Inveja ou rivalidade? A palavra certa muda tudo

A inveja é uma das emoções mais reconhecíveis do ser humano e, paradoxalmente, uma das menos bem aproveitadas. Toda a gente já a sentiu de um lado ou do outro, e é precisamente essa familiaridade que a torna uma interessante porta de entrada para perceber como funcionam as marcas pessoais que se destacam. Mas a […]

Inveja ou rivalidade? A palavra certa muda tudo
Inveja ou rivalidade? A palavra certa muda tudo


A inveja é uma das emoções mais reconhecíveis do ser humano e, paradoxalmente, uma das menos bem aproveitadas. Toda a gente já a sentiu de um lado ou do outro, e é precisamente essa familiaridade que a torna uma interessante porta de entrada para perceber como funcionam as marcas pessoais que se destacam. Mas a mesma palavra que serve para explicar pode tornar-se um obstáculo quando o objetivo deixa de ser compreender e passa a ser resolver.

Quando uma marca pessoal brilha, atrai crítica. Esse fenómeno tem nome, está estudado e divide-se em dois movimentos opostos. A investigação académica distingue uma inveja que motiva a subir, a melhorar a própria posição, de uma inveja que motiva a puxar o outro para baixo, a danificar a posição de quem se destaca. Conhecer esta diferença é o primeiro passo para deixar de sofrer a crítica e começar a lê-la.

Existe, porém, um segundo nível, que poucos conhecem e que separa quem explica de quem gere. Em contextos de liderança e de crise, a palavra inveja deixa de ajudar. E o que a substitui não é um eufemismo, é uma ferramenta mais precisa. E dá-se pelo nome de rivalidade.


© Raquel Soares  

A inveja é um sintoma, não um defeito de quem a sente

A visibilidade tem um custo e o espaço que uma pessoa ocupa é o espaço que o outro sente ter perdido. A inveja nasce, precisamente, desse desencontro e não da falta de mérito de quem critica, mas sim do brilho de quem é criticado. Quem se destaca raramente é contestado apesar do seu êxito, é-o por causa dele. Reconhecer isto retira à crítica grande parte do seu poder, porque a transforma num indicador de relevância em vez de um veredicto sobre o valor do trabalho.

Nem toda a inveja é igual

A inveja tem dois rostos. Um é construtivo, observa quem está à frente e converte essa observação em energia para crescer, para entregar mais, para chegar também. O outro é corrosivo, não quer subir, quer que o outro desça e organiza-se em torno do desejo de ver a queda acontecer. A primeira move carreiras, a segunda move campanhas de desgaste. Saber distinguir as duas, em si e nos outros, é uma competência de marca pessoal antes de ser uma competência emocional.

O que se diz ao público e o que se diz à liderança

Para o grande público, inveja é a palavra certa. É reconhecível, é honesta, e abre a porta à compreensão de um mecanismo universal. Mas dentro de uma organização, perante uma equipa de liderança a atravessar uma crise, nomear inveja é contraproducente. Desmoraliza, paralisa e traz pequenez a quem precisa de clareza. A emoção fica no comando e a emoção, sozinha, não resolve.

Da inveja à rivalidade, é preciso recentrar para resolver

É aqui que entra a segunda abordagem. Em gestão de crise, substitui-se deliberadamente a inveja por rivalidade. Parece um pormenor, mas muda tudo. Inveja descreve um estado e fecha-o, rivalidade descreve uma posição e abre soluções. Rivalidade é um conceito relacional, estudado e sistematizado, que depende da proximidade, da semelhança e do histórico entre quem compete. Trocar a palavra traz distância, devolve foco e impede que a leitura do outro e da situação se reduza a uma ofensa pessoal. Recentra a mente no que se pode fazer, em vez de a prender no que se sente.

A escolha da palavra é uma decisão estratégica

Escolher entre inveja e rivalidade não é uma questão de vocabulário, é uma decisão de enquadramento que depende de quem está à frente e do que se pretende. Explicar como funciona a exposição pública pede uma palavra, conduzir uma equipa para fora de uma crise pede outra. A competência está em saber qual usar e quando. A mesma realidade, lida com a palavra certa, deixa de ser uma ferida para passar a ser um problema com solução.

O que protege uma marca pessoal nos dois cenários

Em qualquer dos casos, a defesa é a mesma e constrói-se antes de ser necessária. Uma reputação sólida, feita de consistência ao longo do tempo, funciona como uma reserva que a crítica pode consumir, mas dificilmente destrói. Quem responde com trabalho e com factos, e não com indignação, retira-se do terreno de quem ataca. A indignação valida a crítica, o resultado torna-a irrelevante. E uma organização que trata a marca pessoal dos seus líderes como um ativo a gerir, e não como um acaso que se espera que corra bem, não evita que a inveja ou a rivalidade existam, porque são inevitáveis. Evita apenas que uma delas se transforme num dano irreversível.

A gestão de marca pessoal é uma decisão tomada todos os dias, sobretudo nos dias em que ninguém está a ver.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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