Felipe VI prepara visita histórica a Ceuta e Melilla após 20 anos

O rei Felipe VI vai fazer nas próximas semanas a primeira visita em 20 anos de um chefe de Estado espanhol a Ceuta e Melilla, anunciou hoje o primeiro-ministro de Espanha. O monarca vai transmitir “o compromisso absoluto do Estado” com os dois enclaves espanhóis no norte de África, alvo de reivindicações de soberania por […]

Felipe VI prepara visita histórica a Ceuta e Melilla após 20 anos
Felipe VI prepara visita histórica a Ceuta e Melilla após 20 anos



O rei Felipe VI vai fazer nas próximas semanas a primeira visita em 20 anos de um chefe de Estado espanhol a Ceuta e Melilla, anunciou hoje o primeiro-ministro de Espanha.

O monarca vai transmitir “o compromisso absoluto do Estado” com os dois enclaves espanhóis no norte de África, alvo de reivindicações de soberania por parte de Marrocos, disse Pedro Sánchez, numa intervenção no parlamento nacional, em Madrid.

“Estas cidades são há séculos espanholas e desde aquele tratado [com Marrocos de 1865] são espanholas por acordo diplomático. E asseguro-vos que, por parte do Governo de Espanha, vão continuar a sê-lo até ao final dos tempos”, declarou Sánchez.

As visitas de Felipe VI vão ocorrer depois da entrada de mais de 70.000 pessoas em Ceuta de forma ilegal, em 30 de julho, e serão as primeiras a Ceuta e Melilla do atual chefe de Estado, que está no cargo desde 2014.

A última visita de um Rei de Espanha a Ceuta e Melilla foi em 2007, nas únicas deslocações aos enclaves que fez Juan Carlos I, o pai de Felipe VI.

As deslocações de poucas horas a cada uma das cidades de Juan Carlos I desencadearam então uma crise diplomática com Marrocos, que retirou temporariamente o embaixador de Madrid.

A imprensa espanhola, citando diversas fontes da época, noticiou que as visitas do anterior monarca foram anunciadas a Marrocos e negociadas com Rabat, com a reação das autoridades marroquinas a ser já a esperada por parte de Madrid.

Pedro Sánchez, que está no parlamento a dar explicações sobre o ocorrido em Ceuta no final de julho, revelou que o Governo de Espanha chamou há alguns dias a embaixadora de Rabat em Madrid, Karima Benyaich, para protestar por “declarações inaceitáveis” de dois ministros marroquinos nas últimas semanas relacionadas com Ceuta e Melilla.

Os dois ministros defenderam a libertação dos dois territórios e reivindicaram a soberania de Marrocos sobre Ceuta e Melilla.

Na intervenção no parlamento, o primeiro-ministro reiterou não existirem, até agora, provas de uma ação “desenhada ou executada” por Marrocos em Ceuta, em julho, mas reconheceu pela primeira vez que existem “dúvidas, indícios e perguntas que estão ar” sobre o papel e a atuação das autoridades de Rabat.

Reconheceu também que “é evidente que depois do ocorrido”, a cooperação com Marrocos, país que tem um “papel chave na gestão dos fluxos migratórios” para Espanha, “tem de ser diferente” e têm de ser revistos os “mecanismos de coordenação e alerta” que o Governo tem com o Estado marroquino para “construir garantias adicionais”.

Lembrando que Ceuta e Melilla têm as únicas fronteiras da Europa no continente africano, Pedro Sánchez avançou que Espanha vai solicitar “presença permanente” da agência europeia Frontex em Ceuta, assim como uma missão específica da Europol nesta cidade.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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