Mourinho lança miúdos do Seixal, mas apostar é outra história

José Mourinho é um dos maiores treinadores da história do futebol, ainda que nos últimos anos tenha estado longe dos tempos mais dourados da sua carreira. Ao longo dos anos, Mourinho foi apostando em vários jovens desconhecidos que, mais cedo ou mais tarde, lhe deram razão e tornaram-se grandes figuras do futebol mundial – o […]

Mourinho lança miúdos do Seixal, mas apostar é outra história
Mourinho lança miúdos do Seixal, mas apostar é outra história


José Mourinho é um dos maiores treinadores da história do futebol, ainda que nos últimos anos tenha estado longe dos tempos mais dourados da sua carreira. Ao longo dos anos, Mourinho foi apostando em vários jovens desconhecidos que, mais cedo ou mais tarde, lhe deram razão e tornaram-se grandes figuras do futebol mundial – o caso mais recente mora no Real Madrid e chama-se Dean Huijsen.

Neste regresso ao Benfica, Mourinho parece continuar a privilegiar um olhar atento para os miúdos que tem à sua disposição, mas apesar de já ter lançado seis talentos tarda em torná-los verdadeiramente importantes numa equipa que está longe de ter figuras indiscutíveis, salvo raras exceções. Ora por querer evitar colocá-los debaixo de muita pressão – até porque a época do Benfica está a correr abaixo das expectativas – ora por falta de confiança. Só Mourinho saberá explicar os motivos que o levam a apostar em miúdos que depois faz ‘desaparecer’ da equipa principal. 

O exercício de tentar perceber o que seria deste Benfica se Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral tivessem tido, de facto, mais minutos seria sempre injusto, até porque o futebol não é um jogo previsível. No entanto, não deixa de ser estranha a gestão destes jovens formados no Seixal. 

Vamos aos factos. Ivan Lima foi a primeira aposta de Mourinho, em outubro, mas em janeiro foi ‘despachado’ para o Piast Gliwice, da Polónia. 

Seguiu-se a aposta em mais um ala. Rodrigo Rêgo também foi lançado na Taça e logo a titular contra o Atlético. Mourinho gostou da sua exibição, disse que era para continuar, mas o certo é que Rêgo não joga pela equipa A há quase quatro meses. 

Na Champions foi Tiago Freitas quem teve a felicidade de se estrear, entrando aos 90 minutos da vitória frente ao Napoli. Mourinho até o comparou a Ríos, mas o jovem médio não mais foi opção. 

Já em 2026, e depois de serem campeões mundiais de sub-17 por Portugal, surgiram José Neto, Daniel Banjaqui e Anísio Cabral.

O primeiro até se tinha estreado frente ao Napoli, somou mais cinco minutos frente ao Moreirense e foi titular contra o AVS. Desde então, já passou um mês. O segundo soma três jogos pela equipa principal, um deles na condição de titular, mas não soma minutos desde 1 de fevereiro. Resta, ainda, Anísio, que depois de marcar dois golos e renovar contrato apenas teve direito a 14 minutos de utilização na equipa A. 

No último sábado houve lugar a mais um momento no qual a aposta na formação ficou em segundo plano. António Silva mostrou problemas físicos em Arouca, teve de ser substituído e Mourinho optou por recuar Richard Ríos ao invés de apostar na estreia de Gonçalo Oliveira, que parece destinado a ser chamado apenas para ficar no banco de suplentes. 

Bem se pode dizer que para todas estas posições existem jogadores, no atual plantel, com argumentos que ajudam a explicar o afastamento destes jovens, mas não será o papel do treinador juntar a experiência de uns com a irreverência dos outros? 

Afinal de contas, não está no ADN do Benfica apostar nos jovens que vai formando no Seixal, depois de tantos talentos que não foram devidamente aproveitados em anos passados? 

É cedo para julgar Mourinho e a sua gestão dos vários talentos aos quais vai tendo acesso no Benfica, até porque não sabemos como estes se comportam no dia a dia do Benfica Campus, mas será que em 2026/27 o experiente treinador português irá consumar, de facto, uma verdadeira aposta na prata da casa? O tempo o dirá, mas até lá continua a imperar a sensação, para os lados da Luz, de que lançar não rima com apostar. 

O espaço de opinião de Carlos Pereira Fernandes, editor de Desporto do Notícias ao Minuto. Em análise, está o Sporting-Bodo/Glimt, jogo com o qual a Liga dos Campeões celebra a ‘morte’ da Superliga Europeia.

Carlos Pereira Fernandes | 07:48 – 02/03/2026

 



Fonte: Notícias ao Minuto

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