Ex-PSV solto após acidente que matou criança: “Quero voltar a jogar”

Rai Vloet deu, na passada quarta-feira, por terminada a pena de 20 meses de prisão a que foi condenado, depois de em novembro de 2021, ter estado envolvido no acidente de viação que matou Gio, um menino de quatro anos de idade, ocorrido na autoestrada neerlandesa A4, nas imediações da cidade de Hoofddorp, nos Países […]

Ex-PSV solto após acidente que matou criança: “Quero voltar a jogar”
Ex-PSV solto após acidente que matou criança: “Quero voltar a jogar”



Rai Vloet deu, na passada quarta-feira, por terminada a pena de 20 meses de prisão a que foi condenado, depois de em novembro de 2021, ter estado envolvido no acidente de viação que matou Gio, um menino de quatro anos de idade, ocorrido na autoestrada neerlandesa A4, nas imediações da cidade de Hoofddorp, nos Países Baixos.

A investigação concluiu, na altura, que o ponta de lança estaria sob o efeito do álcool, e que seguia a cerca de 200 km/h, não tendo, sequer, procurado travar ou desviar-se do veículo onde se encontrava a criança, na companhia da família, ainda que o próprio tenha mentido ao alegar, primeiro, que não estaria ao volante, e, depois, que não estaria embriagado.

Numa extensa entrevista concedida à edição desta quinta-feira do jornal neerlandês Twentsche Courant Tubantia, o próprio quebrou o silêncio, dizendo perceber que “as pessoas estejam zangadas”, mas sublinhando que pretende prosseguir com a carreira de futebolista, após passagens por clubes como PSV, Frosinone ou Sint-Truiden.

“Haverão muitas pessoas que não quererão dar-me uma segunda oportunidade. Basta pesquisar o meu nome no Google que a primeira coisa que veem é essa história. Isso é algo com o qual tenho de lidar e aceitar (…). Os pais são as maiores vítimas de tudo isto. Foi um erro terrível, naquela noite”, começou por afirmar.

“A possibilidade de ter ou não uma segunda oportunidade no futebol foi a minha motivação. Toda a gente diz que toda a gente merece uma segunda oportunidade, mas, na prática, isso nem sempre é verdade (…). Acho que vou ser recordado como alguém que voltou disto forte, mesmo que tenha cometido um grande erro. Permaneci eu mesmo. Nunca desisti de sonhar”, prosseguiu.

“Eu gostaria [de voltar a jogar], mas não há um dirigente que se atreva a dar esse passo. As pessoas com as quais falei dizem ‘Rai, como jogador, nós contratávamos-te imediatamente, mas, tendo em conta as reações dos adeptos, dos patrocinadores, da administração e da comunicação social, não vemos como é que isso poderia funcionar”, completou.

“Os outros reclusos diziam-me ‘Segue em frente, é nisto que tu és bom'”

Rai Vloet, que alinhava ao serviço dos russos do FK Ural aquando da leitura da sentença, revelou, de resto, que trabalhou, na prisão, com o propósito claro de voltar a jogar ao mais alto nível: “Eu pensei que poderia sentar-me e não fazer nada, ou que poderia tentar garantir que o tempo não seria completamente desperdiçado, para tentar tornar o castigo em algo tão positivo quanto possível, para mim mesmo”.

“No início, passas um período de tempo tremendo deitado. Foi por isso que eu fiz muitas flexões e treinei as pernas, ou, então, levantava um cesto da roupa com umas quantas garrafas de água. Assim, conseguia treinar os bíceps”, relatou o jogador, que festejou o 31.º aniversário no passado dia 8 de maio, ainda na prisão.

“Na ala do exercício, eu tinha muitas conversas com outros reclusos. Toda a gente dizia ‘Segue em frente, é nisto que tu és bom’. Isso motivou-me muito. Eu quero mesmo terminar a minha carreira com uma nota positiva, não que isso seja impossível, depois da prisão. Por isso, continuei a treinar e abordei isso como se algo fosse acontecer”, acrescentou.

“Tu não esqueces como jogar futebol. Normalmente, eu ainda teria mais quatro ou cinco anos [de carreira] pela frente. Talvez mais. O meu corpo teve algum descanso, é claro. Isso pode ser uma vantagem”, concluiu.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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