
Há vários fatores que aumentam o risco de demência, muitos deles relacionados com genética e envelhecimento. No entanto, vários estudos têm vindo a apontar para algo modificável: a quantidade de álcool que se consome.
Uma nova revisão científica publicada na revista Addicton juntou as melhores evidências científicas sobre como o álcool afeta a saúde a longo prazo. Segundo pesquisadores, o consumo excessivo de álcool não é apenas um fator de risco entre muitos – este também pode ser responsável pela maioria dos casos de demência precoce.
Como é que o estudo foi conduzido?
Tratando-se de um estudo de revisão bibliográfica, os investigadores reuniram as evidências mais notórias sobre álcool e saúde, muitas provenientes de estudos que acompanharam os participantes durante anos. Ao todo foram compiladas 56 análises e inferidas as conclusões mais sustentadas para cada uma delas.
O que o estudo descobriu?
A revisão percebeu uma forte ligação entre o consumo excessivo de álcool e demência, incluindo nos casos em que a doença surge mais cedo.
Quase todos os estudos concordaram que o consumo excessivo de álcool aumenta o risco de declínio cognitivo e várias formas de demência.
A descoberta mais relevante veio de um estudo francês, que apurou que o consumo excessivo de álcool foi associado à maioria dos casos de demência precoce e a um risco três vezes maior de desenvolver a doença.
Tal acontece porque o consumo excessivo de álcool pode desencadear a inflamação no cérebro, expor as células cerebrais a um stress prejudicial e enfraquecer a barreira protetora que protege o cérebro de substâncias nocivas.
Além disso, os efeitos do álcool no coração e nos vasos sanguíneos podem contribuir para a demência vascular, uma forma comum causada pela redução do fluxo sanguíneo para o cérebro.
Como em todos os estudos, também esta revisão apresenta algumas limitações. Por se tratar de uma revisão, as suas conclusões dependem diretamente das pesquisas analisadas.
Como é que isto se aplica à vida real?
Ao contrário da idade ou do histórico familiar, a sua relação com o álcool é algo que poderá mudar. Reduzir o seu consumo está associado a um menor risco.
Se não sabe por onde começar, considere os seguintes passos:
– Analise de forma honesta a quantidade de álcool que ingere;
– Se consume álcool em excesso, fale com um profissional de saúde de forma a elaborar um plano que ajude a reduzir o consumo;
– Alimente outros hábitos que contribuam para a saúde do cérebro, como manter-se fisicamente ativo, dormir bem e cuidar da saúde do coração.
A forma como conduz pode revelar sinais sobre o risco de desenvolver demência, doença que afeta a memória, a perceção espacial e a capacidade de reação. Especialistas alertam que alguns dos primeiros sinais poderão surgir ao volante, mesmo antes de um diagnóstico.
Mariline Direito Rodrigues | 08:00 – 31/05/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
