Internet: Mais de metade dos jovens viu discurso de ódio no último ano

De acordo com o relatório “Novos usos, novos riscos? Direitos digitais de crianças e jovens (9-17 anos)”, a exposição a discurso de ódio aumenta de forma expressiva com a idade: cerca de um quarto das crianças entre os nove e os 11 anos refere ter encontrado este tipo de conteúdos, enquanto entre os jovens dos […]

Internet: Mais de metade dos jovens viu discurso de ódio no último ano
Internet: Mais de metade dos jovens viu discurso de ódio no último ano


De acordo com o relatório “Novos usos, novos riscos? Direitos digitais de crianças e jovens (9-17 anos)”, a exposição a discurso de ódio aumenta de forma expressiva com a idade: cerca de um quarto das crianças entre os nove e os 11 anos refere ter encontrado este tipo de conteúdos, enquanto entre os jovens dos 16 aos 17 anos a percentagem chega a 72%.

O relatório considera a exposição a mensagens ou comentários de ódio online uma dimensão central dos riscos digitais, tanto pela sua frequência como pelo impacto emocional associado.

Os conteúdos abrangidos incluem mensagens hostis dirigidas a pessoas ou grupos sociais com base, entre outras características, no género, origem étnica, religião, nacionalidade, orientação sexual ou deficiência.

As diferenças entre rapazes e raparigas são reduzidas quando considerada a exposição global, ainda que se registem diferenças segundo o estatuto socioeconómico.

A Comissão Europeia admitiu que a Lei de Serviços Digitais da UE não se aplica a conteúdos gerados fora do bloco, reconhecendo que a sua deteção e remoção depende da ação voluntária das plataformas de redes sociais.

Lusa | 15:51 – 11/08/2026

A exposição é referida por 45% dos jovens de estatuto socioeconómico baixo, 56% dos de nível moderado e 52% dos de nível alto.

O relatório identifica ainda uma exposição crescente a outros conteúdos negativos gerados por utilizadores, enquadrada pelos investigadores numa emergência de novos riscos cognitivos e informacionais.

Entre os conteúdos analisados estão teorias da conspiração, pornografia de adultos, imagens violentas ou repugnantes, desafios suscetíveis de provocar ferimentos graves, conteúdos relacionados com drogas e mensagens sobre formas de autoagressão.

No caso das teorias da conspiração, 37% dos inquiridos dizem ter sido expostos a esse tipo de conteúdos no último ano. A percentagem é de 47% entre os jovens dos 16 aos 17 anos.

IA não é a solução para todos os problemas, adverte Virginia Dignum

A investigadora portuguesa Virginia Dignum adverte, em entrevista à Lusa, que a inteligência artificial (IA) não é a solução para todos os problemas, apontando que esta tem sido uma narrativa vendida pelas ‘big tech’ (grandes tecnológicas).

Lusa | 10:10 – 29/08/2026

O relatório salienta que uma parte relevante desta exposição ocorre de forma não intencional, reforçando o papel das plataformas e dos seus sistemas de recomendação na circulação destes conteúdos.

Segundo uma das responsáveis pelo relatório, Cristina Ponte, investigadora no Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA), “todo este aumento da dramatização das emoções […] faz alimentar os algoritmos, isto está tudo ligado à inteligência artificial, algo que se intensificou muito nos últimos tempos”, disse à Lusa. 

Os resultados fazem parte do EU Kids Online 2025, um inquérito nacional realizado a 2.111 crianças e jovens dos nove aos 17 anos, que analisou os usos da internet, competências e literacia digital, direitos digitais, riscos e formas de mediação familiar e escolar.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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