Peste pneumónica. O que é, os riscos e como se transmite esta infeção

A morte da investigadora Darya Shipilova, trabalhadora de um laboratório na Rússia, levantou suspeitas de um possível surto de peste pneumónica. Na Sibéria foram colocadas pessoas em quarentena. As circunstâncias da morte ainda não são conhecidas. Apesar das suspeitas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera ser “muito baixo” o risco para a Europa de […]

Peste pneumónica. O que é, os riscos e como se transmite esta infeção
Peste pneumónica. O que é, os riscos e como se transmite esta infeção


A morte da investigadora Darya Shipilova, trabalhadora de um laboratório na Rússia, levantou suspeitas de um possível surto de peste pneumónica. Na Sibéria foram colocadas pessoas em quarentena. As circunstâncias da morte ainda não são conhecidas. Apesar das suspeitas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera ser “muito baixo” o risco para a Europa de um possível surto. Mas afinal o que é a peste pneumónica?

Piero Olliaro é professor de doenças infecciosas e explicou à BBC em que consiste esta condição. Revela que se trata de uma infeção pulmonar muito grave e que pode levar a sintomas como falta de ar, dor no peito e tosse com sangue.

O que é a peste pneumónica

“A peste em si não desapareceu: a bactéria que a causa, Yersinia pestis, persiste em reservatórios animais em muitas partes do mundo. Cerca de 200 espécies de roedores podem abrigar a bactéria, com reservatórios encontrados nas Américas, Eurásia e África”, continua o especialista.

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O professor acredita que o risco pode ser baixo, mas que é importante a vigilância. “Casos humanos são esporádicos e continuam a existir, mas a vigilância estabelecida, as medidas de controlo de infeção e o tratamento antibiótico eficaz são ferramentas importantes para limitar o seu impacto”, explicou.

A peste em si é uma doença infeciosa causada por bactérias encontradas em pequenos mamíferos. Pode contrair a doença ao ser picada por uma pulga infetada ou por estar perto de um animal infetado.

O especialista revela ainda que no caso da peste pneumónica existe também a possibilidade de uma transmissão de humano para humano. É através da tosse e das gotículas infectadas transmitidas pelo ar que tal pode acontecer. Contudo, é sempre preciso um contacto próximo com quem esteja infetado.

O tratamento e os riscos

Aponta também que algumas teorias sugerem que uma peste pneumónica possa ter estado na origem da conhecida como Peste Negra e que matou milhões de pessoas no século XIV.

À BBC a professora de imunologia Zania Stamataki explica que é importante que se façam estudos sobre a peste. “Entendo por que as pessoas acham alarmante a ideia da peste num laboratório, então vale a pena explicar por que esse trabalho existe.”

“A peste não é uma doença histórica. Permanece endémica em populações de roedores na África, Ásia e Américas, e casos em humanos ocorrem todos os anos, incluindo surtos da forma pneumónica.“

Desta forma, torna-se importante o trabalho em laboratórios de forma a melhorar o diagnósticos, o desenvolvimento de vacinas e a criação de novos antibióticos que estudem organismos vivos, explica a Zania Stamataki. Uma peste deste género se não for diagnosticada e tratada rapidamente pode ser fatal. Contudo, os antibióticos existentes respondem bem no tratamento.

“É tratável com antibióticos, principalmente se o tratamento for iniciado precocemente. É por isso que qualquer pessoa com alto risco potencial de exposição pode receber profilaxia pós-exposição com antibióticos ou quarentena”, revela o professor Malick Gibani também à BBC.

Esta sexta-feira, 25 de setembro, assinala-se o Dia Mundial do Pulmão. A propósito da data, conversámos com Amélia Feliciano, pneumologista e docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa.

Mariline Direito Rodrigues | 17:54 – 25/09/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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