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‘Furiosa: Uma saga Mad Max’ não é tão brilhante quanto ‘Estrada da Fúria’, mas chega perto; g1 já viu

Quinto filme da franquia abre mão do protagonista da série para contar história de origem da personagem que roubou cena em antecessor — e estreia nesta quinta-feira (23) no Brasil. Com personagens ricos, uma mão firme e genial na direção, fotografia belíssima e atuações inspiradas, “Furiosa: Uma saga Mad Max” ainda assim não consegue potência o suficiente para alcançar o brilho e a ferocidade de “Estrada da fúria” (2015) – mas chega perto.
A verdade é que a continuação que estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas brasileiros tinha uma missão quase impossível.
Primeiro, como o quinto filme de uma franquia de sucesso relativo, mas o primeiro a abrir mão de seu protagonista para contar uma história de origem de uma personagem secundária.
Segundo, e mais importante, como a continuação direta do grande sucesso surpresa de 2015, que venceu seis categorias das dez indicações que recebeu ao Oscar.
O maior acerto do visionário – um termo usado de forma tão gratuita no marketing cinematográfico, mas tão apropriado neste caso em particular – diretor George Miller é sequer tentar repetir a fórmula de “Estrada da Fúria”.
O resultado não tem o poder do golpe inesperado de seu antecessor, que conquistou um lugar no Valhalla dos melhores filmes da história, e sofre com um ritmo irregular em alguns momentos, mas certamente consegue e deve ser respeitado por seus próprios méritos.
Assista ao trailer de ‘Furiosa: Uma saga Mad Max’
Furiosa antes da ‘Fúria’
O nome deixa claro, mas, se alguém tem dúvida, “Furiosa” toma como protagonista a personagem de Charlize Theron em “Estrada Fúria”.
A atriz sul-africana dá lugar à britânica nascida nos Estados Unidos e criada na Argentina Anya Taylor-Joy (“O gambito da rainha”), em uma versão mais jovem daquela que viria a ser a motorista mais respeitada de um tirano (Lachy Hulme assume o papel deixado por Hugh Keays-Byrne) do deserto distópico de “Mad Max”.
A história de origem, mais uma vez escrita por Miller com a ajuda de Nick Lathouris, conta como uma garota sequestrada se tornou uma guerreira no meio de um confronto entre dois grandes vilões (Chris Hemsworth completa o elenco principal).
Usem Anya, por favor
Logo de cara, Hemsworth mostra toda a diversão que pode ter como um maníaco em um planeta sem lei, personagem cuja única semelhança com o Thor pelo qual o ator é conhecido reside nos músculos.
Longe também da seriedade taciturna dos questionáveis “Resgate”, o australiano consegue sua melhor atuação desde “Thor: Ragnarok” (2017).
Do outro lado, Taylor-Joy enfrenta com dignidade o desafio de interpretar uma personagem emblemática o suficiente para conseguir um filme próprio – e com uma atuação do calibre da de Theron por trás.
Anya Taylor-Joy, Tom Burke e Chris Hemsworth em cena de ‘Furiosa’
Divulgação
Infelizmente, a jovem não recebe um roteiro tão rico e uma jornada tão sutil e instigante quanto a colega. Para piorar, a trama perde tempo demais com sua versão pré-adolescente (com a competente Alyla Browne), e desperdiça o magnetismo da atriz.
A infância de Furiosa no começo do filme marca também o mais longo período de instabilidade do ritmo do filme. Dividido entre capítulos, o que também não ajuda, com Taylor-Joy na tela a história flui muito melhor.
(Nota para diretores, produtores e roteiristas: se você tem Anya Taylor-Joy em seu filme, série, peça, use-a o quanto for possível.)
Miller no volante
A estrutura mais formal impede a reprodução da força de “Estrada da Fúria”, que tirava o fôlego da plateia com uma perseguição interminável e alucinante durante a maior parte de sua duração.
Mas não é como se Miller não tentasse atingir o mesmo nível de ferocidade abastecida por combustível da mais alta octanagem. Mais uma vez, o cineasta australiano prova ser um dos maiores mestres do gênero – e um dos melhores olhares para o mesmo.
A ação de “Furiosa” pode ser mais cadenciada, mas não é menos bela. Os ângulos usados pelo diretor colocam o público no meio das engrenagens e peças dos veículos sucateados que rodam a toda velocidade pelo deserto, de uma forma que poucos – se é que alguém – conseguem alcançar.
Aos 79 anos, Miller mostra que ainda tem muito o que queimar. Que prazer ser um passageiro em tempo real de uma direção tão genial.
Chris Hemsworth em cena de ‘Furiosa’
Divulgação

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