
Nos últimos tempos têm-se debatido muito sobre questões como o feminismo e direitos das mulheres, sobretudo no que diz respeito ao aborto. Aliás, a questão do aborto abriu um debate polémico entre a jornalista Catarina Marques Rodrigues e a especialista em comunicação Rute Sousa na SIC Notícias, que foi depois amplamente comentado nas redes sociais. Isto porque Rute Sousa afirmou que “é sempre contra o aborto”.
Andreia Rodrigues fez questão de gravar um vídeo a partilhar publicamente a sua opinião, defendendo a “liberdade de escolher” sem “limitar a liberdade das outras”.
“Como mulher e mãe de duas meninas, quero começar por uma coisa que para mim é muito simples. A liberdade das mulheres também é a liberdade de escolher. Uma mulher pode querer trabalhar, construir uma carreira, ser mãe e continuar a trabalhar. Outra pode decidir ficar em casa, dedicar-se aos filhos e à família. E nenhuma dessas escolhas faz dela mais ou menos mulher, mais ou menos mãe, mais ou menos válida. Porque foi precisamente por isso, e também por isso, que tantas mulheres lutaram, para que hoje pudéssemos escolher”, começou por introduzir a apresentadora.
“Mas há uma grande diferença entre defender a nossa escolha e defender que essa escolha deve limitar a liberdade das outras. Quando ouvimos defender que uma mulher, ou até uma menina, vítima de violação não deve poder decidir sequer prosseguir uma gravidez resultante dessa violência, estamos a falar de outra coisa. Não estamos apenas a falar sobre aquilo que cada uma escolheria para si. Estamos a falar de retirar a outra mulher a possibilidade de decidir sobre o seu próprio corpo depois de ter sido vítima de um crime”, enalteceu.
“E podemos ter convicções pessoais, religiosas, morais, familiares, e temos todo o direito de viver de acordo com elas, mas uma convicção pessoal não pode transformar-se, de forma alguma, numa imposição sobre a vida e o corpo de outra pessoa”, frisou.
“E a mim preocupa-me a forma como algumas destas mensagens chegam aos mais novos. Porque retirar direitos raramente começa com alguém a dizer: vamos retirar os direitos às mulheres. Não, começa, muitas vezes, por tornar certas ideias aceitáveis, por romantizá-las, repeti-las, por nos fazer acreditar que direitos conquistados são exageros, ameaças à família. E não, não podemos confundir a liberdade para defender uma ideia com a liberdade para retirar às outras mulheres e às outras pessoas a possibilidade de escolher”, continuou.
“Acho particularmente perigoso quando começamos a associar tudo. Se defendes a família, então tens de pensar assim. Se és cristão, então tens de defender isto. Se tens estes valores politicamente, então tens de estar daquele lado. Não, podemos ter convicções pessoais profundas sobre determinados temas, podemos individualmente decidir que nunca faremos determinada escolha, não podemos retirar a outra pessoa – ou outras pessoas – a possibilidade de escolherem para elas próprias. Os direitos das mulheres não apareceram por acaso, não estiveram sempre aqui“, acrescentou.
“Ter voz, a independência, podermos votar, estudar, o direito a decidirmos sobre a nossa vida e o nosso corpo… Quero que as minhas filhas cresçam num mundo onde possam escolher ser mães ou não ser, ter uma carreira ou ficar em casa, casar ou não casar, pensar como eu ou discordar completamente de mim. Quero que elas tenham empatia suficiente para perceber que aquilo que escolherem para si, para elas, não tem de ser aquilo que outras mulheres escolhem”, destacou igualmente.
“E não quero também que elas tenham de voltar a lutar por direitos que a minha geração recebeu porque outras mulheres, antes de nós, tiveram a coragem de os conquistar. Podemos discutir ideias? Sim. Devemos discutir ideias? Claro que sim. Mas há uma coisa que não podemos fazer, dar os nossos direitos por garantidos. Temos de continuar a ser uma voz ativa nesse sentido, porque aquilo que foi conquistado também pode ser perdido“, concluiu.
Veja o vídeo de Andreia Rodrigues na galeria.
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Fonte: Notícias ao Minuto
