Mora e Mide na pegada de Vitinha: “Se o FC Porto não os potencia…”

“Como se fabrica um Vitinha?”. É esta a pergunta colocada, esta terça-feira, pelo jornal espanhol As, que chegou à fala com João Brandão, Renato Paiva e Hélder Cristóvão, no sentido de perceber como é que o médio se tornou, aos 26 anos de idade, no ‘coração’ do Paris Saint-Germain e da principal seleção de Portugal. […]

Mora e Mide na pegada de Vitinha: “Se o FC Porto não os potencia…”
Mora e Mide na pegada de Vitinha: “Se o FC Porto não os potencia…”



“Como se fabrica um Vitinha?”. É esta a pergunta colocada, esta terça-feira, pelo jornal espanhol As, que chegou à fala com João Brandão, Renato Paiva e Hélder Cristóvão, no sentido de perceber como é que o médio se tornou, aos 26 anos de idade, no ‘coração’ do Paris Saint-Germain e da principal seleção de Portugal.

O treinador do FC Porto B foi o primeiro a falar, e sublinhou que “Vitinha só há um”. Ainda assim, ‘abriu o livro’ a propósito da maneira como o clube tem vindo a trabalhar, no plano da formação, com o objetivo de criar outros craques desta categoria, como é o caso de Rodrigo Mora ou Mateus Mide, em quem deposita grandes esperanças.

“Se falamos de Vitinha, ou dos próximos talentos que vêm do FC Porto, como Rodrigo Mora, Mateus Mide… É interessante que todos têm algo muito parecido, que são os valores do FC Porto. Ser muito competitivos, apaixonados pelo jogo, pelo futebol do FC Porto…”, começou por afirmar o técnico de 43 anos de idade.

“A visão do clube é inegociável. É um clube vencedor. Na entrada do nosso centro de treinos, há uma frase que diz ‘Amamos quem odeia perder’, e isso é a base de todo. Além do 4x3x3 ou do 4x4x2, os valores são inegociáveis. Se não tens estes valores, podes ter uma técnica fantástica que vai ser difícil que consigas sobreviver”, acrescentou.

Gonçalo Brandão reconheceu que, se o FC Porto não for capaz de “potenciais jogadores tão importantes como Vitinha, Mora ou Mide, algo está a falhar”. Ainda assim, avisou que este processo não pode ser apressado, sob o risco de que estes jogadores, apesar do seu potencial, fiquem pelo caminho.

“Esta temporada, tivemos 27 juniores a treinar connosco, na equipa B. E houve 19 juniores ou da filial que treinaram com a equipa principal. São jogadores que, ainda que consigam estar preparados e tenham a sua oportunidade, é difícil, porque o nível da equipa principal é muito elevado. No futebol de elite não há tempo nem paciência”, refletiu.

“Todos têm um perfil muito parecido, de jogo associativo, de inteligência, de espaços… Mas cada um vai mantendo a sua originalidade. É um jogador que está cada vez mais estático, e, quando cada um consegue potenciar aquilo que faz muito bem, e o consegue fazer muito, muito, muito bem, é de um valor incalculável”, concluiu.

“O problema é que vamos criando cópias”

Hélder Cristóvão, antigo treinador do Benfica B, por seu lado, sublinhou que o facto de terem saído “vários jogadores tão bons na mesma geração é um pouco de casualidade e um pouco de trabalho”. Ainda assim, alertou para a importância de os treinadores não caírem na tentação de padronizarem os jogadores.

“Agora, o que se faz é um trabalho individualizado, com um treinador individualizado, para que o jogador se desenvolva tecnicamente. O problema é que vamos criando cópias (…). Estes treinadores vêm os jogos pela televisão e querem fazer o mesmo, dizendo às crianças como devem jogar”, lamentou.

Uma posição partilhada por Renato Paiva, outro ex-técnico da formação dos encarnados: “Os treinadores do futebol de base têm muita culpa, e os coordenadores, os seus chefes, também. O ego fala mais alto. Tens jogos às 11h00 da manhã e queres chegar ao almoço e dizer que a tua equipa ganhou, por 10-0, mas não te preocupas com o teu objetivo real, que é desenvolver jovens que ainda não são treináveis”.

“Eu não sou daqueles que dizem que [Pep] Guardiola fez mal ao futebol. Há gente que diz isso e deveria ser presa [risos], mas a verdade é que o futebol de tiki-taka, de passe, ganhou uma notoriedade muito grande com os êxitos de Barcelona e Espanha. E, depois, chegaram os imitadores”, referiu.

“Eu, durante muitos anos, vi milhares de jogos do futebol de formação, de 8, 9 e dez anos, nos quais o treinador pede ao jogador que não finte, para onde deve passar, quando tem de dobrar o extremo… A crianças de 8 e dez anos. Isto é um problema”, rematou.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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