O fumo do tabaco aumenta o risco de cancro nos animais domésticos

Este domingo, 31 de maio, assinala-se o Dia Mundial do Tabaco, cujo objetivo é sensibilizar a população para os perigos do tabaco e o seu impacto na saúde de quem fuma e de quem os rodeia – inclusive, os animais de estimação. A propósito do assunto, o Lifestyle ao Minuto esteve à conversa o médico […]

O fumo do tabaco aumenta o risco de cancro nos animais domésticos
O fumo do tabaco aumenta o risco de cancro nos animais domésticos


Este domingo, 31 de maio, assinala-se o Dia Mundial do Tabaco, cujo objetivo é sensibilizar a população para os perigos do tabaco e o seu impacto na saúde de quem fuma e de quem os rodeia – inclusive, os animais de estimação.

A propósito do assunto, o Lifestyle ao Minuto esteve à conversa o médico veterinário e diretor do serviço de referência em oncologia do AniCura Atlântico Hospital Veterinário, que falou sobre os impactos do tabagismo passivo nos cães e gatos.

De que forma o tabagismo passivo afeta a saúde dos cães e gatos?

O fumo do tabaco contém mais de 7.000 substâncias químicas, muitas das quais tóxicas e cancerígenas. Para um animal que vive dentro de casa, a exposição a estas substâncias pode ser contínua: pelo ar que respira, pelas superfícies onde descansa e, no caso dos gatos, através da ingestão de partículas acumuladas durante a autolimpeza.

A isto acresce o fumo terciário, os resíduos invisíveis que permanecem em tapetes, sofás e roupas muito depois de o cigarro se ter apagado. Trata-se de uma exposição silenciosa, mas com efeitos documentados no sistema respiratório e no risco oncológico a longo prazo.

Os riscos mais documentados incluem inflamação e irritação crónica das vias respiratórias, desenvolvimento ou agravamento de doenças respiratórias como asma e bronquite, e aumento do risco de alguns tipos de cancro.Quais são os principais riscos associados à exposição ao fumo do tabaco em animais domésticos?

Os riscos mais documentados incluem inflamação e irritação crónica das vias respiratórias, desenvolvimento ou agravamento de doenças respiratórias como asma e bronquite, e aumento do risco de alguns tipos de cancro. A exposição prolongada pode ainda estar associada a alterações biológicas mensuráveis, detetadas através de biomarcadores como a cotinina urinária, que confirmam que os animais absorvem compostos tóxicos presentes no tabaco. Em animais com predisposição genética ou doença prévia, os efeitos podem manifestar-se de forma mais precoce e grave.

Existe alguma diferença na forma como cães e gatos são afetados?

Sim. Nos cães, os efeitos manifestam-se sobretudo ao nível do sistema respiratório e, a longo prazo, no risco oncológico com tipos de tumor que variam consoante a morfologia do focinho. Nos gatos, a exposição combina via respiratória e digestiva, o que os torna particularmente vulneráveis. Além disso, os gatos tendem a passar mais tempo próximos do chão e realizam uma higiene corporal muito mais frequente e minuciosa do que os cães, o que aumenta significativamente a quantidade de compostos tóxicos a que estão expostos.

Os gatos apresentam maior vulnerabilidade por fatores comportamentais e fisiológicos.Porque é que os gatos são considerados o grupo de maior risco?

Os gatos apresentam maior vulnerabilidade por fatores comportamentais e fisiológicos. Os hábitos de autolimpeza levam à ingestão direta de compostos tóxicos acumulados no pelo, com contacto frequente das mucosas orais com cancerígenos. A par disso, passam grande parte do tempo junto ao chão e sobre superfícies onde as partículas mais densas do fumo se depositam. Esta conjugação de vias de exposição, respiratória e digestiva, está na base da associação científica entre tabagismo passivo e linfoma felino, com um risco aproximadamente duas vezes superior em gatos de lares com fumadores, assim como com o carcinoma de células escamosas, nomeadamente a nível oral.

Nos gatos, as doenças mais associadas à exposição ao fumo são o linfoma e o carcinoma de células escamosas, incluindo tumores orais.Que tipos de doenças podem surgir em animais expostos ao fumo do tabaco?

Nos gatos, as doenças mais associadas à exposição ao fumo são o linfoma e o carcinoma de células escamosas, incluindo tumores orais. Nos cães, a literatura científica documenta maior risco de cancro nasal, sobretudo em raças de focinho comprido, cancro do pulmão e cancro da bexiga. Em ambas as espécies, são também descritos problemas respiratórios crónicos, irritação ocular recorrente, alterações dermatológicas e agravamento de condições alérgicas pré-existentes.

Animais mais expostos ao fumo estão em maior risco de desenvolver doenças como o cancro?

Sim. A intensidade, a frequência e a duração da exposição influenciam o risco acumulado. Quanto maior a exposição crónica ao fumo, maior a probabilidade de desenvolvimento de alterações respiratórias e neoplásicas. Em animais com patologia pré-existente, predisposição genética ou idade avançada, esse risco pode ser mais relevante.

O tamanho do animal influencia a sua vulnerabilidade à exposição ao fumo?

O tamanho por si só não é o fator determinante, mas a morfologia influencia o tipo e a localização dos problemas.

Nos cães, a conformação do focinho é particularmente relevante: raças de focinho comprido, como Galgos ou Collies, têm uma maior superfície nasal disponível para filtrar partículas, o que aumenta o risco de cancro nasal. Raças braquicefálicas, como Bulldogs ou Pugs, têm menor capacidade de filtração nasal, pelo que as partículas atingem mais facilmente os pulmões, aumentando o risco de cancro pulmonar.

Em animais de menor porte, a relação entre a quantidade de ar inalado e o peso corporal pode também aumentar os efeitos da exposição.

Os sinais mais frequentes incluem tosse persistente, espirros recorrentes, respiração ruidosa ou com esforço, corrimento nasal ou ocular, infeções oculares de repetição, menor tolerância ao exercício, letargia, perda de apetite ou peso não justificada e alterações cutâneas como prurido ou vermelhidão.Que sinais podem indicar que um animal está a sofrer com a exposição ao fumo?

Os sinais mais frequentes incluem tosse persistente, espirros recorrentes, respiração ruidosa ou com esforço, corrimento nasal ou ocular, infeções oculares de repetição, menor tolerância ao exercício, letargia, perda de apetite ou peso não justificada e alterações cutâneas como prurido ou vermelhidão. Em gatos, lesões ou úlceras na cavidade oral são também um sinal de alerta relevante. Estes sinais surgem muitas vezes de forma gradual e são facilmente confundidos com envelhecimento ou outras causas, o que pode atrasar o diagnóstico. 

Que medidas podem os cuidadores adotar para proteger os seus animais?

A medida mais eficaz é não fumar dentro de casa nem em espaços fechados onde o animal permaneça. Fumar exclusivamente no exterior reduz a exposição, mas não a elimina, porque os resíduos do fumo podem regressar ao interior através da roupa, das mãos e de outros objetos. Por isso, lavar as mãos e mudar de roupa após fumar, antes de interagir com o animal, são medidas simples e úteis.

Higienizar regularmente superfícies, tapetes, camas e brinquedos do animal ajuda a reduzir a carga de fumo terciário acumulado. Garantir boa ventilação nos espaços partilhados e evitar fumar dentro do carro com o animal presente são também medidas importantes. Na consulta veterinária, informar sobre os hábitos tabágicos do agregado é clinicamente relevante e pode fazer diferença no diagnóstico precoce.

Em que casos deve ser feita uma ida urgente ao veterinário?

Deve procurar assistência veterinária urgente se o animal apresentar dificuldade respiratória grave, respiração com a boca aberta, sobretudo em gatos, mucosas com coloração azulada ou esbranquiçada, colapso ou incapacidade de se manter de pé, convulsões, ou suspeita de ingestão acidental de cigarros, beatas ou cartuchos de cigarro eletrónico, que podem causar intoxicação aguda por nicotina.

Fora das situações de urgência, qualquer sinal persistente como tosse, emagrecimento ou alteração do comportamento num animal com exposição regular ao fumo justificam consulta veterinária sem demora.

Um artigo de opinião assinado por Nuno do Carmo, médico veterinário e consultor Pet Remedy, sobre como as férias da Páscoa, que estão aí à porta, são um momento de calma para uns, mas podem ser um fator de stress para os animais de companhia.

Notícias ao Minuto | 13:58 – 27/03/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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