Futebol é o reflexo da sociedade. Há guerras e estamos a falar de jogo

O Sevilha vai estar frente a frente contra o Barcelona na 28.ª jornada da La Liga, mas a conferência de imprensa de antevisão ficou marcada pelos comentários de Matías Almeyda sobre a guerra no Médio Oriente.  O treinador foi questionado sobre uma angariação de fundos que está a acontecer entre os adeptos do Sevilha, com […]

Futebol é o reflexo da sociedade. Há guerras e estamos a falar de jogo
Futebol é o reflexo da sociedade. Há guerras e estamos a falar de jogo



O Sevilha vai estar frente a frente contra o Barcelona na 28.ª jornada da La Liga, mas a conferência de imprensa de antevisão ficou marcada pelos comentários de Matías Almeyda sobre a guerra no Médio Oriente. 

O treinador foi questionado sobre uma angariação de fundos que está a acontecer entre os adeptos do Sevilha, com destino a uma criança com cancro. Ora, na resposta, Almeyda não quis deixar de refletir sobre a importância que o futebol pode ter em causas sociais. 

“O futebol tem algo de muito bonito, que é o facto de despertar sentimentos. Para mim, o futebol tem sido utilizado como um remédio para muita gente, tal como o é para muitos de nós. Por isso, nesse sentido, pergunto: além do futebol, o que mais nos dá de comer?”, começou por dizer, citado pela Marca

“Digo que é uma grande gratidão, não é? O facto de o futebol nos permitir conhecer, pelo menos a mim, diferentes culturas, outros países, viajar de avião, conhecer outras pessoas, comer coisas deliciosas. A verdade é que, se não fosse pelo futebol, eu, pessoalmente, teria feito outro trabalho, que não sei qual seria”, prosseguiu. 

Contudo, o técnico dos sevilhanos acabou por começar a expressar a sua opinião sobre o conflito no Médio Oriente, provocada pelos ataques dos Estados Unidos da América e Israel ao Irão. 

“Agora, o futebol, isso é o que há de bonito, o que há de bonito no futebol. Agora, reparem também que o futebol é o reflexo, o fiel reflexo das sociedades, para mim. Porque hoje há guerras, e nós estamos a falar de um jogo. Isso significa que não nos importamos com nada. Essa é a parte triste disto, que, digamos, o negócio tem de continuar e tudo segue, não é? Há uma guerra, e nós, eu estou a dar voltas à cabeça a pensar como vai ser a equipa para ir jogar e quebrar estes 23 anos… Então, passamos de algo muito bonito para algo que é praticamente quase desumano, não é?”, afirmou. 

Matías Almeyda questionou as prioridades que são tidas atualmente, uma vez que existe caos humanitário em várias partes do globo.

“Porque dizes, e se cada míssil que lançam, vale 50 milhões de euros, acho eu, que gastaram. E depois dizemos, mas em África há fome. E eu, por que é que, em vez de gastarmos dinheiro nesses mísseis, não investimos 50 milhões de euros em arroz, na educação, não é? E continuamos a viver num mundo que é um mundo para nós próprios. E o que tenho tentado e o que vou fazendo no futebol é poder desfrutar dessa parte, de convidar alguém para um treino, de valorizar que, quando param aqui para te pedirem uma foto, embora para mim uma foto seja a mesma coisa, uma pessoa, mas sim dar-lhe valor porque fui jovem e não esquecer essa parte”, disse.

No seguimento da sua reflexão, apontou o objetivo de curar a criança adepta do Sevilha, lembrando que o futebol pode trazer essa alegria à vida das pessoas.

“Temos trazido, eu convido imensa gente para os treinos e vejo a ilusão que isso cria, a felicidade. E mais, no outro dia enviei-lhe a mensagem a dizer que quero conhecer a Josefa, vão operar a Josefa. Isso é o que há de bonito no futebol, algo que se perdeu”, prosseguiu. 

“Há 30 anos, eu vinha e havia adeptos a assistir aos treinos. Quero dizer, que pena que isso se tenha perdido, não é? Perdemos isso todos juntos. Quero dizer, será que isso vai voltar ou não? Porque preocupamo-nos sempre com outras coisas, mas não com a essência do folclore do futebol. Eu gostaria que voltássemos a esse folclore, o folclore do jogo, de as pessoas se divertirem, de estarmos mais juntos”, referiu. 

Por fim, o treinador do Sevilha garantiu que antes “não era assim” que o futebol era, afirmando que há uma “separação” entre “jornalistas, treinadores, árbitros”. Matías Almeyda pediu desculpa pela longa intervenção, mas deixou um apontamento sobre o que considera ser o futuro da sociedade. 

“Bem, evidentemente, socialmente, para mim o mundo está a retroceder, em todos os aspetos, e todos fazemos parte disto, não é? Desviei-me para outro assunto, mais pelo coração, desculpem”, finalizou. 



Fonte: Notícias ao Minuto

PUBLICIDADE

Leia mais