportiva. O clube atravessava um período muito difícil e a contestação era evidente. Nesse contexto surge Ruben Amorim, um treinador em ascensão, com um início de carreira muito promissor. Recordemo-nos que no mês anterior à sua contratação: em cinco jogos frente aos grandes, venceu os cinco. Dez milhões de euros para a última cartada foi muito? Não parece que esse tenha sido um problema quando a alternativa era a porta de saída do clube. Ruben chegou, perguntou ‘E se corre bem?’. E correu.

O problema é que, a partir daí, o projeto desportivo do clube ficou demasiado dependente do treinador. Ruben Amorim acabou por assumir um peso enorme em praticamente todas as áreas do futebol do Sporting e não acredito que um clube como o Sporting deva funcionar assim. Os treinadores são fundamentais, mas o projeto desportivo tem de ser definido pelo clube e pela sua estrutura. Caso contrário, quando o treinador sai, o clube arrisca-se a perder também a direção do projeto. E os sinais que temos é que o Sporting caminha nesse sentido.

Se for eleito presidente do Sporting, o que digo é que me irei sentar com Rui Borges para analisar o presente e tomar uma decisão em relação ao seu futuro no clube

Considera que Rui Borges é o treinador certo para estar à frente do Sporting?

Já disse publicamente, ainda antes de ser candidato, que, no momento da escolha, Rui Borges não seria a minha opção para o Sporting, porque não me parecia enquadrar-se no projeto desportivo que existia até então. Mas a pessoa que o contratou não foi a mesma que definiu esse projeto desportivo. E esse é, para mim, o grande problema. Neste altura continuo sem perceber qual é o projeto desportivo do Sporting, quem o lidera e qual é a visão para o período que se segue ao ciclo de Ruben Amorim.

Não vejo o apoio necessário ao treinador para poder implementar o seu modelo de jogo, que é diferente daquele que vinha sendo seguido por Ruben Amorim. Fala-se muito na saída de jogadores que eram a espinha dorsal do projeto Amorim, mas vê-se pouco planeamento em relação ao que deve ser o futuro. Da minha parte, aproveito para esclarecer aquilo que sempre disse: se for eleito presidente do Sporting, o que digo é que me irei sentar com Rui Borges para analisar o presente e tomar uma decisão em relação ao seu futuro no clube. Neste momento, o que desejo é que a equipa tenha estabilidade e sucesso.

Tendo em conta que Rui Borges ainda não renovou, tentaria um regresso de Ruben Amorim ao Sporting?

Não. O ciclo de Ruben Amorim no Sporting Clube de Portugal já terminou. Estou naturalmente muito grato pelos títulos e pelo trabalho que fez no clube, que ficará sempre marcado na nossa história. Mas o Sporting tem de saber fechar ciclos e olhar para o futuro. Um clube da dimensão do Sporting não pode ficar dependente de um treinador, por mais competente que ele seja. O que o Sporting precisa é de um projeto desportivo sólido, estável e pensado a longo prazo.

O voto na minha candidatura é, acima de tudo, um voto na democracia do Sporting

Já referiu que seria “tarde” se apenas se candidatasse à presidência do Sporting em 2030. A que é que se refere?

Porque o Sporting Clube de Portugal tem de ser um clube verdadeiramente democrático. Se eu não avançasse com esta candidatura, o que teríamos neste período eleitoral e, principalmente, nos próximos quatro anos, seria uma ditadura no clube. E penso que nenhum sportinguista quer isso. O voto na minha candidatura é, acima de tudo, um voto na democracia do Sporting. Mesmo para quem possa achar difícil vencer estas eleições, uma votação forte na minha candidatura será uma garantia de que haverá escrutínio, exigência e defesa dos sócios nos próximos quatro anos. É por isso que espero uma votação maciça na minha candidatura, no próximo sábado. Não fiquem em casa, pois todos os votos contam.

O lado financeiro do clube/SAD preocupa-o?

Preocupa-me porque há sinais que não podem ser ignorados. Nos últimos dois anos assistimos a um aumento significativo do passivo. Ao mesmo tempo, houve um crescimento anormal da dívida a fornecedores, quando o que existia na altura foi fortemente criticado. Depois tivemos a contração de dívida obrigacionista de cerca de 225 milhões de euros, com juros de 5,5% ao ano, essencialmente para fazer face a necessidades de curto prazo. Isto não é sustentável a médio prazo e levanta naturalmente preocupações.

A isto junta-se ainda a falta de informação clara relativamente ao financiamento utilizado para a compra da sociedade detentora do Alvaláxia e às dívidas que essa empresa poderá ter. Os sócios do Sporting têm o direito de saber exatamente quais são os compromissos financeiros que o clube está a assumir. O Sporting precisa de transparência, rigor e planeamento financeiro sério. Um clube desta dimensão não pode viver na opacidade quando se trata das suas contas.

O presidente do Sporting tem de ser o presidente de todos os sócios e adeptos, não apenas de alguns

No que diz respeito às claques do Sporting, quais as razões para querer uma “reunião imediata”?

Acho que é perceptível. As relações com as claques não podem ficar assim. Isto revela uma falta de liderança brutal. O presidente do Sporting tem de ser o presidente de todos os sócios e adeptos, não apenas de alguns. Se existem problemas e divergências, cabe a um verdadeiro líder encontrar soluções e resolvê-los. Se tiver uma divergência com um filho seu, vai expulsá-lo de casa ou vai tentar resolver? Parece-me óbvio.

Qual é o papel que atribui aos GOAs no Sporting, se for eleito presidente do clube?

Alguém sabe a resposta se perguntarem, por exemplo, aos capitães das modalidades se preferem jogar com ou sem claques? Eu sei. Estamos sempre mais perto de ganhar quando a família está unida, com o estádio a vibrar e o apoio do início ao fim. É isso que quero garantir.

Como analisa a relação entre a atual direção e os GOAs?

Qual relação? Não há relação. Temos um líder que teve uma divergência com uma determinada franja de sócios e adeptos e, premeditadamente ou por falta de capacidade, não resolve. Isto não acontece em família, e o Sporting tem de ser uma família. Um verdadeiro líder tem de saber resolver estes problemas.

Ao querer estreitar a ligação entre o clube e os adeptos/sócios deixa implícito que essa é uma falha da direção de Frederico Varandas. O que procura fazer de diferente na relação com a massa associativa, que não tem sido feito?

Penso que já respondi a essa questão. Quem ler esta entrevista e o meu programa percebe que a diferença de projeto nesta matéria é gritante. Diria mesmo que essa é a nossa principal diferença, e tenho um enorme orgulho nisso. Orgulho de estar neste espírito de missão, sobretudo por querer voltar a tratar bem os sócios e fazê-los sentir-se novamente parte do clube. E isso é tão, mas tão possível.

Quais são as queixas que mais tem ouvido por parte dos sportinguistas durante as ações de campanha?

Tenho ouvido de tudo um pouco. Também já abordei essa questão. Tenho constado que há mais sócios do que eu pensava atentos às questões estruturais de fundo do clube e não se reveem no caminho que o Sporting está a trilhar. Mas depois ouço muitas vezes: “Mas ganha…” Pois ganha, por enquanto, e quanto a isso, só pode ganhar quem lá está. Eu tenho a convicção de que vou ganhar mais, mas as pessoas vão andar mais felizes e sentirem que fazem parte do clube.

Estive em mais do que um Núcleo onde me disseram que o Frederico Varandas não aparece desde que era candidato. Soube apresentar a candidatura, mas, na condição de presidente, esqueceu-se. Comigo isso nunca vai acontecer. Sócios com mais de 40 anos de antiguidade não conseguem comprar bilhetes. Sentem-se abandonados, não lhes atendem o telefone, não se sentem envolvidos. Muitos não gostam do ambiente do Estádio nem do Pavilhão. Disseram-me mesmo “não me tiraram o amor, mas tiraram-me a paixão”. Sentem que não têm quaisquer direitos e, pior, que são ultrapassados pelos clientes. É muito mau!

Numa das 20 medidas imediatas que constam no programa, aponta para a necessidade de “analisar e rever o modelo de formação centrado no jogador”. Considera que é preciso fazer alguma reformulação no que diz respeito à formação do Sporting?

Obviamente. Em vários aspetos. Este modelo de formação centrado no jogador está a afastar jovens talentos do nosso clube. Falo com muitos pais, e o facto de os jogadores estarem constantemente a jogar com atletas dois anos mais velhos faz com que percam motivação e não cresçam num ambiente de cultura de vitória. A longo prazo, isto trará efeitos colaterais para o Sporting. E a verdade é que cada vez vemos menos jovens singrar na equipa principal. Isto também tem que ver com o projeto desportivo. Desde que o Amorim saiu, o que tem acontecido? Tínhamos o Travassos, mas fomos buscar o Vagianidis, mesmo já tendo o Fresneda. Parece haver receio de apostar com mais afinco em alguns jovens.

Depois, temos de olhar para as condições que damos aos nossos jovens. Os sub-16 treinam em meio campo. No Sporting. Sim, no Sporting. Perdemos toda a influência que tínhamos no pólo EUL para o nosso rival Benfica, que era uma das nossas principais bases da formação. O Benfica entrou ali e hoje tem o dobro de nós, com tudo o que isso implica na abordagem e aliciamento aos nossos jogadores e isso já está a acontecer. Também não vai correr bem!

O que é que quer dizer quando refere que é necessário acabar com a “cultura do medo e castigo”?

Hoje em dia, há uma enorme pressão sobre quem tem uma opinião contrária à direção atual. Eu próprio senti isso na pele. Sei que houve quem recebesse mensagens para não me dar palco quando ainda nem sequer era candidato. Depois, muita gente tentou convencer-me a não avançar com esta candidatura. Já durante a campanha, têm existido inúmeras manobras de bastidores que tenho denunciado. A opinião construtiva deve ser bem aceite. O Sporting não é uma ditadura.

Para dar um exemplo do que falo: nos meus sete anos à frente do restaurante, as únicas vezes em que recebi a visita da polícia foi depois ter escrito artigos de opinião sobre o Sporting. É este tipo de ambiente que temos de mudar. A atual direção não viu com bons olhos a minha candidatura, não por medo de perder, porque estão muito certos de que vão ganhar. Não fazem campanha e, pior, apresentam aos sócios um programa feito às três pancadas e mal formatado. Isto é uma falta de respeito para com os sócios. O que nos estão a transmitir é que podem dar-nos qualquer coisa e nós aceitamos tudo. Dá a ideia de que julgam que, se fossem folhas em branco, teriam, na mesma, o voto dos sportinguistas. Isto é um péssimo exemplo e um verdadeiro atestado de estupidez.

Mas, como digo, o grande motivo pelo qual não gostaram que me candidatasse é porque sabem que, mesmo que não ganhe, se eu obtiver uma votação em massa, terão escrutínio durante quatro anos e não poderão fazer o que querem sem dar justificação aos sócios. A minha candidatura é o garante de haver democracia no Sporting.

Ainda sobre o programa apresentado, enuncia que irá “retomar a aposta no desporto feminino” e que vai ser criado um “gabinete de scouting para as modalidades”. Isto significa que a atual direção tem pecado nestes capítulos?

Inúmeras equipas femininas foram extintas e muitas por falta de interesse em tentar apoiar mais. Estamos a falar de apoios residuais para a realidade do Sporting. E isso vai ao encontro de outra questão que quero resolver e que está no meu programa: aumentar e qualificar ainda mais o Departamento Comercial do Sporting, transversal a todas as modalidades. Nas modalidades, parece não haver vontade de dar o salto. O Miguel Afonso tem feito um bom trabalho, mas o Presidente do Sporting não se pode autoaumentar seis vezes e depois discutir 100/200€ na renovação de um jogador importante para o clube. Não podemos ter jogadores que gostam do Sporting, têm qualidade extraordinária e querem vir para cá por muito menos do que outros clubes oferecem, nomeadamente o Benfica, e o Sporting nem sequer atender o telefone a quem os representa.

No andebol, jogamos de igual para igual com as melhores equipas da Europa. Era muito fácil dar o salto, mas o atual presidente parece que não quer. No ano passado, quando falhámos por pouco o acesso à Final Four da Liga dos Campeões, houve um aplauso unânime pelo fantástico jogo e pela grande campanha da equipa, mas quando olharam para a tribuna, o presidente já tinha saído. O presidente deve ser próximo, o primeiro a liderar pelo exemplo, e não é o que acontece. No futsal, há a ideia de que basta ter o Nuno Dias e está ganho. Mas o Nuno não é mágico, é treinador. Já o disse uma vez e repito: o Frederico Varandas é presidente da SAD; eu quero ser presidente do clube e da SAD. Essa é outra grande diferença entre nós.

Está confiante de que vai conseguir um bom resultado nestas eleições?

Depende do que considerarmos ser um bom resultado. Os sócios são soberanos e decidirão, mas não me canso de dizer que, não ganhando, sou a garantia de democracia e escrutínio à atual direção. Se conseguir um resultado que me dê essa legitimidade para dar voz aos sócios durante os próximos quatro anos, estaremos a garantir a democracia no Sporting.

Acredita que é difícil superar Frederico Varandas tendo em conta o sucesso do clube nos últimos anos?

Tenho a certeza. Vejamos: estamos a falar de algo muito emotivo e irracional, como é o desporto. Enquanto a bola continuar a entrar, mesmo que seja seis ou sete vezes seguidas, nos descontos, parece que está tudo bem. Mas eu vejo que não está, e é por isso que venho alterar isso. Nestas eleições, votar em mim não é apenas escolher um candidato, é garantir democracia e escrutínio durante os próximos quatro anos. Quem sente, vive e conhece realmente o clube vai votar consciente de que este voto vai proteger os sócios e obrigar a direção a prestar contas.

Não tenham dúvidas: o voto na minha candidatura é garantir que os interesses do Sporting estarão sempre em primeiro lugar. É isso que define estas eleições. Como digo, os sócios decidem e eu estou convicto de que vão escolher um caminho com democracia e escrutínio.

Com nove jornadas por disputar até ao fecho do campeonato português, os azuis e brancos seguem na liderança da classificação, com leões e águias à espera de um deslize portista.

Rodrigo Querido | 07:35 – 09/03/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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