O “cidadão Pedro Proença” não pode dar uma perninha na FPF?

O futebol nacional tem um dom natural para autodestruir-se, de tal maneira que a temporada desportiva de 2026/27 ainda agora começou e a própria Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vive já uma situação limite, com a divulgação pública dos tão badalados áudios privados do presidente, Pedro Proença. Aquilo que é dito sobre o Benfica é […]

O “cidadão Pedro Proença” não pode dar uma perninha na FPF?
O “cidadão Pedro Proença” não pode dar uma perninha na FPF?


O futebol nacional tem um dom natural para autodestruir-se, de tal maneira que a temporada desportiva de 2026/27 ainda agora começou e a própria Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vive já uma situação limite, com a divulgação pública dos tão badalados áudios privados do presidente, Pedro Proença.

Aquilo que é dito sobre o Benfica é já grave o suficiente, mas o mais desconcertante é aquilo que se ouve relativamente aos árbitros. Ou melhor, o flic flac à retaguarda que o próprio dá sobre este tema em particular, fazendo a espinha estalar de forma tal modo arrepiante que nos faz questionar como é possível tardar tanto tempo a quebrar em definitivo.

Diz Pedro Proença que os árbitros “são todos muito fracos”, com exceção de “três ou quatro gajos minimamente competentes”, e que não há “uma nova geração”. Não se sabe ao certo a data destas conversas, mas, seguramente, não terá passado tempo suficiente para que o próprio se tenha, entretanto, convencido de que, afinal, a qualidade dos juizes é “inquestionável”.

Já no sábado, após a vitória do FC Porto sobre o Torreense, por 1-0, e consequente conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, o presidente da FPF veio a público pedir para que não se confunda “as opiniões do cidadão Pedro Proença” com “o papel atual e as opiniões formadas”, o que, parecendo que não, torna tudo ainda mais sério.

Isto porque o ponto de partida do “cidadão Pedro Proença” é exatamente a tomada de posição que é precisa de alguém com o seu estatuto, no cargo que ocupa. A qualidade geral da arbitragem nacional está aquém do desejado, e isso deve ser endereçado com urgência, até porque, como o próprio apontou, não se vislumbram melhorias a curto/médio-prazo.

É, efetivamente, necessário que, a partir do topo da pirâmide, se reflita sobre os motivos que levam a que, em Portugal, se produzam tantos e bons jogadores e treinadores, sem que os árbitros os consigam acompanhar. Os casos e casinhos da última época deixaram isso à vista de todos, e os indícios da nova também deixam a desejar.

O FC Porto-Torreense terminou com um lance, pelo menos, questionável na grande área azul e branca, quando Inbeom Hwang chocou com Dany Jean. André Narciso nada assinalou, e os VAR Luís Ferreira e Rui Silva consideraram, surpreendentemente, que nem motivos havia para que este revisse as imagens no monitor.

O “cidadão Pedro Proença” tem razão. Pena seja que o presidente Pedro Proença não o ouça, e prefira continuar a tapar o sol com a peneira, fazendo crer que tudo está bem, sabendo de antemão que bastará mais um ou dois casos envolvendo os denominados ‘três grandes’ para que a casa arda por completo com a época ainda a dar os primeiros passos.

Os árbitros não têm culpa. Dizia Jamie Carragher, há já largos anos, que “ninguém quer ser um Gary Neville”, referindo-se ao facto de os laterais de topo só o serem porque “fracassaram” enquanto defesas-centrais ou extremos. Mas é caso para ir mais longe e dizer que, ao dia de hoje, é difícil perceber ao certo por que alguém quererá ser árbitro.

André Narciso fez o melhor que pôde, no FC Porto-Torreense. Tal como o fez Gustavo Correia, em maio, no Famalicão-Benfica, ou, antes disso, João Gonçalves, em novembro, no Santa Clara-Sporting. Isso deve ser tornado bem claro, sob o risco de colocarmos em causa a própria justiça das competições desportivas.

Mas é preciso mais. É preciso, por exemplo, que tenham para onde olhar enquanto exemplo, e Pedro Proença, como ex-árbitro de elite, que fintou as hostilidades para ascender a um dos cargos mais importantes do futebol português, era o candidato ideal. Infelizmente, virou-lhes as costas e deixou-os à sua mercê.

Pedro Proença aproveitou a final da Supertaça Cândido de Oliveira para comentar a polémica atual em que está envolvido após vários áudios terem surgido nas redes sociais de conversas sobre a arbitragem, que considerou muito fraca nesses excertos.

Davide Rodrigues Araújo | 23:12 – 01/08/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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