
A final do Mundial2026, realizada no domingo e que coroou Espanha como a nova campeã do mundo, contou com uma ausência de peso na tribuna presidencial do MetLife Stadium, em Nova Jérsia. Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, boicotou o derradeiro jogo do Campeonato do Mundo em protesto contra a FIFA, adiantou o jornal The Times na segunda-feira.
De acordo com o mesmo jornal britânico, Ceferin ficou extremamente insatisfeito pelo facto do castigo de Folarin Balogun, avançado dos Estados Unidos, ter sido anulado depois de Donald Trump ter telefonado diretamente para Gianni Infantino.
O líder máximo da UEFA tinha intenção de marcar presença na grande final entre Espanha e Argentina, mudou de ideias depois de a FIFA ter revertido o cartão vermelho mostrado a Balogun, permitindo ao avançado norte-americano disputar os oitavos de final.
Aleksander Ceferin marcou presença no jogo de abertura do Mundial2026, a 11 de junho, entre México e África do Sul, mas a gestão do caso Balogun levou-o a não comparecer na final da competição, ao lado de Infantino. De resto, o comunicado da UEFA na altura em que o caso ‘rebentou’ foi bastante categórico, falando em “linhas vermelhas que foram ultrapassadas”.
“O futebol, tal como qualquer outra modalidade, assenta em regras que constituem a base de uma competição justa, honesta e transparente. Por vezes, essas regras estão abertas a interpretações. Neste caso, não. A suspensão automática mínima de um jogo após um cartão vermelho não é uma opção discricionária nem depende da decisão de qualquer órgão competente para entrar em vigor”, podia ler-se na reação da UEFA.
“Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por quem tem a responsabilidade de as fazer cumprir, a integridade do jogo fica em causa e a credibilidade de uma competição é posta em causa. Expressamos a nossa incredulidade perante uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável”, concluía o organismo que rege o futebol europeu.
No entanto, este não é o único ponto que parece estar a afastar FIFA e UEFA. Ainda antes do arranque do torneio, Ceferin criticou os “preços elevados” dos bilhetes para o Campeonato do Mundo, lamentando que vários adeptos seriam “afastados”.
O presidente da UEFA também criticou a FIFA pela situação ocorrida com o árbitro Omar Artan, que foi barrado ao chegar aos EUA, sendo obrigado a voltar para a Somália. Em resposta ao sucedido, o organismo europeu reagiu prontamente ao caso, anunciando, dois dias depois de ser deportado, que seria o árbitro nomeado para dirigir a final da Supertaça Europeia.
As diferenças entre FIFA e UEFA não ficam por aqui. O organismo europeu também não aprovou as alterações feitas pela FIFA nos jogos deste Mundial, tais como as pausas para hidratação – que permitem espaços publicitários nas transmissões televisivas -, intervalos prolongados para promover espetáculos, ou a ‘Lei Prestianni’ que permite aos árbitros punir os jogadores que cubram a boca para falar.
A ausência de Ceferin na final do Mundial2026 acaba por refletir o crescente afastamento entre FIFA e UEFA, cuja relação tem conhecido vários momentos de tensão nos últimos meses.
Portugal desceu do quinto para o sétimo lugar do ranking da FIFA, que foi divulgado hoje e passou a ser liderado pela Espanha, ao ultrapassar a Argentina, após a vitória sobre os sul-americanos na final do Mundial2026.
Lusa | 23:55 – 20/07/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
