O que se sabe sobre o hantavírus na origem do surto em navio de cruzeiro?

O surto de hantavírus identificado no navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado ao largo de Cabo Verde, já causou três mortes e três pessoas que suscitam suspeitas foram hoje retiradas da embarcação. Duas outras pessoas estão hospitalizadas, uma em Zurique, na Suíça, e outra em Joanesburgo, na África do Sul, cujo ministro da Saúde informou […]

O que se sabe sobre o hantavírus na origem do surto em navio de cruzeiro?
O que se sabe sobre o hantavírus na origem do surto em navio de cruzeiro?


O surto de hantavírus identificado no navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado ao largo de Cabo Verde, já causou três mortes e três pessoas que suscitam suspeitas foram hoje retiradas da embarcação.

Duas outras pessoas estão hospitalizadas, uma em Zurique, na Suíça, e outra em Joanesburgo, na África do Sul, cujo ministro da Saúde informou hoje que a estirpe de hantavírus detetada no doente é a Andes, a única conhecida como sendo transmissível entre humanos.

Eis as principais perguntas e respostas sobre os hantavírus, de acordo com informação disponibilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS):

 

+++ O que são os hantavírus? +++

Os hantavírus são vírus zoonóticos – que podem ser transmitidos entre animais e humanos – estando cada um deles “tipicamente associado a uma espécie específica de roedor reservatório, na qual o vírus causa uma infeção de longa duração sem sintomas aparentes”.

 

+++ Como se transmitem? +++

A transmissão de hantavírus aos humanos ocorre através do contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infetados, principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar. A infeção também pode ocorrer, embora menos frequentemente, através de mordeduras dos animais.

O risco de exposição é por isso maior em atividades que envolvem o contacto com roedores, como a limpeza de espaços fechados ou mal ventilados, a agricultura, o trabalho florestal e o sono em habitações infestadas por roedores.

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+++ As infeções de pessoas por hantavírus são raras? +++

Sabe-se que um número limitado das muitas espécies de hantavírus identificadas em todo o mundo causa doença em humanos.

No caso do vírus Andes, encontrado na América do Sul, foi documentada uma transmissão limitada de pessoa para pessoa entre contactos próximos e prolongados.

Segundo a OMS, “as infeções por hantavírus são relativamente incomuns a nível global, mas estão associadas a uma taxa de letalidade de <1–15% na Ásia e na Europa e de até 50% nas Américas”.

Em todo o mundo, estima-se que ocorram anualmente de 10.000 a mais de 100.000 infeções por ano, com maior incidência na Ásia e na Europa.

 

+++ Que doenças causam? +++

Os hantavírus existentes na América do Norte, Central e do Sul podem causar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), uma doença respiratória grave.

Os encontrados na Europa e na Ásia causam febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), indicando a OMS que “a transmissão de pessoa para pessoa não foi documentada nesta parte do mundo”.

 

+++ Quais os sintomas da doença? +++

Nos humanos, os sintomas começam geralmente entre uma e oito semanas após a exposição e incluem tipicamente febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vómitos.

No caso da síndrome cardiopulmonar por hantavírus, “a doença pode progredir rapidamente” e provocar “tosse, falta de ar, acumulação de líquido nos pulmões e choque”.

Na síndrome hemorrágica com insuficiência renal (SHIR), os estádios mais avançados podem incluir pressão arterial baixa, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal.

O diagnóstico precoce da infeção por hantavírus pode não ser fácil, dado que “os sintomas iniciais são comuns a outras doenças febris ou respiratórias, como a gripe, a covid-19, a pneumonia viral, leptospirose, dengue ou sépsis”.

 

+++ Qual o tratamento? +++

Não existe tratamento antiviral específico ou vacina licenciada para a infeção por hantavírus, indica a OMS, acrescentando que “o tratamento é de suporte e centra-se na monitorização clínica rigorosa e no controlo das complicações respiratórias, cardíacas e renais”.

Um especialista explica a razão de os cruzeiros serem tão propensos a surtos e doenças. Se tem algum marcado para breve, é importante saber que cuidados deverá ter para se proteger durante a viagem.

Inês Morais Monteiro | 10:37 – 06/05/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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