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Tiago Iorc se revela imerso em universo em desencanto no tom angustiado do álbum ‘Antes que o mundo acabe’

Cantor retrata tempos de ansiedade e solidão em disco autoral produzido por Kassin e gravado com participações de Anitta e Julia Mestre. Capa do álbum ‘Antes que o mundo acabe’, de Tiago Iorc
Takashi Yasui
Resenha de álbum
Título: Antes que o mundo acabe
Artista: Tiago Iorc
Edição: Som Livre
Cotação: ★ ★ 1/2
♪ “O mundo anda tão estranho / O peito bate tão vazio / Sanidade por um fio / Eu só quero respirar”, avisa Tiago Iorc, quase como se estivesse suplicando, nos versos da canção-título do nono álbum do artista, Antes que o mundo acabe, o primeiro desde Daramô (2022).
Sétimo álbum de estúdio do cantor, compositor e músico paranaense, Antes que o mundo acabe chegou sem aviso prévio em 14 de maio com capa que expõe foto de Takashi Yasui. Foi mais um movimento inesperado deste artista que já parece desinteressado do jogo do mercado.
Gravado no estúdio carioca Marini com produção musical de Kassin, mixado por Michael H. Brauer no estúdio BrauerSound em Nova York (EUA) e masterizado por Pete Lyman no estúdio Infrasonic em Nashville (EUA), o álbum Antes que o mundo acabe flagra Iorc às voltas com um universo em desencanto.
Em tom angustiado, o cantor retrata tempos de ansiedade e solidão em irregular safra autoral em que sobressai a introspectiva canção-título Antes que o mundo acabe (Tiago Iorc) e Na ausência de ti, versão em português, escrita por Iorc, da canção italiana In assenza di te (Alfredo Rapetti Mogol, Antonio Galbiati e Laura Pausini, 1998), sucesso de Laura Pausini, com quem Iorc gravou o single Durar – Uma vida com você (2023).
Gravada por Iorc com Anitta, a versão Na ausência de ti se insinua como bossa na introdução da faixa, mas logo adquire a forma de melancólica canção de saudade, adornada com cordas.
Além de Anitta, o cantor faz feat. com Julia Mestre, parceira e convidada de Iorc na música Bésame, esqueça-me, faixa insossa.
Em repertório de qualidade bem oscilante, cabe ainda destacar o refrão melódico e sedutor da canção Fala que me ama (Tiago Iorc).
Entre duas parcerias com Vinicius Cantuária, Eu só queria e Tudo volta ao que era, Tiago Iorc alinha desilusões e apatias ao longo de disco depressivo.
“Quando foi que viramos / Crianças crescidas / Num mundo assim tão sem graça?”, questiona o artista em Crianças crescidas, parceria com Duda Rodrigues, também coautora de Desaguar você, canção em que o amor surge como o bote salva-vidas do cantor em versos como “Tua melodia / É guia / No caos”.
Só que o afogamento existencial parece ser iminente. “Às vezes / O vazio é bem maior / Do que eu posso aguentar”, dimensiona o cantor em Me quero só pra ti (Tiago Iorc), canção de espírito folk.
A faixa Amor delicioso (Tiago Iorc / Duda Rodrigues) começa tristonha com os versos bilíngues “I feel so lonely / Muito sozinho”, mas logo espanta a tristeza a cair em suingue evocativo de samba-rock.
Já Suave suave (Tiago Iorc, Duda Rodrigues e Jeremy Gustin) tem batida funkeada que jamais atenua o fato de que, no todo, o álbum Antes que o mundo acabe apresenta Tiago Iorc à deriva, imerso em universo em desencanto.

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