Lavar as mãos: Um gesto que devíamos fazer várias vezes durante o dia

“Há um gesto que todos fazemos (ou devíamos fazer) várias vezes durante o dia. Dura menos de vinte segundos. Não tem custos significativos. Não exige tecnologia. E continua a ser um dos mais eficazes na prevenção de muitas das doenças que conhecemos. Lavar as mãos. Parece óbvio. Mas não é, ou pelo menos não é […]

Lavar as mãos: Um gesto que devíamos fazer várias vezes durante o dia
Lavar as mãos: Um gesto que devíamos fazer várias vezes durante o dia

“Há um gesto que todos fazemos (ou devíamos fazer) várias vezes durante o dia. Dura menos de vinte segundos. Não tem custos significativos. Não exige tecnologia. E continua a ser um dos mais eficazes na prevenção de muitas das doenças que conhecemos.

Lavar as mãos.

Parece óbvio. Mas não é, ou pelo menos não é tão automático quanto gostaríamos que fosse. Quase metade das pessoas admite que nem sempre o faz nos momentos certos. E mesmo quem o faz, raramente cumpre o tempo recomendado. No projeto europeu SafeConsume, que estudou práticas na manipulação de alimentos em dez países, apenas 15 em cada 100 portugueses lava as mãos durante os vinte segundos considerados necessários para uma lavagem das mãos eficaz. Um dado que surpreende e que obriga a pensar.

A pandemia trouxe este gesto para o centro da nossa atenção. Aprendemos a lavar as mãos com uma consciência que nunca tínhamos tido. Depois, quando o perigo deixa de ser notícia, o hábito deixa de ser prioridade. É humano. Mas não é inofensivo.

A 5 de maio assinala-se o Dia Mundial da Higiene das Mãos. O lema deste ano, “Action saves lives”, não pede perfeição, pede constância. Porque o problema não está na falta de conhecimento. Aprendemos desde pequenos que devemos lavar as mãos. O problema está no espaço entre saber e fazer, e é nesse espaço que as doenças se instalam.

A higiene das mãos não é um gesto reservado a hospitais. Em casa, na escola, no trabalho ou na cozinha, as mãos tocam em tudo, alimentos crus, superfícies, telemóveis, puxadores de portas, e raramente nos apercebemos do que transportam de um sítio para o outro. A boa higiene é mais simples do que parece: fazer bem, nos momentos certos. Antes de cozinhar e antes de comer, depois da casa de banho, depois de tossir ou mexer no lixo, sempre que se muda do cru para o pronto a comer. Água e sabão, fricção cuidada, secagem adequada. O álcool gel é útil quando não há alternativa, mas há momentos em que só o lavatório resolve.

E o impacto é real e mensurável. Segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos), a higiene das mãos consistente pode reduzir os episódios de diarreia em até 40% e as doenças respiratórias em mais de 20%. Não são números para perfeccionistas, são números para quem tem filhos, pais idosos, ou simplesmente não quer adoecer. Para quem cuida. Para quem partilha uma mesa.

Se a pandemia nos deixou uma memória, que seja esta: as mãos limpas podem salvar vidas. As mãos fazem quase tudo. Que façam também isto.”



Fonte: Notícias ao Minuto

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