
Segundo um novo estudo publicado esta segunda-feira, 10 de novembro, no British Medical Journal, não existe ligação entre a toma de paracetamol na gravidez e casos de autismo. A nova investigação contradiz as afirmações de Donald Trump no passado mês de setembro.
Durante uma conferência, o presidente dos Estados Unidos afirmou que a toma de paracetamol durante a gravidez aumentava o risco da criança vir a nascer com autismo. Na altura já vários médicos alertaram para a falta de evidências científicas.
As afirmações aceleraram as conclusões deste estudo que revelou não existir qualquer tipo de ligação. O novo estudo analisou dados de outras investigações e concluiu que a ligação era baixa ou praticamente inexistente.
Estudo contradiz Trump sobre parecetamol
“As mulheres devem saber que as evidências existentes não comprovam uma ligação entre o paracetamol, autismo e a perturbação de hiperatividade e défice de atenção [PHDA]. Se mulheres grávidas precisarem de tomar paracetamol para febre ou dor, recomendamos que o façam, principalmente porque a febre alta na gravidez pode ser perigosa para o feto“, revela a obstetra Shakila Thangaratinam, uma das autoras do estudo.
Leia Também: Estudo. Pessoas que bebem em excesso poderão sofrer AVC 11 anos mais cedo
“Se houver histórico familiar de autismo e PHDA, seja nos pais ou nos irmãos, é provável que esse seja o motivo do diagnóstico da criança, e não algo que a mãe tenha tomado durante a gravidez”, continua a especialista.
O novo estudo analisou outras 40 investigações sobre o mesmo tema. Pelo menos uma possível associação foi feita em cada estudo, mas sete alertaram para a necessidade de alguma cautela na interpretação dos resultados.
Uso de paracetamol leva ao autismo?
Ao canal WPTV, a médica Sonja Rasmussen, professora na faculdade de medicina Johns Hopkins explicou que este anúncio é exagerado. “Não é preto no branco. Um estudo não estabelece causalidade. Não acho que haja evidências. Não estou dizer que seja impossível. As evidências agora não são tão claras quanto as apresentadas na conferência de imprensa de hoje e acho que isso é o mais importante”, revelou a médica.
Outras organizações nos Estados Unidos vieram dizer que não existe uma relação causal comprovada entre o uso de paracetamol na gravidez e o autismo. Ainda assim, as autoridades de saúde do país revelam que em breve os medicamentos podem vir a ter advertências e novas diretrizes de dosagens por parte dos médicos.
Lori Berman, senadora da Flórida, aponta que é necessário deixar a ciência trabalhar e não a política. “Talvez possa existir algum tipo de ligação, e deveríamos estudá-la mais a fundo, deveríamos entendê-la. Mas isso é muito diferente de dizer que é uma causa absoluta.”
A médica Elisha Broom revelou ao ABC que apesar de poder existir alguma ligação também acredita que as evidências não são conclusivas. Aponta que os estudos que foram feitos acabaram por não conseguir excluir outro tipo de factores como a genética e o meio ambiente.
Há ainda outro ponto que considera importante: o motivo pelo qual a grávida está a tomar paracetamol. Assim, a febre ou a infeção acabam por ser outro dos fatores que poderá afetar o desenvolvimento mental da criança.
Deu como exemplo um estudo publicado em 2024 que comparou irmãos e não encontrou associação entre o uso de paracetamol durante a gravidez e o risco de autismo. “Estamos muito confortáveis que o equilíbrio entre risco e benefício pende fortemente para o lado do benefício”, revela Elisha Broom.
Leia Também: Medicamento promissor reduz colesterol ‘mau’ em quase 50%
Fonte: Notícias ao Minuto