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Banda Pietá frutifica no terceiro álbum, ‘Nasci no Brasil’, com raízes no tronco Tupi do país que ronca de fome e raiva

Banda Pietá lança o terceiro álbum de estúdio, ‘Nasci no Brasil’, com regravação do samba ‘O ronco da cuíca’ (1975), de João Bosco e Aldir Blanc (1946 – 2020)
Elisa Mendes / Divulgação
Capa do álbum ‘Nasci no Brasil’, da banda Pietá
Arte de Elisa Mendes
Resenha de álbum
Título: Nasci no Brasil
Artista: Pietá
Edição: Alá Comunicação e Cultura
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♪ “Filhos da grande diáspora, frutos do tronco Tupi”, como se apresenta em versos de Temquitê (Juliana Linhares, Pedro Indio Negro, Fred Demarca e Renato Frazão), expressiva música que abre o álbum Nasci no Brasil em gravação feita com a adesão vocal do cantor paraibano Pedro Índio Negro, os integrantes da banda Pietá geram disco embasado pelo baticum nacional e enraizado na árvore miscigenada que tem gerado a frutífera cultura da nação.
Terceiro álbum de estúdio do trio carioca formado em 2011 por Fred Demarca, Juliana Linhares (cantora do antológico disco solo Nordeste ficção) e Rafael Lorga, Nasci no Brasil tem forte acento percussivo e está encharcado da brasilidade sinalizada pelo título.
Mas inexistem no disco os clichês sonoros do país tropical no repertório que – entre músicas inéditas como o samba torto Espanta assombração (Juliana Linhares, Roberta Sá, Rafael Lorga e Elvis Marlon), gravado com a adesão da cantora Roberta Sá – apresenta regravação ousada do samba O ronco da cuíca (1975), petardo ainda atual da parceria de João Bosco com Aldir Blanc (1946 – 2020), bamba cronista do país que espuma de raiva e geme de fome desde antes do samba ser samba.
Sucessor dos álbuns Leve o que quiser (2015) e Santo sossego (2019) na discografia da Pietá, Nasci no Brasil é disco quente na primeira metade. Abrandada à medida em que avançam as nove faixas, a fervura é exemplificada pela Cantoria do Acará (Rafael Lorga e Thiago Thiago de Mello), faixa que ilustra a excelência da produção musical de Fred Demarca, da mixagem de Fernando Rischbieter e da masterização de Bruno Giorgi.
Já a regravação de Perfume de araçá (2021) – música lançada pela Pietá há três anos em gravação que ora ecoa na trilha sonora da novela No rancho fundo (Globo, 2024) – tem aroma mais suave na abordagem que entrelaça o canto de Juliana Linhares com a voz aveludada de Jota.Pê. A temperatura amena é mantida na faixa O tempo é uma pessoa (Rafael Lorga e Tomás Braune).
“O álbum Nasci no Brasil é uma afirmação das belezas que brotam das dúvidas, das sombras e das mazelas de um país”, sintetiza a banda Pietá a respeito do disco lançado em 18 de abril e encerrado com Chama da criança (Fred Demarca e Juliana Linhares), faixa menos imponente no conjunto da obra.
De fato, o trio faz no disco uma exaltação consciente da cultura nacional, com orgulho, mas sem o ufanismo retrógado e nefasto de tempos recentes. Ao contrário. A arrojada arquitetura nordestina da música-título Nasci no Brasil (Olivia Munhoz e Juliana Linhares) mostra que a banda Pietá se desvia do terreno do ufanismo fácil que também brota em partes menos férteis do grande tronco Tupi.
Banda Pietá lança disco autoral gravado com as participações de Roberta Sá, Jota.Pê e Pedro Índio do Brasil
Elisa Mendes / Divulgação

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