
Numa altura em que os óculos inteligentes Meta Ray-Ban continuam a provocar críticas devido à forma como podem ser usados para filmar outras pessoas sem consentimento, um developer polaco decidiu criar uma app capaz de detetar estes gadgets.
Pawel Szydlowski, de 30 anos, desenvolveu uma aplicação gratuita para iPhones – de nome Zuckoff – que ajuda os utilizadores a saberem se há óculos Meta Ray-Ban nas imediações. Conta o site Business Insider que, um mês depois de ser lançada, esta app tem cerca de 5 mil utilizadores.
Para desenvolver esta app, Szydlowski adquiriu vários modelos dos óculos inteligentes e, depois de catalogar a “pegada” Bluetooth destes gadgets, programou software que permita aos utilizadores saberem o tipo de sinais sem fios que o telemóvel está a receber.
O líder do Instagram, Adam Mosseri, adiantou que serão removidos os vídeos gravados com óculos inteligentes que tenham em que as pessoas captadas não sabem que estão a ser filmadas.
Miguel Patinha Dias | 18:01 – 24/07/2026
“Se o identificador único coincidir e se o identificador do fabricante também coincidir, então temos uma combinação perfeita”, explicou Szydlowski. “Enquanto sociedade, temos pelo menos o direito de saber se alguém está a gravar”.
Como já referimos, a aplicação é gratuita mas, caso esteja disposto a pagar para usar a Zuckoff, poderá receber notificações em segundo plano.
Cinemas no Reino Unido consideram banir óculos da Meta
Depois de os óculos inteligentes da Meta terem sido banidos das salas de tribunal, parece que os gadgets também podem vir a ser proibidos nas salas de cinema do Reino Unido, adianta a SkyNews.
O motivo prende-se com a presença de câmaras nestes óculos inteligentes da Meta desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban e que, em teoria, podem permitir aos utilizadores gravar filmes inteiros.
Ainda que reconheça a utilidade destes gadgets em questões de acessibilidade – permitindo, por exemplo, terem legendas personalizadas – a Associação de Cinemas do Reino Unido (UKCA, na sigla em inglês) adianta que muitas das empresas que operam cinemas no território estão a considerar medidas para impedir a proliferação de filmes pirateados.
“Os operadores de salas de cinema estão conscientes da maior disponibilidade e uso de tecnologia wearable como óculos inteligentes de que como podem oferecer benefícios a quem tenha necessidades especiais”, pode ler-se no comunicado partilhado pelo UKCA. “Contudo, também estão conscientes das questões em relação a privacidade e filmes pirateados que surgem com o uso deste tipo de tecnologias nos cinemas e, como resultado, muitos estão a introduzir políticas que proíbem ou restringe o uso de óculos com câmaras nos seus estabelecimentos”.
As reclamações sobre os serviços digitais (Facebook, Instagram, Google e X) subiram 195% no segundo trimestre de 2026, consolidando o quarto trimestre consecutivo de aumento de reclamações, segundo a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM).
Lusa | 13:20 – 09/09/2026
Em reação, um porta-voz da Meta enviou um comunicado ao The Guardian onde apontou que os óculos inteligentes da empresa estão equipados com luzes que indicam quando algo está a ser fotografado ou filmado, notando que “naturalmente” há locais onde não devem ser gravados vídeos e onde as regras “devem ser aplicadas de forma consistente”.
Porém, a gigante tecnológica não acredita que os seus óculos tenham de ser banidos das salas de cinema.
“As pessoas usam os nossos óculos porque são úteis e lhes permitem manterem-se presentes no momento, seja a ouvir música, a terem traduções simultâneas ou chamadas com as mãos livres”, pode ler-se neste comunicado. “Também oferecem uma tecnologia essencial para pessoas cegas ou com baixo nível de visão e limitar o uso desta tecnologia seria um grande retrocesso”.
Fonte: Notícias ao Minuto
