Sarampo. Alerta no país? “Sinal de vigilância, não surto descontrolado”

Desde o início do ano que foram registados nove casos de sarampo em Portugal. O anúncio foi feito pela Direção-Geral da Saúde. Num país em que a vacina faz parte do Programa Nacional de Vacinação, será que existe motivo de alerta? Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Pedro Simas, virologista, diretor do Centro de Investigação […]

Sarampo. Alerta no país? “Sinal de vigilância, não surto descontrolado”
Sarampo. Alerta no país? “Sinal de vigilância, não surto descontrolado”


Desde o início do ano que foram registados nove casos de sarampo em Portugal. O anúncio foi feito pela Direção-Geral da Saúde. Num país em que a vacina faz parte do Programa Nacional de Vacinação, será que existe motivo de alerta?

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Pedro Simas, virologista, diretor do Centro de Investigação Biomédica e docente na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, explicou que este aumento de casos deve ser visto com alguma cautela.

“É um sinal para reforçar a vigilância, não de um surto fora de controlo. A maioria destes casos está ligada a pessoas não vacinadas ou a importação do estrangeiro
”, revelou o virologista.

O perito deixou também um conforto aos pais que possam estar preocupados com as recentes notícias. “Os pais que vacinaram os filhos podem estar tranquilos: mesmo que surja um caso na escola ou entre amigos, a criança vacinada está protegida.”

Leia abaixo a entrevista completa.
  Pedro Simas é virologista e diretor do Centro de Investigação Biomédica© Centro de Investigação Biomédica  
Como podemos definir o sarampo?

É uma doença infecciosa causada por um vírus, uma das mais contagiosas que existem.

Quais os sintomas e como é feita a transmissão?

Começa com febre alta, tosse, olhos vermelhos e manchas brancas na boca. Depois surgem manchas na pele, da cara para o corpo. Transmite-se pelo ar, através de gotículas respiratórias ao tossir ou espirrar. Basta estar na mesma sala pouco tempo depois de uma pessoa infetada ter passado por lá para se poder apanhar a infeção.

É sempre benigna?

Não. Na maioria dos casos é benigna, mas pode complicar-se com pneumonia bacteriana ou inflamação cerebral (muito rara), e em alguns casos ser fatal.
O risco está sempre ligado à falta de vacinaçãoExistem grupos mais vulneráveis?

Sim: bebés com menos de 12 meses (ainda não vacinados), grávidas, pessoas imunodeprimidas e, em geral, quem não está vacinado. O risco está sempre ligado à falta de vacinação, uma vez que quem tem o esquema completo está protegido. Por isso os infantários e escolas são locais típicos de contágio quando há crianças por vacinar em contacto próximo.

O sarampo só afeta crianças?

Não. Qualquer pessoa sem imunidade pode ser infetada, seja qual for a idade.

Quem já teve sarampo fica protegido para sempre?

Sim, a infecção natural dá imunidade duradoura, em princípio para toda a vida.

Leia Também: EUA. Governo retira recomendação de vacina tríplice viral para crianças

Como se previne? A vacina é eficaz?

A vacina VASPR (Vacina Antissarampo, Parotidite e Rubéola), também conhecida como tríplice viral, é segura, gratuita e está incluída no Programa Nacional de Vacinação em Portugal, com quase 97% de proteção após as duas doses: a primeira aos 12 meses, a segunda aos 5 anos. É a única forma fiável de prevenção e já salvou milhões de vidas em todo o mundo.

Os nove casos em Portugal deste ano são sinal de alerta?

É um sinal para reforçar a vigilância, não de um surto fora de controlo. A maioria destes casos está ligada a pessoas não vacinadas ou a importação do estrangeiro. A boa cobertura vacinal em Portugal continua a ser a nossa principal defesa. Por ser tão contagioso, o sarampo exige uma cobertura vacinal muito alta (pelo menos 95% da população) para impedir a circulação do vírus e proteger quem não pode ser vacinado. Os pais que vacinaram os filhos podem estar tranquilos: mesmo que surja um caso na escola ou entre amigos, a criança vacinada está protegida.

Que conselho deixaria a todos os pais?

O apelo aos pais é simples: vacinem os filhos, no sarampo e nas restantes doenças do Programa Nacional de Vacinação, incluindo a meningite bacteriana. São vacinas seguras, gratuitas e continuam a ser a forma mais eficaz de proteger as crianças e a comunidade.

EUA registam 2 mortes por sarampo, as primeiras na Pensilvânia em 35 anos

Duas pessoas morreram devido ao sarampo, na Pensilvânia. Estas duas mortes foram as primeiras no estado registadas nos últimos 35 anos – e as primeiras de 2026 nos Estados Unidos. Vítimas mortais não estavam vacinadas.

Notícias ao Minuto | 22:02 – 25/08/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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