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Novo nome, desejo de apagar passado, preconceito: por que tantas ‘musas do Ego’ sumiram?

Série do g1 mostra por onde andam musas que fizeram parte da história do site Ego. Assessores explicam por que muitas dessas modelos saíram da mídia. Por onde andam as musas do ego
Nesta semana, o g1 publicou uma série de entrevistas para contar por onde andam algumas das musas que ganharam destaque no extinto site Ego. Essas modelos ganharam fama nas páginas de celebridades, mas seguiram com suas vidas longe dos holofotes nos últimos anos.
O g1 conversou com:
Ju Isen, conhecida como a musa das manifestações;
Jennifer Pamplona, que fez fama como sósia da Susi Humana;
e a ex-coelhinha da Playboy, Thaiz Schmitz;
Jennifer Pamplona, Ju Isen e Thaiz Schimitz
Reprodução-Instagram/Fauzi Musa-Divulgação
Na tentativa de incluir mais nomes, o g1 teve dificuldade nas buscas pelas musas. Muitas não responderam os pedidos de entrevistas e outras sequer tinham assessoria ou perfis nas redes sociais. Teve ainda quem topou falar, mas não atendeu às ligações nos horários marcados. Outras cancelaram várias vezes em cima da hora, antes de negarem definitivamente.
Assessores que já trabalharam com as “musas do ego” dizem que essa dificuldade tem a ver com o desejo que elas têm em seguir uma nova trajetória, sem vínculo ao passado como musa.
“Algumas até mudaram o nome artístico, outras assumiram o nome de registro, do RG, e outras querem apagar o passado”, diz Eduardo Graboski, assessor de imprensa que já ajudou a lançar centenas de modelos e influencers.
“Recebo até hoje pedidos de ex-clientes — poucas na verdade, mas recebo — pra retirar material da internet, matéria, vídeos, declarações. “Mas de verdade, não sinto que estão arrependidas. Não sinto que elas têm vergonha do que foi noticiado ou de algo que elas fizeram no passado. E olha que algumas causaram de verdade. Apareceram nuas, criaram confusões, se envolveram brigas, traições…”
Cacau Oliver, Eduardo Graboski e Fabiano de Abreu
Celso Tavares/Divulgação/Divulgação
O assessor explica que elas “estão tentando seguir caminhos opostos, que não permitem uma imagem mais sexy”. Eduardo enfatiza que muitas tentam esconder a trajetória por preconceito de pessoas que hoje fazem parte de sua vida profissional. “É preciso respeitar as mudanças e esquecer os rótulos do passado e encarar uma nova realidade. Muitas vezes, elas mudaram as ideias, de objetivos, e até mesmo de valores.”
Apesar da vontade da mudança, Edu acredita que deletar a história é quase impossível. “Tenho clientes até hoje que eram extremamente sensuais, campeãs de concurso, capas da ‘Playboy’, e que hoje são médicas, empresárias… Tem até uma que é pastora. É possível reposicionar a imagem. Não vejo isso como um problema e acho que elas não deveriam ver isso como um problema.”
Criador do concurso Miss Bumbum, o empresário Cacau Oliver concorda que seja um caminho comum para as musas quererem tentar “apagar” o passado.
“Elas tiveram esse auge, esses cinco minutos de fama, aproveitaram aquele momento. Muitas, por diversas razões, decidiram seguir outros caminhos. Algumas meninas se formaram na faculdade, outras casaram. E outras se desiludiram com o mercado da mídia e decidiram realmente parar.”
100 musas ao mesmo tempo
Ju Isen, Jennifer Pamplona e Thaiz Schimitz em imagens de 2015
Celso Tavares-ego/Marcos Serra Lima-ego/Iwi Onodera-ego
Fabiano de Abreu, dono da MF Press Global, segue em contato com muitas musas que já foram assessoradas por ele. O empresário revela que chegou a trabalhar com 100 mulheres ao mesmo tempo. “Algumas querem apagar o passado, mas muitas não ligam.”
“Depende do passado e da personalidade. A Muri Rodrigues, ‘musa da barriga chapada’, hoje é empresária, dona de uma marca de suplementos. O fitness a beneficiou. A Dani Borges, fisiculturista e musa fitness, ganhou campeonatos. Hoje, é uma famosa nutricionista”, lembra Fabiano, citando duas de suas clientes. Ele acrescenta que existem muitas ex-musas que hoje são empresárias. “Tem até quem virou coach.”
“Musas de títulos como os de escola de samba, só valem naquele momento. Está vinculado apenas às festas. O que elas podem trazer em paralelo? Só se for ensinar a sambar. Eu falava: ‘vai estudar, esse negócio de musa vai acabar, porque banalizou.”
“Eu sempre tentava corrigir a visão errônea de que as modelos eram vulgares”, finaliza Fabiano.

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