
“Os riscos associados à IA devem ser levados muito a sério, mas uma desaceleração generalizada seria difícil de definir e quase impossível de implementar a nível global”, afirma o executivo, quando questionado sobre o tema.
“A melhor abordagem é a inovação responsável, apoiada por regras claras, transparência, normas de segurança e responsabilização por aplicações de alto risco” e a Europa “deve assumir um papel ativo no avanço desta abordagem, construindo as capacidades, a infraestrutura e a experiência necessárias para moldar a IA de acordo com os valores europeus”, defende Ivo Ivanov.
Questionado sobre um eventual abrandamento do desenvolvimento da inteligência artificial, o CEO da DE-CIX propõe outra linha.
Numa recente participação num podcast, Sam Altman, o cofundador e CEO da OpenAI, mostra que – em menos de um ano – mudou de opinião em relação a dois assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial.
Miguel Patinha Dias | 08:02 – 01/08/2026
“Em vez de recuar no desenvolvimento da IA, a Europa deve ajudar a garantir que a inovação e a responsabilização andam lado a lado”.
Para a DE-CIX, “isto significa disponibilizar a infraestrutura digital segura, resiliente e soberana, ajudando a criar as condições para que a inovação responsável em IA possa prosperar”, defende.
Para o CEO, “os governos têm um papel essencial no estabelecimento de salvaguardas, na definição de responsabilidades e na regulamentação de aplicações de IA de alto risco”.
No entanto, prossegue, “a intervenção deve ser dirigida, baseada na evidência e coordenada a nível internacional”.
Caso contrário, “a inovação pode simplesmente migrar para outras regiões, aumentando a dependência tecnológica da Europa”, avisa.
O diretor académico do Nova SBE Public Policy Institute considera, em entrevista à Lusa, que traduzir a adoção da inteligência artificial (IA) em ganhos de produtividade “é muitíssimo importante” e espera que os decisores prestem atenção às recomendações.
Lusa | 10:09 – 01/08/2026
A Europa “necessita tanto de uma regulamentação inteligente como de uma infraestrutura digital de classe mundial. A DE-CIX não decide quais os modelos de IA que devem ser desenvolvidos; o nosso papel é disponibilizar a conectividade segura, resiliente e transparente que permite às organizações controlar para onde os seus dados se movem e onde as cargas de trabalho de IA são processadas”, remata.
Questionado sobre o papel dos Açores na conectividade, o responsável salienta que estes “têm potencial para se tornarem muito mais do que um ponto intermédio geográfico no Atlântico”.
Com novos sistemas de cabos submarinos, como o Nuvem e o Atlantic CAM (Continente-Açores-Madeira), “as ilhas estão a reforçar a sua posição como uma porta de entrada digital estratégica entre a Europa, a América do Norte, a África e a América Latina”, salienta.
Isto “melhora a resiliência e a diversidade da conectividade transatlântica, ao mesmo tempo que cria novas oportunidades para a região”, adverte.
A União Europeia (UE) criou uma equipa, em conjunto com autoridades nacionais, para controlar as empresas de IA, no âmbito do Regulamento Europeu da Inteligência Artificial (‘AI Act’), que entra em vigor no domingo.
Lusa | 12:41 – 31/07/2026
No entanto, “os cabos por si só não criam um centro digital. Para gerar valor duradouro, necessitam de ser complementados por centros de dados, redes locais, energias renováveis, competências digitais e interligação neutra”, enfatiza o gestor.
Na DE-CIX, “vemos o nosso papel como o de ligar redes, fornecedores Cloud, empresas e plataformas de IA, ajudando a transformar a conectividade internacional num ecossistema digital regional próspero, em vez de simplesmente uma rota de trânsito”, conclui.
A DE-CIX é uma das maiores operadoras globais de pontos de troca de tráfego de internet (Internet Exchanges ou IXP), permitindo a interconexão direta entre redes, operadores e serviços de ‘cloud’.
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Fonte: Notícias ao Minuto
