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as 23 melhores séries gringas de 2023

E eis que este blog ressurge das cinzas para listas as melhores séries gringas que eu vi neste 2023:
1. Treta (Netflix)
Essa minissérie (ou série, nunca dá pra ter certeza) foi a coisa mais divertida, tensa, maluca e, por que não?, bonita do ano. Começa com uma briga de trânsito totalmente idiota e sem maiores consequências – tirando que a briga era só talvez o sentido que faltava na vida de um empreendedor falido e uma empresária bem-sucedida e entediada com sua vidinha perfeita. O roteiro evolui de um jeito bem inesperado, a briga sem sentido ganha proporções homéricas, acaba envolvendo famílias, empregos, sexo, criminosos e outras coisas mais – mas nem tudo é treta, e a serie ainda nos presenteia com um dos mais belos diálogos nonsense-chapados da década. A melhor coisa feita pela Netflix desde “Bojack Horseman”.
2. Reservation Dogs (Star +/Globoplay)
Esta série apareceu aqui no ano passado e volta agora com seu terceiro e último ano, que confirmou seu lugar definitivo na minha lista de melhores séries da vida. O cotidiano numa reserva indígena no interior dos EUA sob o ponto de vista de um grupo de amigos adolescentes ganhou episódios divertidíssimos centrados nos anciãos da comunidade, a temporada trouxe de volta os maravilhosos personagens ancestrais e míticos e, mais importante que tudo, continua com seu finíssimo e afiadíssimo humor indígena.
3. Somebody Somewhere (HBO Max)
Cena da série ‘Somebody Somewhere’
Divulgação/HBO Max
“Somebody Somewhere” é uma seriezinha linda e despretensiosa sobre encontrar seu lugar, escolher sua família e viver, plenamente, uma vidinha mais ou menos. A segunda temporada consegue ser melhor que a primeira – o último episódio, inclusive, é a coisa mais bonita que eu vi este ano na TV.
Como no primeiro ano da série, quase nada acontece: apenas assistimos ao cotidiano meio monótono dos protagonistas – uma mulher com seus 40 e tantos, meio deprimida e se sentindo deslocada na vida, que encontra na amizade com um cara gay (também meio deslocado) e uma comunidade queer sua segunda (e melhor) família. Amigos, amores, bebedeiras, ciúmes, perdas, tretas e piadas com diarreia numa cidadezinha no interior do Kansas. Pra que a gente quer mais que isso?
4. Only Murders in the Building (Star+/Globoplay)
Mais uma temporada belíssima desta série que não sai do meu rol de favoritas. Os caras conseguiram fazer um nova temporada nada repetitiva sobre outro assassinato no fictício edifício Arcadia, e o trio Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez está mais afiado do que nunca. Daquelas séries em que cada episódio é um evento – nem a abertura eu pulava, tamanho o prazer que me dava assistir toda semana. Ansiosa para a quarta temporada.
5. A Maravilhosa Mrs. Maisel (Prime Video)
A última temporada da série sobre a vida da maravilhosa comediante Midge Maisel e sua jornada para ser reconhecida com um grande talento da comédia stand-up dos anos 60 tem até umas barrigadas no meio, mas termina de um jeito tão bonito, tão emocionante, com piadas tão tão boas, que eu queria um dia encontrar a Amy Sherman-Paladino, criadora da série, dar um abraço nela e dizer “obrigada por tudo”. Está pra nascer uma série tão bem feita, linda, caprichada, bem escrita e perfeita. Desculpa se estou soando emocionada, essa série é uma obra de arte.
6. Party Down (Lionsgate)
A comédia sobre um serviço de catering em que os garçons são todos aspirantes a ator ou roteirista (ou atores e roteiristas fracassados) em Hollywood era uma daquelas séries excelentes que lamentavelmente quase ninguém viu. E aí, 13 anos depois, os caras resolveram reviver a série – e não é que foi uma das melhores comédias do ano?
O mesmo humor irônico e meio deprê funcionou perfeitamente e talvez melhor ainda com os mesmos personagens mais velhos e mais fracassados. Eu revi as duas primeiras temporadas, como aquecimento pra terceira, e fiquei felizona de constatar que envelheceram muitíssimo bem.
7. Slow Horses (Apple tv)
Baseada numa série de livros, já está na terceira temporada e conta a história de agentes do serviço de inteligência britânico que, por causa de erros em suas carreiras, acabam rebaixados de posto e vão trabalhar em serviços de espionagem não muito glamurosos. Uma série de espiões com um finíssimo humor inglês e Gary Oldman em seu melhor papel em séculos. Totalmente viciante.
8. Rain Dogs (HBO Max)
Uma mãe solo alcoólatra em recuperação, que acaba de ser despejada de casa e tenta contar com a ajuda do melhor amigo, um herdeiro milionário lidando com o vício, a depressão e a falta de sentido na vida. Parece um grandíssimo e pesado drama, mas na verdade é uma série bonita e meio engraçada sobre amizades, as dificuldades da vida adulta, sobre as escolhas que a gente faz e coisa e tal. São oito episódios curtinhos que fizeram meu ano mais feliz, acredite se quiser.
9. The Bear (Prime Video)
Confesso que, de tanto que falaram desta segunda temporada (que demorou uns meses para chegar aqui), eu esperava um pouquinho mais, já que o primeiro ano da série sobre o chef de cozinha genial e perturbado foi excelente.
A temporada teve alguns dos melhores episódios deste 2023 (o da briga de família, o do incrível estágio do Richard, um episódio perfeito, e o da turnê gastronômica da Sydney, com o Marcus em Copenhagen), o que é bastante coisa. Mas também perdeu um pouco a mão tentando ser uma comédia meio pastelão (na reforma muito atrapalhada) e exagerou na pieguice da relação entre a equipe (e com a transformação do Richard de c*zão a homem honrado em uma semana), sem falar no namoro mais chato da década e no final megaclichê do cara preso na geladeira e tal. Mas, ok, o saldo foi bem positivo, no fim. Que venha o terceiro ano.
10. Abbot Elementary (Star+/Globoplay)
Cena de Abbott Elementary
Divulgação/Star+
Comédia boa quase nunca começa boa: demora para a gente se apegar aos personagens (e daí as piadas fazerem mais sentido), demora para os personagens acharem o tom, para o roteiro ficar redondinho. Aqui não foi diferente: nesta sua segunda temporada, a série sobre professores de uma escola pública de ensino fundamental na Filadélfia se encontrou de vez. Boas risadas, historinhas de amizade e amor e personagens sensacionais tipo a diretora Ava e o zelador. Pra ver e ficar de bem com a vida.
11. Silo (Apple tv +)
Um futuro distópico em que o planeta foi tomado por gases (aparentemente) tóxicos e o que restou da humanidade está confinado num gigantesco silo subterrâneo. O clima é de claustrofobia, medo e repressão – a punição para quem se rebelar contra as autoridades é ser expulso do silo (e supostamente morrer intoxicado lá fora).
Mas o lugar e a história do confinamento são cercados de mistério, que a série aos poucos vai começando a desvendar. Começa meio lerda mas vai ficando viciante. Aguardando a segunda temporada (e é baseada numa série de livros, então tem menos chance de dar errado, espero).
12. The Last of Us (HBO Max)
Cena de The Last of Us
DIVULGAÇÃO/HBO/WARNER MEDIA/LIANE HENTSCHER
Não sou propriamente uma fã de videogame, então minha avaliação sobre essa série feita a partir de um game badaladíssimo é puramente como telespectadora: é ótima, embora meio cansativa e repetitiva em alguns momentos. Mas os caras realmente capricharam não só nos cenários riquíssimos e nos mínimos detalhes dos zumbis medonhos, como também no roteiro, com na bela relação que vai se construindo entre os dois protagonistas.
Bella Ramsey e Pedro Pascal estão ambos excelentes como a dupla improvável que se vê obrigada a cruzar um país dominado pelo medo e dizimado pela epidemia de fungos que transformou quase toda a polução mundial em zumbis. Tem ainda dois dos melhores episódios do ano (o do casal gay e o da comunidade religiosa). No fim, valeu o hype.
13. Profecia do Inferno (Netflix)
Como o blog é meu e eu invento as regras, vou incluir aqui essa ótima série coreana de 2021 que eu só descobri este ano. Quando demônios começam a aparecer para as pessoas para avisar que elas serão mortas em alguns dias e depois voltam para cumprir a profecia (do inferno, daí o título belíssimo), o medo obviamente toma conta da Coreia e, com ele, começa a surgir uma seita mais satânica que a profecia dos demônios. Série assustadora, violentíssima e muito, muito boa. Recomendo fortemente.
14. Jury Duty (Prime Video)
Jury Duty
Divulgação/Prime Video
Eu preciso dizer que não sou assim uma fã do “humor de constrangimento”, costumo achar meio cansativo, então não vibrei loucamente com essa série/reality show como o resto do mundo. Mas claro que é bem divertida a superpegadinha com o cara normal que é convocado para fazer parte de um júri sem saber que tudo ali é fake e que todos no tribunal são atores e estão ali para testar até onde o protagonista involuntário é capaz de ir. No fim a gente acaba se apegando a Ronald Gladden, que deve ser uma das pessoas mais fofinhas do planeta.
15. Hijack (Apple tv)
De cara eu torci o nariz para essa minissérie sobre o sequestro de um avião – o primeiro episódio (e o resto, na verdade) é meio que uma sucessão de clichês e uma formulinha bem básica de roteiro. Mas aí tem o Idris Elba, que além de bom ator tem aquele carisma que amamos e por acaso é também a pessoa mais bonita do mundo, e aí me rendi, me apeguei, fiquei tensa com a história, maratonei. E preciso admitir: a série é ótima.
16. One Piece (Netflix)
Adaptação de um anime (coisa para a qual eu ligo zero), é uma história bem fofinha de um garoto que quer ser o maior pirata da história – falta só o navio e a tripulação, mas nada parece ser um grande problema para ele. História divertidíssima com personagens ótimos, vilões incríveis e episódios curtinhos que deixam a gente de bem com a vida ao terminar. A série mais good vibe do ano.
17. Amor e Morte (HBO Max)
A minissérie sobre um caso real bem bizarro – um caso extraconjugal que termina num assassinato, numa comunidade cristã americana nos anos 1970 – tem uma primeira metade excelente, mas chega uma hora em que meio que se perde num relato um pouco burocrático e não muito emocionante do julgamento. Mas é curtinha, superbem feita e as perucas que 90% dos personagens usam quase não incomodam tanto assim. Belas atuações de Elizabeth Olsen e Jesse Plemons.
18. Barry (HBO Max)
Essa comédia hilária e sombria sobre o assassino profissional (Bill Hader, que criou, escreve e protagoniza) que quer realizar o sonho de ser ator terminou de um jeito meio decepcionante, na minha humilde opinião, e só por isso que não está mais acima na minha lista (porque os três primeiros anos são excepcionais). Mas a quarta e última temporada teve sim seus momentos sensacionais, acho que quase todos envolvendo o maravilhoso Hank.
19.Tulsa King (Paramount +)
Uma série protagonizada por Sylvester Stallone em pleno 2023, veja você. Nosso querido Rocky aqui é um mafioso que acaba de sair da cadeia e é obrigado por seus colegas de máfia nova-iorquina a se estabelecer em uma nova cidade (a Tulsa do título). A série é bem hetero-topzeira, meio machistona e não dá pra querer muito refinamento no roteiro, mas tem uns personagens ótimos e no fim é um bom entretenimento.
20. Who is Erin Carter (Netflix)
Série basicona sobre uma professora que vive uma vida pacata com o marido e a filha em Barcelona até que sua reação ao impedir um assalto num supermercado (devidamente captada pelas câmeras de segurança) começa a trazer à tona seu passado misterioso. Tem aquele arzinho de série de espionagem, agentes disfarçados, uma tensãozinha constante. Não espere nada muito elaborado, mas é uma boa diversão. E a protagonista é a cara da Anitta.
21. Gotas Divinas (Apple tv+)
Baseada num mangá, essa série falada em inglês, francês e japonês conta a história de uma disputa pela herança milionária de um expert em vinhos – no testamento, ele propôs uma espécie de gincana enóloga entre um sommelier japonês que era seu aprendiz e sua filha, francesa, aparentemente alérgica a álcool e com quem ele não falava havia anos. É levemente cafona, mas bem divertida, ainda mais se você é apreciador de vinhos.
22. Physical (Apple tv+)
A temporada final dessa série infelizmente pouco badalada sobre uma mulher que descobre na ginástica aeróbica (a série começa nos anos 70) o tratamento para seus problemas de bulimia e ansiedade manteve o nível das duas primeiras: excelente. Rose Byrne arrasando, como sempre. Recomendo muito.
23 – Planeta dos Abutres (HBO Max)
Uma nave cai num planeta distante e seus tripulantes tentam sobreviver enquanto aguardam um socorro que provavelmente não virá. A história não é muito original, mas a beleza desta animação está no planeta completamente fascinante e perigoso em que eles estão – a série parece ter sido concebida numa maravilhosa viagem de ácido.
Também teve isto:
Não, “Succession” não está nesta lista, assisti a episódios suficientes para não conseguir entender todo esse delírio coletivo que tornou a série essa obra-prima que ela não é. Sim, a morte do Logan é um belíssimo episódio, mas no geral é tudo repetitivo demais (todas as temporadas poderiam ser a mesma, os episódios são todos muito parecidos). Sinto muito, leitor, leitora. Aqui não. Nem me venha com “ai mas é shakespeariano” e não sei o quê.
“Ted Lasso”, que outrora figurava entre minhas favoritas, teve uma terceira temporada horrenda, sofrível, piegas, em que os roteiristas desistiram de fazer qualquer esforço para ter uma história boa e provavelmente pediram ao chat GPT pra escrever os finais de cada personagem. Que tristeza.
Também vi a péssima “Fleishman is in Trouble”, série bem machistinha e clichê sobre as dificuldades de um divórcio. Achei tão ruim que vi inteirinha esperando que alguma reviravolta ou revelação justificasse o roteiro uó. Mas não: era só ruim mesmo.
Sabe-se lá por que motivo, resolvi tentar dar mais uma chance a “Morning Show”, aquela série que teve uma primeira temporada maravilhosa sobre assédio sexual no trabalho, e aí resolveu estragar tudo na segunda temporada e tal. Pois bem, o terceiro ano da série é apenas inassistível. Socorro.
É do ano passado, mas só fui dar uma chance a ela este ano: “Andor” (Disney+/Globoplay). Que coisa boa, que história ótima – e olha que eu sei absolutamente zero do universo Star Wars.
Outra belezinha que descobri este ano, mais uma vinda da Coreia, foi “Mar da Tranquilidade”, uma minissérie de suspense que se passa numa estação na Lua. Boa demais, tá no Netflix.
Tirando isso, continuei a ver “Yellow Jackets” (mas acho que agora a série se perdeu, né), vi a nova temporada de “Black Mirror” por força do hábito (acho que tem uns dois bons ali no meio), estou atrasada mas gostei muitíssimo da terceira temporada de “Atlanta”, que tem alguns dos melhores episódios que eu vi em 2023, e estou gostando da quarta.
E é isso. Feliz ano novo! Que venha com muitas coisas boas, inclusive séries.

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Produção Eduardo Dj