
Março assinala o Mês de Sensibilização para o Cancro Colorretal, uma doença que continua a ser uma das principais causas de morte por cancro em Portugal e no mundo. Paradoxalmente, é também um dos cancros em que mais podemos intervir, prevenindo, diagnosticando precocemente e tratando de forma eficaz.
O cancro colorretal desenvolve-se, na maioria dos casos, de forma lenta, ao longo de vários anos. Frequentemente começa por pequenas lesões benignas do intestino chamadas pólipos. Estes podem permanecer silenciosos durante muito tempo, mas alguns acabam por evoluir para cancro. A boa notícia é que, quando identificados e removidos a tempo, esse processo pode ser interrompido.
Há várias medidas que cada pessoa pode adotar para proteger a sua saúde digestiva. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas e vegetais, associada à redução do consumo de carnes processadas, gorduras e álcool, contribui para diminuir o risco. A prática regular de atividade física, a manutenção de um peso saudável e evitar o tabaco são igualmente fatores importantes.
Contudo, mesmo com estilos de vida saudáveis, o risco nunca é totalmente eliminado. Por isso, é essencial estar atento a sinais de alerta que justificam avaliação médica. Entre os sintomas que devem motivar atenção estão a presença de sangue nas fezes, anemia sem causa aparente, perda de peso não intencional, alterações persistentes do padrão habitual do trânsito intestinal ou dor abdominal prolongada. Importa sublinhar que a maioria dos casos não causa sintomas nas fases iniciais, e é precisamente por isso que o rastreio é fundamental.
O rastreio do cancro colorretal permite identificar lesões antes de provocarem sintomas. Recomenda-se geralmente a sua realização a partir dos 50 anos. No entanto, face ao aumento da incidência em idades mais jovens, alguns países, como os Estados Unidos, já recomendam iniciar o rastreio aos 45 anos. Pessoas com história familiar de cancro digestivo ou outros fatores de risco podem beneficiar de rastreio ainda mais precoce.
Existindo diversos métodos de rastreio, a colonoscopia continua a ser o exame mais completo para avaliar o cólon e o reto. Permite não apenas observar diretamente a mucosa intestinal e realizar biópsias de eventuais lesões, como também remover pólipos durante o próprio procedimento, potencialmente prevenindo a evolução para cancro. Nos últimos anos, os avanços tecnológicos têm contribuído de forma significativa para aumentar a qualidade destes exames. Sistemas de endoscopia de alta-definição e ferramentas avançadas de imagem (por exemplo, a cromoscopia digital), como os desenvolvidos pela Fujifilm, permitem melhorar a visualização da mucosa e ajudar os médicos a identificar lesões mais precoces e subtis.
A tecnologia, ao tornar os exames mais seguros e permitir a deteção cada vez mais precoce de lesões, é apenas parte da solução. A sensibilização da população continua a ser crucial. Muitas pessoas adiam exames por receio, desconhecimento ou pela falsa ideia de que “se não há sintomas, está tudo bem”. No caso do cancro colorretal, esperar pelos sintomas pode significar perder a oportunidade de um diagnóstico numa fase inicial.
Falar sobre saúde digestiva, promover estilos de vida saudáveis e incentivar o rastreio são passos essenciais para reduzir o impacto desta doença. O Mês de Sensibilização para o Cancro Colorretal é uma oportunidade para reforçar esta mensagem: a prevenção salva vidas.
Cuidar da saúde do intestino não deve ser apenas uma preocupação ocasional, mas um compromisso contínuo. Informar, vigiar e agir atempadamente pode fazer toda a diferença, porque no cancro colorretal a prevenção está, muitas vezes, literalmente ao nosso alcance.”
Fonte: Notícias ao Minuto
