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Allie X, canadense misteriosa que encanta fãs LGBTs, não gosta de pop e diz recusar festivais

Cantora de pop oitentista fala ao g1 como heterossexuais a incomodam, apesar de ser casada com homem. ‘Mundo seria melhor se mulheres e pessoas LGBTQ+ estivessem no poder.’ Allie X.
Divulgação
Alexandra Ashley Hughes, ou Allie X, é um caso de artistas gringas que ainda não chegou ao grande público, mas já tem fãs apaixonados por aqui. Natural. Há quem diga que tudo no Brasil tem fã.
Casada com um paulistano, Allie tem uma grande conexão com o país. Sem mostrar o rosto, a canadense falou com o g1 e sobre música. Segundo ela, as canções são pensadas para o público gay.
“As coisas aconteceram naturalmente. Sabe, quando eu era mais nova, ainda estava na escola, todos os meus melhores amigos eram gays. Eu sou uma millennial, então quando eu estava na escola as coisas eram muito mais brutais, não sei, nós não éramos muito aceitos e os heterossexuais eram tão ruins comigo e meus amigos.”
“Me perdoa se isso for ofensivo, mas eu não gosto da existência de tantos homens heterossexuais em posições de poder no mundo. Acho que o mundo seria um lugar melhor se mulheres e pessoas LGBTQ+ estivessem no poder”.
Ela tem cinco álbuns lançados, sendo o mais recente “Girl With No Face” (2024). O disco foge da música pop convencional, presente nos discos anteriores – e explora gêneros mais oitentistas.
Para promovê-lo, ela lançou um remix da música “Black Eye (Brazil Mix)”, pelas mãos dos brasileiros Tolentino, FRIMES e o FUSO. “Esse foi o primeiro album que fiz sozinha, sem colaborações, então tem mais o meu gosto musical sendo explorado, que é mais alternativo. Tem mais influências new wave”.
“Girl With No Face” é um disco pessimista, com canções sobre se sentir uma esquisita com raiva do mundo. As letras vêm acompanhadas de uma batida synth-pop. Nas últimas duas últimas músicas, Allie parece ter um pouco de esperança no mundo. Mesmo que seja mínima. O nome do álbum, segundo ela, surgiu porque se sentia uma “espécie de fantasma” na própria sala de casa.
Pop de nicho?
Allie tentou se desvincular do pop convencional porque “não quer fazer música de rádio”.
“Eu sou uma cantora pop, mas meio que desisti de escrever coisas para tocar na rádio, não sinto prazer em fazer algo desse tipo. Tem um monte de música pop boa, tem um monte de música pop ruim também. Meio que estou cansada de todas elas”.
“Não estou tentando criar algo que seja o futuro da música, pelo contrário, sempre enxergo a cultura como algo que pode ser reciclada. Esse álbum [Girl With No Face] reverencia os anos 70 e 80, então não pensei em fazer algo ‘novo’, só algo que eu goste”.
Preguiça de festivais
Allie já esteve no Brasil duas vezes, em 2016 e 2019 e, mas sempre fazendo shows solos. Geralmente, artistas que querem crescer no público brasileiro, acabam aceitando fazer festivais, mas ela não gosta muito da ideia.
“Acho que estou esperando a oferta certa, seria legal fazer festivais junto com algumas datas de turnê. Então veremos o que surge”, afirma a cantora, ainda sem planos de voltar ao Brasil para cantar.
Ela diz que fez show em só dez festivais na vida. “Nunca recebi boas ofertas. Espero que seja algo que mude com esse disco, mas sim, mas não me vejo como artista de festivais.”
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