
Se costuma acordar a meio da noite, não está sozinho. São várias as pessoas que passam pela mesma experiência, notando que é muito difícil adormecer depois.
O neurocientista Andrew Huberman falou sobre isto durante uma conversa com o médico Mark Hyman, conforme partilhado no Instagram.
“Muitas pessoas acordam às 3h ou às 4h da madrugada e não conseguem voltar a adormecer”, afirma.
“Eis a provável razão: é mais fácil forçarmo-nos a ficar acordados do que a adormecer. Se anda a acordar às 3h ou 4h, a não ser que beba demasiados líquidos, deverá estar a ficar sem melatonina”, sublinha.
“Isto quer dizer que fica acordado até tarde e, provavelmente, é uma dessas pessoas que deverá deitar-se às 8h30 e acordar às 3h ou 4h”, realça.
“As pessoas normalmente não gostam desta resposta porque pensam: ‘não, eu quero ser a pessoa que vai para a cama às 23h'”, sublinha.
Na visão de Huberman há “maneiras de alterar o ritmo circadiano” e ir para a cama um pouco mais cedo do que o habitual é uma delas. Assim, mesmo acordando a meio da noite, não se sentirá tão mal.
O neurocientista afirma que isto acontece porque normalmente a esta hora da noite os níveis de melatonina decrescem. “Se acorda com frequência a essas horas da noite deve-se à falta de melatonina, porque ficou acordado até demasiado tarde para o ritmo natural do seu corpo”, sublinha.
Segundo o neurocientista, quando se fica acordado até mais tarde a libertação de melatonina é atrasada. Ou seja, se acordar de qualquer forma de madrugada o segredo está em adaptar-se à própria biologia e não lutar contra ela.
Mas atenção que dormir mal pode fazer mal ao cérebro
Um estudo realizado recentemente pelo Instituto Karolinska, da Suécia e publicado pela revista eBioMedicine concluiu que dormir mal pode fazer mal ao cérebro.
“Como o sono é modificável pode ser possível prevenir o envelhecimento cerebral acelerado e, talvez, até mesmo o declínio cognitivo através de um sono mais saudável”, revelou Abigail Dove, investigadora do Departamento de Neurobiologia.
“Pessoas que dormiam mal tinham cérebros que correspondiam, em média, um ano a mais do que a sua idade real”, acrescentou Abigail.
Um novo estudo publicado pela revista eBioMedicine revela que os maus hábitos de sono podem contribuir para o envelhecimento precoce do cérebro e, consequentemente, aumentar os riscos de demência.
Mariline Direito Rodrigues | 08:45 – 08/10/2025
Fonte: Notícias ao Minuto
