Europa quer afirmar-se no Espaço apesar de entalada entre China e EUA

Os industriais esperam assinar numerosos contratos no Grand Palais, que acolhe este evento de dois dias, aberto pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para o qual foram convidados 120 Estados. O tema do acesso ao Espaço designa um mercado em plena explosão. Segundo um estudo da PwC, divulgado na terça-feira, a economia espacial mundial, que superou […]

Europa quer afirmar-se no Espaço apesar de entalada entre China e EUA
Europa quer afirmar-se no Espaço apesar de entalada entre China e EUA



Os industriais esperam assinar numerosos contratos no Grand Palais, que acolhe este evento de dois dias, aberto pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para o qual foram convidados 120 Estados.

O tema do acesso ao Espaço designa um mercado em plena explosão.

Segundo um estudo da PwC, divulgado na terça-feira, a economia espacial mundial, que superou 500 mil milhões de dólares em 2025, pode atingir os 1,1 biliões (milhão de milhões) de dólares até 2035, assente nas comunicações por satélite, na navegação, na observação da Terra, nos serviços de lançamento e nas atividades em torno da Lua.

Sobre a questão de a Europa ter lugar neste futuro, Mathieu Luinaud, quadro da PwC, considera que o Velho Continente “tem a sorte de ter imenso capital humano, engenheiros no aeroespacial e o conjunto das profissões do setor”.

Por seu lado, a Deloitte alertou para uma estagnação europeia, apelando a “encomendas públicas garantidas” e a uma melhor coordenação dos investimentos, para evitar que os Estados-membros se reduzam a fazer os seus próprios projetos.

“A questão da cimeira é santuarizar e ativar o lugar da Europa, entalada entre os EUA e a China que são os principais polos”, acentuou.

O astronauta francês Thomas Pesquet, embaixador do evento, deplorou, por seu lado, os “sobressaltos da geopolítica”.

“O espacial é um assunto onde estamos obrigados a trabalhar em conjunto. Quando as pessoas são obrigadas a trabalhar em conjunto, não estão necessariamente sempre contentes. E, sobretudo, sofremos os sobressaltos da geopolítica”, acentuou na televisão francesa TF1.

Assim, a questão da partilha das frequências que deve estar no centro das discussões não pode ser abordada, perante a ausência das norte-americanas SpaceX e Blue Origin, que faltaram, com rumores de pressão da Casa Branca.

A saída dos EUA de alguns programas conjuntos com a Europa levou os europeus a interrogarem-se sobre a sua dependência dos EUA e o seu papel na exploração lunar.

A capacitação de voos tripulados voltou ao topo da agenda.

O diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), Josef Aschbacher, defende uma nova ambição, garantindo que a Europa pode desenvolver voos tripulados com “custos razoáveis”.

O ArianeGroup, que desenvolveu o Ariane 6, garantiu na segunda-feira que o lançador europeu pode ser adaptado aos voos tripulados.

“O voo tripulado tem possibilidades para outros setores industriais, a pesquisa médica contra o cancro,… mas para isso precisamos de astronautas”, realçou Luinaud.

A cimeira realiza-se quando Donald Trump fixou o objetivo de mil lançamentos até 2030, ao passo que a Europa, cujos lançamentos contam-se por dezenas, arrisca uma penúria de lançadores até 2030, segundo o diretor da ESA.

A empresa chinesa LandSpace conseguiu em agosto recuperar o primeiro andar do lançador Zhuque-3 comparável ao Falcon 9 da SpaceX, enquanto a Europa ainda não testou qualquer foguetão reutilizável.

A MaiaSpace, filial do ArianeGroup, que desenvolve um foguetão reutilizável, só prevê o seu primeiro voo de ensaio no segundo semestre de 2027, apesar de já ter fechado cinco contratos para 12 lançamentos.

A sua concorrente, a alemã Isar Aerospace, colocou no sábado um foguetão em órbita lançado da Noruega, na que foi uma novidade para um foguetão desenvolvido pelo setor privado da Europa continental.

Na vertente política, as divergências franco-alemãs e a ausência de Friedrich Merz arriscam reduzir a dimensão do evento.

Segundo o meio La Lettre, franceses e alemães estiveram a discutir a elaboração de uma declaração pró-europeia comum da Comissão e dos 27, mas a Alemanha recusa os critérios de preferência europeus que a França deseja aplicar aos 60 mil milhões de euros dedicados ao Espaço no próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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