Falámos com uma personal organizer e descobrimos o segredo: “Desapego”!

No contrarrelógio do dia a dia, uma gaveta ou uma estante desorganizada pode parecer o fim do mundo e, em muitos casos, é mesmo! Numa conversa exclusiva com o Lifestyle ao Minuto, Ruth Oliveira, personal organizer também conhecida pela longa relação que nasceu no programa “Casados à Primeira Vista” da SIC, conta-nos que quando um ambiente […]

Falámos com uma personal organizer e descobrimos o segredo: “Desapego”!
Falámos com uma personal organizer e descobrimos o segredo: “Desapego”!


No contrarrelógio do dia a dia, uma gaveta ou uma estante desorganizada pode parecer o fim do mundo e, em muitos casos, é mesmo!

Numa conversa exclusiva com o Lifestyle ao Minuto, Ruth Oliveira, personal organizer também conhecida pela longa relação que nasceu no programa “Casados à Primeira Vista” da SIC, conta-nos que quando um ambiente à sua volta está desorganizado, tende a “bloquear”.

Contudo, não é isso que a impede de crescer no mundo da organização. Ruth Oliveira organiza eventos sobre o tema, incentiva pessoas através das redes sociais, tem projetos que visam acumuladores compulsivos e acima de tudo: Transforma o caos em clareza e, por isso, também deixa bem claro quais é que são os itens que mais odeia. “Não os posso ver à frente”, confidencia.

Saiba de que artigos de casa é que estamos a falar e descubra outras recomendações que esta especialista de organização nos deixou e que prometem ser dicas valiosas para uma vida e uma casa mais organizadas.

Leia abaixo a entrevista completa.

Qual foi o ponto de viragem para se tornar uma pessoa organizada?

Desde pequena, as minhas brincadeiras eram montar casas para as Barbies, organizar quartos e criar divisões. Eu e a minha irmã mais velha adorávamos mudar o quarto e fazer “limpezas” às roupas — nossas e até da nossa mãe.

Com apenas 4 anos, andava sempre com pá e vassoura na mão. Encontrava paz em colocar ordem. Nos escuteiros, fazia parte da “brigada das limpezas” com uma grande amiga minha, a Catarina.

Mais tarde, em Erasmus, era conhecida como a “mãe da casa”: limpava, organizava e cozinhava.

Como começou o interesse pela arrumação?

Começou quando eu era muito pequena. Cresci numa família maioritariamente composta por mulheres, muitas delas nascidas em Moçambique, num contexto onde receber bem era essencial e as famílias eram grandes e muito presentes.

A minha avó materna era muito à frente do seu tempo em tudo o que envolvia casa, organização e cozinha. Transmitiu esse gosto pela decoração, jardinagem e culinária às suas filhas. Costumo dizer que venho de uma família de cuidadoras: Mesmo com ajuda em casa, todas sabiam fazer tudo, com disciplina e método — e isso passou para as gerações seguintes, incluindo para mim.

Sempre tivemos um olhar muito apurado para o belo e para o estético, cada uma à sua maneira. No Brasil, as minhas tias também são assim — casas irrepreensíveis, tanto no bom gosto como na organização.

O que é considerado ser alguém organizado no mundo atual?

A base da organização mantém-se: Desapego constante. Vivemos num mundo extremamente consumista, e se estamos sempre a trazer coisas para dentro, temos de deixar outras sair.

Organizar passa por criar categorias, por exemplo, roupa interior, pijamas, partes de cima, calças, estações do ano, etc.

Em termos práticos, o que é que tem vindo a mudar?

Os recursos. Hoje temos muito mais organizadores como cestos, colmeias e cabides específicos. Antigamente não havia tanta variedade, mas ainda assim organizava-se. Lembro-me de cabides para várias calças que hoje já não considero funcionais.

E que cabides são esses? 

Os cabides que não aconselho são os cabides de lavandaria, finos de ferro e aqueles demasiado grossos de fatos, mas em relação a estes últimos caso haja espaço é ok.

Os cabides que aconselho são estes:

Cabides de veludo – peças femininas que escorregam 
Cabides infantis – para calças de senhora para não escorregar 
Cabides de madeira (QB) gosto principalmente para roupas mais pesadas, blazer são mais naturais, mas também ocupam muito espaço 
⁠Cabides de plástico com a ponta arredonda

Os que não posso ver à frente são os cabides de lavandaria, odeio mesmo, mas se as pessoas quiserem manter … a palavra final é do cliente.

Foi organizada desde sempre?

Não ao nível de hoje. Tinha muito mais coisas — por exemplo, já tive cerca de 20 carteiras e hoje tenho apenas 4.

Com o tempo, tornei-me mais desapegada e adquiri técnicas que não conhecia, como a organização vertical e a dobra tipo envelope. Mas já tinha o hábito de organizar por categorias.

As mudanças de país ensinaram-me muito: tudo tinha de caber em duas malas de 32kg.

A organização é inata ou aprende-se?

Tal como em tudo, há quem tenha mais facilidade natural e há quem desenvolva com prática. A organização pode (e deve) ser aprendida. Muitas vezes, a maternidade traz essa necessidade — os horários e rotinas obrigam a mais método e planeamento.

Qual a relação entre organização e mente?

No meu caso, é total. Se o ambiente estiver desorganizado, eu bloqueio. 

Não consigo trabalhar se houver desordem à minha volta — vejo sempre algo para fazer. A desorganização afeta claramente o estado mental de qualquer pessoa. Há uma diferença enorme entre estar num espaço limpo e organizado ou num ambiente caótico.

Porque é que acumulamos coisas?

A principal razão é o apego emocional: Os objetos representam memórias.

Depois há a insegurança: Algumas pessoas associam o “ter” ao “ser”. Sentem que, sem aqueles objetos, perdem identidade.

Também existe a carência: Pessoas que passaram por escassez tendem a acumular como uma forma de proteção.

E há ainda casos mais graves, ligados a distúrbios psicológicos, onde existe acumulação até de bens perecíveis.

Quais são as suas prioridades ao organizar?

Funcionalidade e leveza visual. Um espaço deve ser prático, fácil de usar e, ao mesmo tempo, visualmente limpo e apelativo.

Quais são os ingredientes essenciais da organização?

  • Paciência
  • Perseverança
  • Consistência
  • Método

Como é que se pode manter a organização a longo prazo?

O mais importante é o desapego constante. Idealmente, aplicar isto quatro vezes por ano, a cada mudança de estação em todas as áreas: Roupa, cozinha, papelada, produtos, etc. E depois criar sistemas:

  • Agrupar categorias no mesmo lugar
  • Evitar itens espalhados
  • Usar organizadores (cestos, colmeias) para manter tudo visível e acessível

Organização aplica-se, por exemplo, também à caixa de e-mail?

Sim, totalmente. Eliminar o que não interessa e depois organizar por categorias ou pastas, exatamente como numa casa.

Como intervém com acumuladores compulsivos?

Nunca trabalho sozinha. É essencial acompanhamento psicológico.

Enquanto organizadora, faço perguntas direcionadas, ajudo a definir objetivos e implemento métodos de seleção e organização.

Tem apoio psicológico nesses casos?

Sim, é indispensável.

Trabalho com a psicóloga clínica Paula Ramos, que acompanha todo o processo: Consultas, visitas e presença nas sessões de desapego, garantindo suporte em tempo real.

Que divisões mais impactam a saúde mental?

As mais utilizadas, o quarto, que deve ser um refúgio de descanso, e a cozinha que, quando desorganizada, torna-se um foco de stress diário.

Que recomendações práticas deixa? 

 • Fazer a cama todos os dias (arejar primeiro e depois fazer)
 • Manter rotinas simples
 • Fazer seleções regulares
 • Regra de entrada/saída, ou sejam entra um, sai outro

Qual o melhor método para arrumar?

Temos de perceber que arrumar é diferente de organizar. Arrumar consiste em dar um sítio a algum objeto, enquanto organizar se traduz num sistema com lógica.

Mas um bom exemplo é passar de um cesto só para massas para um local onde estejam todas juntas, sempre no mesmo sítio.

E para aprimorar esse método, rotinas são fundamentais:
 • Definir dias para tarefas
 • Criar compromisso (ex: lavar roupa num dia, arrumar no seguinte)

Tem workshops ou projetos futuros previstos?

De momento, não tenho eventos planeados. O meu grande foco é encontrar uma empresa, instituição ou canal de TV que abrace o projeto de acumuladores “Convida-Me”, pois preciso dessa estrutura para chegar a mais pessoas. Já tenho parceiros e voluntários, falta apenas essa base sólida para expandir o impacto.

A prática milenar chinesa de Feng Shui é conhecida pela harmonização de espaços e por atrair boas energias. Além da disposição dos móveis, estes especialistas recomendam que se livre destes 6 itens para recuperar a energia e a organização que precisa.

Inês Morais Monteiro | 20:00 – 08/04/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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