
A corrida atravessou hoje a área classificada como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa, desde 1988, e como Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés pela UNESCO, desde 2009, com um grupo de 15 manifestantes a exibir mensagens como “Volta para trás” ou “Volta sim, na Mata não”, durante a sétima etapa, que ligou Vieira do Minho e a vila do Gerês (153 quilómetros).
Entre eles, encontrava-se Pedro Ribeiro de Castro, porta-voz de um grupo que quis transmitir a mensagem de que a Mata da Albergaria é “um espaço único e muito importante” no seio do Parque Nacional da Peneda-Gerês, pelo seu papel na conservação dos solos e na proteção das linhas de água, e alertar para os riscos de possíveis eventos futuros no local.
“Nunca foi nosso objetivo boicotar a prova e impedir que os ciclistas passassem. Quisemos alertar os municípios e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Isto pode criar um grande precedente. Se nos dissessem que vai passar uma caravana e não vai passar mais, o impacto em termos ambientais seria muito reduzido”, disse à agência Lusa.
O ativista realçou que a passagem pela Mata da Albergaria, na sequência da apresentação oficial da Volta a Portugal, decorrida em 08 de julho, o incentivou a reunir um “grupo informal cívico”, face à ausência de reações por parte de associações ambientalistas, a não ser a Zero, que alertou logo para os riscos do evento, antes de aplaudir as restrições anunciadas pelo ICNF, em 04 de agosto.
“Como o assunto era urgente e muitas associações só comentaram muito tardiamente, organizámo-nos. A Zero comentou antecipadamente, mas tomou uma decisão com que não concordamos”, referiu.
No entender de Pedro Ribeiro de Castro, deveria estar a discutir-se “a forma de começar a descomprimir o local”, vincando que, antes de “promover o local”, é preciso protegê-lo.
Convencido de que o facto de a caravana da Volta a Portugal retirar muitos carros que estariam no local para fruição turística, algo habitual em agosto, é “justificar um erro presente com um erro passado”, o ativista considerou que o itinerário da etapa de hoje poderia seguir outro caminho no seio do Parque Nacional.
O responsável assume “a sensação de dever cumprido” com a manifestação, apesar de reconhecer que a iniciativa juntou pouca gente, o que explica com o facto de o ativismo estar “a amansar” em Portugal.
“As pessoas não se incomodam com nada. Querem ficar no conforto dos seus lares, agarradas aos computadores e às redes sociais. Têm de os fazer, mas há um momento em que tem de se dar o corpo ao manifesto. Fomos poucos, mas conseguimos criar algum alarido social”, argumentou.
Além desse grupo informal, o PAN pediu ao ICNF que divulgasse os fundamentos do parecer a autorizar a passagem da Volta a Portugal na Mata da Albergaria e várias associações ambientais opuseram-se ao itinerário, entre as quais a Liga de Proteção da Natureza e a Quercus, que também alerta para o precedente e para a necessidade de se discutir o futuro do parque.
“Foi um momento oportuno para lançar este debate. Não nos interessa entrar numa situação de conflito, mas sim que haja um efetiva reflexão sobre o que devemos fazer para melhorar o nosso património natural”, disse à Lusa a presidente da associação, Alexandra Azevedo.
Disponível para dialogar com as várias entidades caso haja a intenção de atravessar áreas protegidas em futuras edições da Volta, a responsável considera que a fiscalização do dia a dia na Mata da Albergaria tem ficado aquém do desejável e crê que medidas de proteção só valorizam o Parque Nacional.
“Ter áreas melhores preservadas vai beneficiar toda a envolvente. Aí, são necessárias mais medidas de proteção e de valorização para a recuperação de mais bosque e, consequentemente, espécies de fauna, que são raras. Muitas só ocorrem na região”, acrescentou.
As variações no ritmo da sétima etapa da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta, decorrida hoje, também se sentiram no contraste nos ambientes sentidos durante as contagens de montanha Mata da Albergaria e de Germil.
Lusa | 23:36 – 13/08/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
