
Ter amigos ficou mais caro e pode deixá-lo em apuros no que diz respeito ao dinheiro que tem de gastar para manter a amizade. O fenómeno, descrito como ‘friendflation’ pelo Financial Times, nota que, atualmente, muitas pessoas têm gastado mais dinheiro, de maneira a corresponderem às expectativas que o seu círculo de amizade tem sobre elas.
Um claro exemplo são os casamentos. Segundo o jornal, as estatísticas dizem que o custo médio para ir a um casamento subiu para os 530 euros, enquanto o valor para participar numa despedida de solteiro no Reino Unido são 888 euros, em média.
Ora, esta tendência de aumento de custos estende-se agora a relações de amizade.
Para as mulheres, as amizades não saem baratas, com as inquiridas a referirem que, por ano, desembolsam 2.700 euros. No caso dos homens, os valores ultrapassam os 3.000 euros.
Cerca de 44% dos inquiridos notaram que a distância é um dos principais obstáculos à amizade… e à sua carteira.
Os participantes do inquérito revelam que, em média e por ano, gastam 668 euros em viagens, 632 euros em presentes de aniversário e 530 euros em outras despesas.
Apesar dos números elevados, quase um terço das pessoas, cerca de 32%, afirmou que o dinheiro gasto com os amigos valia cada cêntimo. 12% afirmou que preferia ver os amigos, mesmo que isso significasse cortar em outros gastos.
A pesquisa revelou ainda que os adultos mais jovens, com idades entre os 25 e 34 anos, são os que mais gastam em viagens com amigos.
Em declarações ao Financial Times, o professor Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, realçou que há cada vez menos opções de espaços nos quais as pessoas se possam reunir sem gastar dinheiro, como por exemplo jardins ou parques, e que isto constitui um problema.
“Não há dúvida que esse conceito de terceiro espaço está em declínio. Há poucos espaços onde se pode conviver sem ter de se pagar”, destacou.
Assim, na visão do professor, “as pessoas tentam criar experiências que simulam a amizade, mas que são caras”. Desta forma, acabou por se normalizar “viagens de amigos”, por exemplo.
Já para a socióloga Jenny Van Hooff, há alternativas às quais se poderá recorrer se quisermos poupar. “Rituais de baixo custo, como caminhar juntos, partilhar uma refeição em casa e ter uma longa conversa podem ter mais significado do que planos caros. Em última instância, trata-se valorizar a ligação em vez do consumo”, disse em declarações ao Huffington Post.
Manter amizades por muito tempo pode prolongar também a sua saúde, mas tudo depende do tipo de amizade. Este estudo revela que as pessoas que nos são mais próximas podem representar um indicador de saúde, na medida em que permitem e influenciam os nossos hábitos ou estados de humor.
Inês Morais Monteiro | 09:40 – 16/10/2025
Fonte: Notícias ao Minuto
