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Roberta Medina diz estar ‘de bode’ da Anitta, mas garante que Rock in Rio ‘está de porta abertas’

Executiva do festival falou nos bastidores do Rock in Rio Lisboa neste sábado (15). Entenda novo capítulo da treta que une Anitta, funk e festival. Anitta canta no Rock in Rio Lisboa 2022
@ihateflash/Divulgação
A treta entre Anitta e Rock in Rio teve um novo capítulo neste sábado (15), durante o primeiro dia do Rock in Rio Lisboa. Roberta Medina, executiva do festival e vice-presidente da Rock World, participou de uma entrevista com jornalistas e comentou sobre artistas de line-ups anteriores no Brasil ou em Portugal com os quais teve problemas.
Neste contexto, ela começou espontaneamente a falar sobre Anitta:
“Quando terminou a edição de 2022, a Anitta brigou com o Rock in Rio. Sabe se lá por quê… Se perguntasse se eu quero Anitta no Rock in Rio, aqui está de portas abertas. Agora, não foi legal? Não foi legal. Mas cada ano é um ano e cada momento é um momento. As pessoas amadurecem. Por que que as relações não podem se amadurecer, né? Então, eu acho que a gente fica um tempo de bode.”
Mas o que dizer da frase escrita por ela, “não boto mais os pés neste festival”? “Eu acho que foi uma frase forte e precipitada. Absolutamente desnecessário… Então dizer nunca? Isso não existe… Se precisar fazer as pazes, a gente faz as pazes”, respondeu Roberta.
Ela citou ainda Axl Rose, vocalista do Guns N’ Roses, e Drake como artistas com os quais teve problemas, mas não deixaria de trabalhar com eles “para sempre”.
Procurada pelo g1, Anitta não respondeu até a última atualização deste texto.
Entenda abaixo a relação entre Anitta, Rock in Rio e o funk:
Há 4 décadas, músicos da periferia do Brasil produzem uma música eletrônica original com inovação constante. É, de longe, o estilo daqui que mais dialoga com o pop contemporâneo global. Deize Tigrona, por exemplo, fez participação no Rock in Rio Lisboa 2008 a convite do grupo português Buraka Som Sistema.
Apesar do preconceito e da tentativa de criminalização do funk, o estilo sempre cresceu e gerou ídolos. Em 2013, o g1 perguntou à diretora do Rock in Rio se Anitta e Naldo poderiam tocar. Roberta Medina respondeu que poderiam, mas “não é o perfil do evento”. Curiosamente, ela descreveu, em 2013, que “o Brasil é do sertanejo e do axé”, ignorando o funk.
O streaming cresceu e escancarou o tamanho do funk em números do YouTube e mais plataformas – era impossível ignorar. Mesmo barrado de rádios, o funk competia com sertanejo em audiência.
Ainda em 2013, Beyoncé terminou o show dançando “ah, lelek lek lek…”. Em 2016, quando MC Bin Laden subiu ao palco do Jack Ü no Lollapalooza, o g1 perguntou: por que as estrelas gringas eram mais antenadas e abertas ao funk brasileiro que os próprios curadores daqui? Não vieram respostas, só mais exemplos: em 2019, Kevin o Chris foi ao Lolla via Post Malone.
A popularidade de Anitta gerou outro efeito: a cobrança dos fãs. Em 2017, Roberta Medina foi questionada de novo pelo g1 e disse que o festival “tinha uma pegada mais pop” para justificar a ausência dela. Em 2018, Roberto Medina, pai de Roberta e criador do festival, chegou a elogiar Anitta: “Se ela quiser, será a nova Ivete”. Ele disse que a cantora foi escalada no Rock in Rio Lisboa 2018 e Rio 2019 por “obrigação”.
No mesmo ano, a estreia do funk em tamanho proporcional à sua influência e popularidade rolou com Anitta no Palco Mundo. Depois do festival, em entrevista ao jornal “O Globo”, Roberta disse que “teve a sensação de que ela usou playback”. Anitta diz que o espaço foi conquistado apesar de resistência da organização, e que o “funk só estava lá porque foi obrigado a ser engolido pelo festival”. Ludmilla tocou no palco secundário, o Sunset.
O fato é que após o show de Anitta no Palco Mundo a presença do funk aumentou, mesmo que não seja proporcional à sua influência – vide Camila Cabello dançando “Ai preto” com Biel Do Furduncinho, Bianca e L7nnon. O show de Ludmilla foi um dos melhores de 2022 do Rock in Rio.
Logo após o show de Lud, Anitta fez um longo desabafo no Twitter, sem citar diretamente a cantora. “Eu não piso neste festival nunca mais. Só se um dia eles resolverem dar aos artistas que falam português o mesmo respeito que dão aos estrangeiros. Pergunte aos mais corajosos como são tratados quem é do Brasil e como é tratado quem é de fora. É como se estivessem fazendo um grande favor.” Ela acrescentou que o festival incluiu o funk porque a reputação do evento poderia ser prejudicada e que ela batalhou muito para ver o estilo no festival.
No Rock in Rio Lisboa 2024, Roberta Medina diz que Anitta foi precipitada em criticar o festival e garante que gostaria de contar com ela em um line-up futuro, caso façam as pazes.
Personagens da história do funk no Rock in Rio: Anitta no Palco Mundo em 2019, Camila Cabello em 2022, Ludmilla com Majur, Tasha e Tracie e Tati Quebra Barraco no Palco Sunset em 2022 e a cantora Deize Tigrona no documentário ‘Favela on Blast’
Marcelo Brandt / g1 e Reprodução

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