Quem tem mais asma do que eu?

“Existem diferentes respostas a esta pergunta – podemos analisá-la em função do número global de pessoas com asma, da gravidade da doença ou do seu grau de controlo, apenas para citar algumas perspetivas. Uma coisa é certa: a resposta pode ser complexa, mas à luz dos conhecimentos científicos atuais, e da minha experiência como Pneumologista […]

Quem tem mais asma do que eu?
Quem tem mais asma do que eu?


“Existem diferentes respostas a esta pergunta – podemos analisá-la em função do número global de pessoas com asma, da gravidade da doença ou do seu grau de controlo, apenas para citar algumas perspetivas. Uma coisa é certa: a resposta pode ser complexa, mas à luz dos conhecimentos científicos atuais, e da minha experiência como Pneumologista e Especialista em Medicina do Sono, a resposta é clara e desvendada nos parágrafos seguintes.

Quando somos saudáveis, tomamos o processo de respirar como algo garantido, sem dar o devido valor ao facto dos nossos pulmões e restantes elementos do sistema respiratório serem essenciais para a vida. Contudo, essa não é a realidade de milhões de pessoas em todo o mundo. Nos últimos anos, devido à pandemia COVID-19 e às suas consequências na sociedade em geral, percebemos ainda mais a importância de cuidarmos da nossa saúde, com a mesma dedicação e compromisso que colocamos em outras áreas da nossa vida.

  © Vera Clérigo  

A asma é uma das doenças crónicas mais comuns em todo o mundo. Segundo dados da Global Initiative for Asthma e do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, afeta pelo menos 300 milhões de pessoas de todas as idades, das quais cerca de 700 mil em Portugal. Ainda assim, continua rodeada de mitos, desvalorização e, muitas vezes, de um controlo insuficiente.

A asma não é apenas, de uma forma simplista, “falta de ar”. Trata-se de uma doença inflamatória das vias respiratórias que pode também causar pieira, tosse, aperto no peito e dificuldade em respirar. Estes sintomas podem surgir de forma intermitente, o que leva muitas pessoas a subestimarem a sua gravidade. No entanto, mesmo quando os sintomas desaparecem, a inflamação pode persistir, tornando fundamental uma abordagem clínica continuada no tempo.

Um dos maiores desafios no controlo da asma é a adesão à terapêutica. Muitas pessoas recorrem apenas ao inalador de alívio rápido quando têm sintomas, ignorando a medicação preventiva que atua sobre a inflamação. Este é um erro comum, que aumenta o risco de crises e de agravamento da doença. Saber usar corretamente os dispositivos inalatórios é igualmente crucial – um gesto simples faz toda a diferença na eficácia do tratamento.

Outro aspeto frequentemente negligenciado é a identificação dos fatores desencadeantes. Alergénios respiratórios, poluição ambiental, tabagismo e infeções respiratórias são alguns dos principais responsáveis pelas exacerbações da asma. Conhecer e, sempre que possível, evitar e corrigir estes fatores é uma parte essencial do controlo da doença.

Neste Dia Mundial da Asma há boas notícias – a asma pode ser controlada; estamos no expoente máximo de avanços terapêuticos; e é possível ter uma vida sem limitações significativas. Para isso, é também primordial investir na literacia em saúde, promover o diagnóstico precoce e garantir o acesso a cuidados de saúde adequados. Respirar bem e melhor não deve ser um “luxo ocasional”, mas sim uma realidade ao alcance de todos!”

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Fonte: Notícias ao Minuto

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