
A atriz brasileira Glória Menezes, que morreu hoje aos 91 anos, celebrizou-se em Portugal pelo desempenho em telenovelas como “Guerra dos Sexos”, tendo estendido a Lisboa a celebração de 40 anos de carreira, com a peça “Jornada de Um Poema”.
Glória Menezes, nome artístico de Nilcedes Soares Magalhães, nasceu em 19 de outubro de 1934, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul e viveu em São Paulo, onde se formou na Escola Superior de Arte Dramática e fundou a companhia de teatro Jovens Independentes.
Estreou-se na TV Tupi de São Paulo, na peça “Um Lugar ao Sol”, a que se sucedeu “A Estranha Clementine”, mas a sua revelação aconteceu no cinema, como coprotagonista de “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, um dos filmes fundadores do Cinema Novo brasileiro, Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1962.
O sucesso abriu-lhe as portas do horário nobre nas cadeias de televisão.
Na TV Excelsior, protagonizou a primeira telenovela diária brasileira, “2-5499 Ocupado” (1963), sucedendo-se produções como “Almas de Pedra” (1966) e “O Grande Segredo” (1966), até entrar para a Rede Globo, em 1968, como parte do elenco da telenovela “Sangue e Areia”.
A popularidade de Glória Menezes em Portugal teve origem nas telenovelas “Pai Herói” (1979) e “Guerra dos Sexos” (1983), seguidas de “Brega e Chique” (1987), “A Rainha da Sucata” (1990) e “A Próxima Vítima” (1995), entre outras produções transmitidas pela RTP e pela SIC, ao longo de mais de duas décadas, nas quais contracenou com o marido, o ator Tarcísio Meira (1935-2021), e com seu filho Tarcísio Filho.
Em 1996, destacou-se no Brasil por se recusar a prosseguir as filmagens de “Vira-Lata”, em protesto pela falta de qualidade da produção.
Só dois anos mais tarde regressaria à televisão, para interpretar “Torre de Babel” (1998), mantendo-se no ‘pequeno ecrã’ nos anos seguintes em produções como “Porto dos Milagres” (2001), “O Olhar do Vampiro” (2002), “Senhora do Destino” (2005), “Páginas da Vida” (2007), “A Favorita” (2009), “Louco por Elas” (2013) e “Totalmente Demais” (2016), a última telenovela em que participou.
No cinema, Glória Menezes entrou em filmes como “Independência ou Morte” (1972), de Carlos Coimbra, “O Caçador de Esmeraldas (1979), de Oswaldo Oliveira, e “Para Viver Um Grande Amor” (1984), de Miguel Faria Jr., sobre história de Chico Buarque.
No teatro, interpretou textos de William Shakespeare, Arthur Miller, Ettore Scola, Collin Higgins, Bernard Slade e Henry Gheon, que marcou a sua estreia nos palcos, em 1957, com a peça “Devoção à Cruz”.
Desde 2007, Glória Menezes retomava recorrentemente, em palco, a peça “Ensina-me a Viver” (“Harold and Maude”), de Colling Higgins, na base do filme homónimo de Hal Ashby.
Em 2001, no Teatro Tivoli, em Lisboa, a atriz fez a estreia portuguesa de “Jornada de Um Poema”, da norte-americana Margarete Edson, Prémio Pulitzer no ano anterior.
Glória Menezes assumia o papel de Vivian Bearing, uma professora de literatura nos últimos dias de vida, que desafiava a morte com sentido de humor e ironia, numa jornada dominada pelo poema “Death Be Not Proud” (“Morte, não te orgulhes”), de John Donne, autor britânico do século XVII.
Em 2025, a rede brasileira Globo dedicou um tributo à atriz.
A atriz Glória Menezes morreu esta terça-feira aos 91 anos no Rio de Janeiro, Brasil. A artista era uma das principais caras da televisão brasileira e teve uma carreira de mais de seis décadas. A causa da morte ainda não foi divulgada.
Notícias ao Minuto | 21:12 – 18/08/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
