Enquanto houver um boavisteiro, o Boavista não morre. Foi um até já

João Gonçalves vive um futuro incerto na carreira, depois de ter rescindido contrato com o AVS no passado mês de janeiro. Atualmente sem clube, o guarda-redes procura manter a ‘normalidade’ de um atleta no seu dia a dia, enquanto aguarda que um próximo projeto lhe dê o que não tem tido nos últimos anos: “Estabilidade”. […]

Enquanto houver um boavisteiro, o Boavista não morre. Foi um até já
Enquanto houver um boavisteiro, o Boavista não morre. Foi um até já


João Gonçalves vive um futuro incerto na carreira, depois de ter rescindido contrato com o AVS no passado mês de janeiro. Atualmente sem clube, o guarda-redes procura manter a ‘normalidade’ de um atleta no seu dia a dia, enquanto aguarda que um próximo projeto lhe dê o que não tem tido nos últimos anos: “Estabilidade”.

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o jogador de 25 anos revelou de que forma é que tem passado os seus dias e como tem aproveitado para se tornar cada vez mais completo enquanto atleta.

“Tenho trabalhado no campo pontos mais individuais para limar alguns aspectos técnicos e também tenho feito bastante trabalho psicológico. Portanto, acho que tem sido um período de progressão para depois, quando surgir o projeto que eu considerar que seja o adequado para mim, estar melhor do que nunca”, começou por dizer.

O guardião diz-se pronto para ingressar num novo projeto a qualquer altura, mas as oportunidades que surgiram não foram ao encontro do desejado por parte de João Gonçalves e do seu empresário. Isto porque tem bem definido os requisitos que procura para uma nova aventura.

“Se eu tivesse que definir uma palavra para o que procuro, seria estabilidade. Porque sinto que, nestes dois últimos anos, tudo o que eu não tive foi estabilidade, tanto no Boavista, como no AVS. Então, não estou a olhar para divisões, nem países. Estou a olhar para estabilidade, para ter ritmo de jogo, para evoluir, para, depois sim, eu poder dar o próximo passo na minha carreira”, continuou.

A carreira de João Gonçalves tem passado pelo futebol português, pelo que uma passagem pelo estrangeiro seria do seu agrado.

Gestão mental sobre futuro de incerteza

Quando questionado sobre a forma como tem gerido mentalmente o seu futuro, João Gonçalves admite que a ansiedade tem feito parte do processo, ainda que procure manter-se ocupado.

“Claro que a ansiedade faz parte deste processo e desta fase, porque é aquela incerteza de quando é que o telefone vai tocar, quando é que as coisas vão acontecer. Mas tenho-me focado no que eu posso controlar. Apesar de não estar num clube, tento manter a minha rotina, levantar cedo e treinar como faria se estivesse num clube. E tenho tentado ocupar ao máximo o meu dia em atividades e, ao mesmo tempo, estar a retirar algo de bom para mim, estar a evoluir”, afirmou.

Mesmo com esses dissabores, garante que não está arrependido por ter rescindo contrato com o AVS, uma vez que sentia a necessidade de arriscar.

“Eu podia perfeitamente ter ficado na minha zona de conforto e não tinha problema nenhum, mas eu sou ambicioso e foi nessa base que decidi arriscar e não estou a arrependido. É verdade que ainda não surgiu o projeto pelo qual eu ambicionava quando tomei essa decisão, mas tenho retirado coisas muito boas deste período”, contou.

“Esta fase está colocar-me à prova nesse sentido e sinto que estou a superar muito bem. Mas também noutros sentidos e sinto que, acima de tudo, está a preparar-me para esse novo projeto. Acho que o próximo clube para onde eu for vai ter, claramente, a minha melhor versão, porque tenho a certeza de que sou um jogador totalmente diferente. Não que sentisse que algo estava errado em mim, nada disso. Mas acho que temos sempre espaço para evoluir e estou a aproveitar muito esta fase para isso, para evoluir”, referiu.

João Gonçalves fez apenas oito jogos ao serviço do AVS. © Getty Images  

Sonhos por cumprir

João Gonçalves diz que, tal como todos os outros jogadores, tem o sonho de “jogar ao mais alto nível”. Para além disso, aponta a Liga dos Campeões como um palco que gostaria de pisar, sem esquecer a ambição de representar a seleção nacional.

Depois de ter tido o “prazer e o orgulho de ser internacional sub-21”, o guarda-redes admite que vestir a camisola das quinas seria o “auge”, sendo esse o seu “maior desejo” na carreira.

Amor ao Boavista e mágoa com a saída

João Gonçalves terminou a sua formação no Boavista e por lá se manteve até se estrear na equipa principal. Seguiram-se cinco temporadas ao serviço dos axadrezados, que culminaram numa saída indesejada fruto da decadência do clube rumo às distritais.

Por esse motivo, o jogador luso não esconde que foi um processo difícil, agravado pelo facto de se ter lesionado gravemente durante praticamente toda a época.

“Foi muito difícil porque era uma época que eu tinha definido como a minha época de afirmação. Na anterior tinha sido totalista e aquela era a época em que eu considerava que me pudesse destacar. Faço as primeiras quatro jornadas e tenho uma lesão grave que me impede de jogar o resto da época. E foi difícil acima de tudo porque ver o clube naquelas condições, ter acabado como acabou, a termos divisão, o Boavista não merece”, exprimiu.

“O Boavista é um clube enorme, claramente pertence à I Liga e é um clube que deve lutar por títulos, sem dúvida. Tem uns adeptos incríveis e eu sendo da casa, vivendo tudo do lado de fora, foi difícil”, prosseguiu.

Notícias ao Minuto João Gonçalves foi dono da baliza do Boavista por 45 ocasiões, depois de se ter afirmado nas camadas jovens. © Getty Images  

Por fim, João Gonçalves não esconde que deixou o Boavista de uma forma que não gostaria e garante que se imagina a regressar ao clube para terminar a sua carreira.

“Acho que devo muito ao Boavista porque foi o clube que me lançou e gostava de ter saído de outra forma. Mas também acredito que, um dia, vou regressar porque tenho a certeza que o clube, daqui a uns anos, vai voltar onde merece porque é enorme. Enquanto houver um boavisteiro, o Boavista não morre. Tenho a certeza que não foi o meu fim lá, foi um até já. Um dia vou ter um regresso e quem sabe até acabar a minha carreira lá. Acho que seria muito bonito”, concluiu.

Apartamento, loja e 28 lotes de garagem do Boavista vão ser leiloados

Um apartamento, uma loja e 28 lotes de garagem, todos ativos imobiliários do Boavista, serão leiloados eletronicamente a partir de terça-feira, no âmbito do processo de insolvência do clube, disse hoje à agência Lusa fonte ligada ao processo.

Lusa | 18:15 – 27/02/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

PUBLICIDADE

Leia mais