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Maria Bethânia canta paixões ‘fevereiras’ na Arena Jockey na coroação de ano dourado

Em show no Rio de Janeiro, cantora homenageia Erasmo Carlos, se reencontra com Tim Bernardes e cai no samba de roda antes de fazer o Carnaval com marchas da folia carioca. Maria Bethânia se apresenta no palco da Arena Jockey no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 22 de dezembro, com show derivado do espetáculo estreado em abril de 2022
Rodrigo Goffredo
♪ OPINIÃO – Maria Bethânia trabalhou o ano inteiro e encerrou o expediente de 2023 na noite de ontem, 22 de dezembro, com apresentação na Arena Jockey, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Mesmo sem ter lançado disco em 2023, sequer um single, a cantora continuou em cena pelo Brasil com o show derivado do espetáculo estreado em abril de 2022 e idealizado para celebrar a trajetória bem-sucedida do documentário Fevereiros (2017), de Marcio Debellian.
O roteiro foi sofrendo mutações na estrada, mas a essência do show permaneceu a mesma – como se manteve inalterada há 60 anos a essência da própria Bethânia, intérprete impermeável aos modismos do mercado musical e às modas das estações.
O que se viu e ouviu na Arena Jockey foi mais uma vitória dessa voz de 77 anos cuja força parece nunca secar.
Entre récitas de textos como Sombras da água (2016), trecho de livro do escritor Mia Couto, a cantora deu voz às mesmas paixões fevereiras que a movem em cena desde um já longínquo fevereiro, o de 1965, marco do início da trajetória artística de Bethânia na contabilidade particular da cantora.
Presença já recorrente no circuito de festivais, em movimento recente que tem contribuído para o rejuvenescimento do público da intérprete, Bethânia distribuiu benções, saudou Gal Costa (1945 – 2022), celebrou Erasmo Carlos (1941 – 2022) com o canto do rock Vem quente que estou fervendo (Eduardo Araújo e Carlos Imperial, 1967), reforçou as origens no samba Feita na Bahia (Roque Ferreira, 2009) e se alinhou com a afirmação feminina no tempo presente ao alterar a letra de outro samba, Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962), e ao exaltar o gênero em um terceiro samba, Mulheres do Brasil (Joyce Moreno, 1988).
Em momento luminoso, a cantora reiterou a teatralidade ao recontar com precisão o drama da Balada de Gisberta (Pedro Abrunhosa, 2007) e ao levantar a voz em Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) contra toda forma de opressão. Porque a cena muda e porque Bethânia, que nunca foi muda, sempre cantou muito mais na hora de enfrentar as forças do mal, como reiterou em Galos, noites e quintais (Belchior, 1976).
Entre boleros, sambas-canções e um reencontro em cena com Tim Bernardes, bisado tal como no festival Vozes do amanhã em 8 de outubro, que ninguém tenha vindo falar em prudência quando Bethânia entrou na roda do Recônvavo Baiano para puxar os sambas da terra natal ou quando fez o Carnaval com marchas que animam as folias cariocas há décadas!
Hino de velhos Carnavais, a marcha Cidade maravilhosa (André Filho, 1934) exaltou no fim do show – antes de um segundo bis com o inevitável samba O que é o que é (Gonzaguinha, 1982) – o Rio de Janeiro (RJ) que abriga Bethânia desde 1965.
De lá para cá, foram 58 dezembros de anos dourados vivenciados com paixões fevereiras, reavivadas pela voz da pessoa vitoriosa na Arena Jockey na coroação de 2023.
Maria Bethânia se reencontra em cena com Tim Bernardes no palco da Arena Jockey, cantando três músicas com o autor de ‘Prudência’
Reprodução / Facebook Arena Jockey

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Produção Eduardo Dj