
Fundada em 2022, a Favorite People é uma das marcas portuguesas mais promissoras do momento. Nasceu do sonho de Rita Rugeroni (já conhecida pelo seu percurso na rádio) e da irmã, Madalena Rugeroni, de fazer jardineiras para crianças. Perante os muitos pedidos para que a coleção fosse alargada a mulheres, eis que a marca, que se distingue pelo seu lado colorido e ligado ao revivalismo, ganhou um novo fôlego.
Entretanto, surgiram outros convites irrecusáveis: um deles de uma produtora da Netflix Espanha, para uma série, e outro do Le Bon Marché, o conceituado espaço multimarcas em Paris.
O Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com Rita e Madalena no dia do lançamento da nova coleção, La Cantina, inspirada num dos maiores prazeres da vida: comer à mesa com amigos e familiares.
Em que é que se inspiraram para criar esta coleção?
Rita: Cada coleção tem uma história muito específica. Eu penso, normalmente, enquanto diretora criativa a história que eu quero contar às pessoas, a mensagem que queremos transmitir, muito mais do que roupa.
Desta vez, partiu da nossa caixa de pizza, a nossa ferramenta de marketing mais forte. Um dia estava a preparar uma encomenda na loja e, cheia de fome, lembro-me de pensar: “apetecia-me comer uma pizza e estar em casa com os meus filhos ou num jantar com amigos”.
Porque não fazer uma coleção que fale exatamente sobre isso? Sobre as relações que temos à mesa com a nossa família e os nossos amigos, da ligação que se cria nestes momentos de partilha? É esse convite que queremos fazer às pessoas: sentarem-se à mesa com as suas Favorite People [pessoas preferidas] e aproveitarem esses momentos.
Como é que chegam aos designs da roupa? E como é que preveem se algum vai resultar ou não?
R: Aquilo que vai ou não resultar é a pergunta de 1 milhão de euros [ri-se].
Madalena: Há coisas que sabemos que resultam em modelo, porque começamos com o produto herói, que são as jardineiras, que vão estar sempre presentes nas coleções. Agora, à medida que vamos crescendo, vamos expandindo o leque de produtos e vendo o que tem mais sucesso ou não. Eventualmente, replicamos nas coleções seguintes.
As jardineiras continuam a ser as mais vendidas?
M: Sim… Continuam ser as mais vendidas.
Pegaram em algo que era muito usado nos anos 1990. Como é que surgiu esta ideia de fazerem jardineiras?
R: Porque não havia… Vestíamos imenso jardineiras quando éramos crianças e a minha mãe, ainda hoje, tem para os nossos filhos e havia muita coisa com cor e padrão que não há. Hoje vestimos aos nossos filhos as jardineiras que eram nossas. Pensei: porque não fazer? Mas nunca achei que fosse ter esta adesão.
M: O que fizemos com a Favorite People foi trazer esse revivalismo, uma peça que estava meia morta e enterrada para a ribalta e não é só uma peça de roupa.
Lançámos uma marca de jardineiras para crianças e depois uma coisa que fomos percebendo era que havia muito esta procura para jardineiras de mulher. Fizemos um primeiro teste e encomendámos um número irrisório. Esgotaram em duas horas.Lançaram a marca em 2022. Estavam à espera que tivesse este sucesso e crescimento?
M: Lançámos uma marca de jardineiras para crianças e depois uma coisa que fomos percebendo era que havia muito esta procura para jardineiras de mulher. Fizemos um primeiro teste e encomendámos um número irrisório. Esgotaram em duas horas. Daí esta expansão natural e orgânica, que nem tínhamos pensado. Hoje temos mulher a comprar tanto para elas, como para os próprios filhos.
Se alguém quiser comprar as jardineiras da Favorite People, onde é que o pode fazer?
M: Pode encontrar nos CascaiShopping, nas Amoreiras, em breve vamos ter no NorteShopping.
Também já chegaram a Paris. Como é que surgiu a oportunidade?
R: Foi um trabalho que fizemos e sempre muito intencional, não foi ao acaso. Quando lançámos a Favorite People sabíamos que não queríamos que fosse uma marca que só vendesse em Portugal. O crescimento nacional foi feito ao mesmo tempo que o internacional.
O convite para o Le Bon Marché surgiu dois anos e meio depois de estarmos sempre presentes nas feiras internacionais. Há esta coisa de perceber se a marca vai durar seis meses ou um ano. Percebi que foram acompanhando a marca e, quando sentiram que estávamos numa fase mais madura para conseguir de cumprir a responsabilidade, acabaram por fazer o convite e nós aceitámos.
É preciso ter os contactos certos e de nos posicionarmos: não queremos estar em todo o lado, mas nos lugares certos.
Quais foram os maiores desafios que encontraram? Empreender em Portugal não é fácil.
M: Tudo o que fazemos é fabricado em Portugal implica custos mais altos. Também foi intencional desde o início. Para além disso, a expansão internacional dá muito trabalho. Essa vontade de vender e de apresentar a marca tem de ser recorrente. É preciso ter os contactos certos e de nos posicionarmos: não queremos estar em todo o lado, mas nos lugares certos.
A série deve estrear este verão… O convite surgiu no ano passado. Quando recebemos o e-mail achei que era spam e, entretanto, percebemos que era real. A Netflix Espanha, inclusive, pediu para usar as vossas jardineiras numa série, a “Toda la Verdad de Mis Mentiras”, baseada num livro da escritora Elísabet Benavent.
R: A série deve estrear este verão… O convite surgiu no ano passado. Quando recebemos o e-mail achei que era spam e, entretanto, percebemos que era real.
M: No ano passado também entramos em Espanha com algum fulgor. Acho que o mercado também nos recebeu bem.
Para as mulheres que querem começar um negócio, qual o conselho que lhes dariam?
R: O conselho que eu daria é ter disponibilidade, muita capacidade de trabalho e resiliência. Sem estas três coisas, infelizmente, não se consegue. Eu tinha a ilusão de que quando tivesse um negócio ia trabalhar menos, porque fazia os meus horários, podia ter mais dias de férias… E eu não só trabalho mais, como trabalho 10 vezes mais do que quando estava na rádio (embora fosse um horário diferente). Há uma necessidade de estar presente no negócio, sobretudo numa fase embrionária.
M: Ideias há muitas, mas executar é totalmente diferente. Antes de partir para a parte da execução é importante ter um plano de negócios. Tenho uma ideia gira e quero avançar com ela sem perceber se o negócio é viável ou não. Falo por experiência própria, porque já tive outro negócio que não era viável financeiramente e acabou por não avançar. É preciso pensar nesta viabilidade e calcular se tem pernas para andar. No fundo ter a responsabilidade de perceber se consegue fazer em paralelo com o trabalho, antes de se atirar de cabeça e despedir-se.
Vânia Fonseca criou esta marca pensada para mulheres. Além de perfumes já estão a ser pensados mais produtos de cosmética. Saiba mais sobre esta marca em mais uma rubrica Feito em Portugal.
Adriano Guerreiro | 11:31 – 13/01/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
