
Já deve ter reparado que nas últimas semanas chegaram pães diferentes ao Lidl. Se ainda não notou, basta encontrar as variedades que têm o símbolo da Gleba. A padaria e a cadeia de supermercados fizeram uma parceria e passaram a estar disponíveis três produtos feitos com massa mãe.
“O consumidor é cada vez mais exigente com o pão que consome e procura. É nesse sentido que surge esta parceria: queremos tornar o pão artesanal e de alta qualidade ainda mais acessível ao dia a dia de todos”, revela em entrevista ao Lifestyle ao Minuto o CEO da Gleba, Diogo Amorim.
Um dos grandes desafios passou por adaptar os processos de produção de forma a manter a qualidade e os padrões da Gleba.
“O principal desafio foi adaptar os processos, como é o caso da fermentação natural, à escala de uma insígnia como o Lidl, garantindo que o crescimento do projeto não comprometia a qualidade do produto”, continua Diogo Amorim.
São três os tipos de pão da Gleba que estão à venda no Lidl© Lidl
O CEO da Gleba falou ainda do Processo Especial de Revitalização (PER) do qual a empresa está a passar, depois de ter sido prolongado o prazo da dívida. Diogo Amorim explicou que esta parceria em nada tem a ver com um resgate.
“A Gleba continua a crescer e a inovar, mas sem perder aquilo que esteve na origem do projeto: a vontade de fazer um pão verdadeiramente especial.”
Como surgiu esta parceria do Lidl com a Gleba?
A parceria surgiu da união de dois universos complementares: o desejo da Gleba de fazer com que o “pão de verdade” volte à mesa das pessoas e a missão do Lidl de oferecer a máxima qualidade ao preço mais acessível, apoiando simultaneamente a produção local. Juntos acabamos por dar mais um passo na missão de tornar este pão acessível a ainda mais pessoas.
Quais foram os principais desafios?
O principal desafio foi adaptar os processos, como é o caso da fermentação natural, à escala de uma insígnia como o Lidl, garantindo que o crescimento do projeto não comprometia a qualidade do produto. Foi necessário encontrar soluções que permitissem responder ao volume pretendido mantendo os mesmos princípios da Gleba. Esse equilíbrio só foi possível através de um trabalho muito próximo entre as equipas da Gleba e do Lidl.
Como foram escolhidos os pães que estão a ser vendidos? Haveria outras possibilidades?
Foram escolhidos três artigos para anunciar esta parceria: o Pão Massa Mãe (Sêmea de Trigo, um pão rústico), o Cacetinho Massa Mãe (um pão urbano e versátil) e o Lanche Misto (uma recriação de um clássico português), sempre com o princípio base de uma oferta de base portuguesa.
De que forma é possível garantir a qualidade destes pães que são vendidos no Lidl?
A qualidade é assegurada através da utilização de cereais 100% locais moídos por nós em mós de pedra, e da nossa massa mãe viva. Além disso, foi implementado um controlo de qualidade rigoroso por parte do Lidl, mediante uma cadeia logística de frio que preserva as características da massa até à cozedura nas lojas.
Os pães são sempre finalizados nas lojas? O que é feito pela Gleba e como é que chegam os pães às lojas?
Os pães são cozidos nas lojas Lidl, aliando a conveniência de várias fornadas diárias à integridade do produto. A Gleba é responsável por fornecer a matéria-prima (cereais e massa mãe) e por supervisionar e aprovar integralmente a receita e o processo produtivo. A produção, em grande volume, é assegurada por um fornecedor do Lidl, a Panike. Os pães chegam às centenas de lojas através de uma rede de logística de frio.
Esta foi uma forma de mais facilmente conseguir fazer chegar produtos da Gleba a todo o país?
Esta foi uma forma de concretizar um desejo comum de ambas as marcas de levar o pão de fermentação natural e de elevada qualidade a um maior número de casas. Os artigos resultantes desta parceria passam a estar disponíveis de forma permanente na secção de padaria das mais de 290 lojas do Lidl, de norte a sul do país, garantindo que qualquer família tenha acesso, independentemente do local onde viva.
Qual foi o principal objetivo desta parceria?
O objetivo central é a democratização da qualidade do pão artesanal em Portugal. Com esta parceria, queremos mostrar que a qualidade não tem de ser exclusiva. Juntamos o nosso know-how e a conveniência e escala do Lidl para tornar o pão de fermentação natural e de elevada qualidade acessível a mais pessoas, em todo o país.
É possível que venham a ser desenvolvidos mais produtos em breve?
Esta é uma parceria que se pretende de longa duração, pelo que estaremos sempre atentos às necessidades dos clientes.
Como tem sido a reação dos consumidores?
Tem sido fantástica. Temos o objetivo de garantir que toda a gente, de norte ao sul do país, tem acesso a pão da Gleba. Esta parceria com o Lidl representa mais um importante passo nesse sentido.
Neste momento, come-se melhor pão em Portugal?
O consumidor é cada vez mais exigente com o pão que consome e procura, se possível, optar por opções mais saudáveis, sustentáveis e saborosas. É nesse sentido que surge esta parceria: queremos tornar o pão artesanal e de alta qualidade ainda mais acessível ao dia a dia de todos.
Ainda há muitas pessoas que não conhecem o pão de fermentação natural? Ou que até acabam por não o comprar por ser mais caro?
O pão de fermentação natural tem vindo a crescer, mas era frequentemente visto como um consumo de nicho, com valores mais elevados devido aos processos de produção. Para combater a barreira do preço, esta parceria aposta na eficiência logística do Lidl para oferecer preços muito competitivos a artigos de elevada qualidade. Por exemplo, 0,22€ pelo Cacetinho ou 2,79€ pelo Pão Grande).
Neste momento, a Gleba está com um plano especial de recuperação aprovado que prolongou o prazo da dívida. Esta parceria é também estratégica neste plano de recuperação?
Esta parceria não se trata de um resgate à Gleba. O Processo Especial de Revitalização (PER) da Gleba já havia sido aprovado em março de 2026 com o acordo de mais de 90% dos credores. Esta união foca-se exclusivamente na intenção comum de “democratização” de um artigo artesanal, fortalecendo a marca Gleba que atua como um selo de qualidade que agora chega a muito mais pessoas.
Como têm sido os últimos meses da empresa e como se preveem os próximos meses e anos?
Os últimos meses têm sido positivos, estamos numa fase de consolidação e de ganhos de eficiência. Temos vindo a consolidar o projeto, a melhorar processos e a desenvolver novas parcerias que nos permitem cumprir a nossa missão. Olhamos para o futuro com ambição, mas sobretudo com a convicção de que ainda há muito por fazer para elevar a cultura do pão em Portugal.
Nunca foi um objetivo vender e deixar cair a empresa? Em que se agarrou para continuar evitar esse fim que alguns já pintavam?
Nunca. Desde o primeiro dia o objetivo sempre foi construir um projeto sólido e de longo prazo. Como qualquer empresa em crescimento, tivemos desafios e momentos difíceis, mas nunca deixámos de acreditar no propósito da Gleba nem naquilo que queríamos construir. O foco esteve sempre em melhorar, aprender e continuar a fazer chegar um pão melhor a cada vez mais pessoas.
A Gleba está de boa fermentação e recomenda-se?
Está, sem dúvida. A Gleba continua a crescer e a inovar, mas sem perder aquilo que esteve na origem do projeto: a vontade de fazer um pão verdadeiramente especial. Todos os dias trabalhamos para ter sempre esta capacidade de surpreender quem nos conhece, como é o caso desta parceria, e de quem nos descobre pela primeira vez.
Elisabete Ferreira, que em 2024 foi distinguida como a Melhor Padeira do Mundo pela União Internacional de Panificação e Pastelaria, é a nova embaixadora da padaria do Continente. Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, falou deste desafio, de como o pão é visto atualmente pelo consumidor e do que é importante valorizar.
Adriano Guerreiro | 08:41 – 21/08/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
