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Tropa de Ludmilla dá um choque de realidade no Coachella em quem ainda ignora o alcance do funk e da artista

Celebrada por Beyoncé, cantora se consagra dentro e fora do Brasil com eletrizante show de música e dança no importante festival norte-americano. Ludmilla se apresenta no palco principal do festival Coachella no início da noite de ontem, 14 de abril, com show calcado no funk
Reprodução / X de Ludmilla
♪ OPINIÃO – Ludmilla fez jus à moral dada por Beyoncé no áudio ouvido na abertura do show apresentado pela artista fluminense no palco principal do festival Coachella, na Califórnia (EUA), no início da noite de domingo, 14 de abril.
“Do Rio, Brasil, para a Califórnia, direto para o Coachella. Senhoras e senhores, Ludmilla!”, anunciou uma orgulhosa Beyoncé, em inglês, fazendo as honras da casa para a colega brasileira. E Ludmilla honrou o acolhimento da antecessora norte-americana.
Aperitivo para a turnê Ludmilla in the house, que percorrerá o Brasil a partir de maio, o show de Ludmilla no Coachella 2024 foi eletrizante, consagrador. Poderia até ser dito que a apresentação de música e dança teve “padrão internacional” se a expressão não fosse injusta com os profissionais brasileiros, já que a própria Ludmilla fez shows pautados pela excelência técnica em festivais nacionais como o Rock in Rio 2022 e o The Town 2023.
Só que, sim, Ludmilla estava no palco internacional do Coachella, festival de visibilidade planetária, ao menos no mundo pop ocidental. E, uma vez em cena, a preta venceu, inclusive por ter cantado em português na maior parte do show.
A girl from Duque de Caxias até acenou para o mercado pop latino hispânico, cantando o recém-lançado merengue Piña colada (2024) com Ryan Castro. O roteiro também incluiu No se ve (2023), música gravada por Ludmilla com a cantora argentina Emilia Mernes, estrela do pop portenho.
Contudo, em essência, o show da primeira cantora negra, latino-americana e LGBTQIA+ a se apresentar no palco principal do Coachella foi calcado no funk made in Rio de Janeiro.
Com tropa formada por dançarinos negros, brasileiros e norte-americanos, presenças fundamentais para o brilho da cena, como atestado no medley de funk que antecedeu a troca de figurino da cantora, Lud expôs o funk da favela em roteiro que alinhou sucessos como Rainha da favela (2020), Verdinha (2019), Onda diferente (2019), Cheguei (2016) e Favela chegou (2018).
O sensual jogo de cena da cantora com a bailarina e esposa Brunna Gonçalves, em Maldivas (2022), legitimou na prática o discurso contra a intolerância ouvido na voz da deputada trans Erika Hilton após o áudio de Beyoncé.
Transmitido pelo canal do Coachella no Youtube (cinco horas após a apresentação), o show de Ludmilla no festival norte-americano foi espetacular do ponto de vista musical e técnico (tendo contado com a experiência cênica de profissionais de grandes turnês, como Henry Bordeuax e Zack Purciful), mas a importância da apresentação transcende a questão musical.
O alto valor do show também reside no fato de a artista ter marcado posição política naquele cobiçado palco, expondo imagens de comunidades no telão, beijando a mulher em cena e a reafirmando o poder dessa preta talentosa que obteve mais uma vitória na noite de 14 de abril de 2024.
A consagração de Ludmilla no Coachella 2024 foi tapa na cara de quem sempre tapou os ouvidos em tentativa vã de ignorar o funk e as vozes das comunidades. Ontem Ludmilla se consagrou como uma rainha do Coachella, fazendo história que jamais poderá ser apagada da música pop brasileira.
No palco principal do relevante festival dos EUA, a tropa da Lud deu choque de realidade em quem ainda insiste ignorar o alcance mundial do funk brasileiro e a ascensão da cantora dentro e além das fronteiras do Brasil.

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