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Gérard Depardieu vai ser julgado em outubro por acusações de violências sexuais

Ator francês foi preso para um interrogatório policial e depois liberado nesta segunda-feira (29). Gérard Depardieu no Festival de Cannes, em 2015
Anne-Christine Poujoulat/AFP/Arquivo
O ator francês Gérard Depardieu será julgado em outubro pelas acusações de ter atacado sexualmente duas mulheres em 2021, informou o Ministério Público de Paris. Ele foi preso para interrogatório policial e depois liberado nesta segunda-feira (29).
“Gérard Depardieu recebeu uma convocação para comparecer ante o tribunal […] por crimes sexuais provavelmente cometidas em setembro de 2021 em prejuízo de duas vítimas durante a filmagem do filme ‘Les Volets Verts'”, indicou o Ministério Público.
A primeira mulher, que o denunciou em fevereiro, é uma cenógrafa que trabalhou na produção de “Les Volets verts”, de Jean Becker, e que acusa o ator de atacá-la sexualmente em 2021.
A denunciante declarou em março ao site Mediapart que o ator fez comentários indecentes e depois a “agarrou brutalmente” e “esfregou sua cintura, a barriga, até os seios”.
“É um alívio”, declarou Carine Durrieu-Diebolt, advogada que representa a cenógrafa, à agência de notícias France Presse.
“Sem dúvida, há outras vítimas. Até agora, entre 20 e 25 mulheres denunciaram incidentes que vão desde o menosprezo à violência de gênero, passando pelo assédio e pela agressão sexual. É o momento que seja julgado”, acrescentou a advogada, que também defende uma mulher que denunciou o ator por supostos crimes que podem ter ocorrido em 2014.
Segundo a Mediapart, outra mulher, que era assistente de direção na mesma filmagem, acusa o ator de violência sexual e também o processou.
O julgamento do ator abordará essas duas acusações.
Mas Depardieu também foi acusado por uma ex-assistente de direção – que denuncia atos semelhantes ocorridos em 2014. Segundo a emissora BFMTV, a suposta agressão aconteceu durante as filmagens do curta-metragem “Le Magicien et les Siamois”, de Jean-Pierre Mocky.
A denunciante, que tinha 24 anos na época da agressão, apresentou queixa no dia 9 de janeiro. Ela acusa Depardieu de utilizar “palavras indecentes” em sua mansão em Paris.
Em uma entrevista ao jornal regional “Le Courrier de l’Ouest” em fevereiro, a mulher, que deseja permanecer no anonimato, também citou as mãos do ator “por todo o corpo” durante as filmagens.
É a primeira vez que Depardieu esteve sob custódia policial por supostas agressões sexuais, embora no passado tenha sido preso por um acidente de moto em estado de embriaguez.
Gérard Depardieu é preso por denúncias de agressões sexuais
Saga judicial
“Nunca abusei de uma mulher”, garantiu o ator em uma carta aberta publicada em outubro de 2023 pelo jornal “Le Figaro”, em referência às acusações de Charlotte Arnould.
Em dezembro de 2020, a Justiça acusou Depardieu de atacar sexualmente a atriz, que denunciou dois estupros na casa do ator em Paris em agosto de 2018.
Em janeiro de 2024, a Justiça arquivou a queixa da atriz Hélène Darras, que o acusou de tê-la atacado sexualmente durante uma filmagem em 2007, por prescrição dos fatos.
Agora em abril, a jornalista e escritora espanhola Ruth Baza divulgou que denunciou o ator na Espanha por um estupro que supostamente ocorreu em Paris em 1995.
Quase 20 mulheres o denunciaram à imprensa ou à Justiça por supostas violências sexuais.
Depardieu nega as repetidas acusações contra ele, que se tornaram uma frente de guerra cultural na França, dividindo o mundo do cinema e colocando grupos feministas contra os defensores do ator.
Além do premiado intérprete de Cyrano de Bergerac, a Justiça investiga os cineastas franceses Benoît Jacquot e Jacques Doillon por estupro de uma menor, após a denúncia da atriz Judith Godrèche.
Além das queixas, uma reportagem do programa “Complément d’enquête” gerou polêmica em dezembro devido aos comentários obscenos de Depardieu sobre uma menina de 10 anos na Coreia do Norte que andava a cavalo.
Após a exibição do programa, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o ator foi objeto de uma “caçada humana” e ofereceu o seu apoio a um “ator imenso” que deixou a França “orgulhosa”.

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